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Bicudo: caça excessiva levou ave à extinção

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

“Grande parte das aves no Brasil estão ameaçadas pela modificação e a destruição de seu habitat. O bicudo é uma das poucas que estão ameaçadas por outro motivo: a caça. Os passarinheiros (caçadores, comercializadores e colecionadores de pássaros) foram tão eficientes, que conseguiram exterminar o bicudo de boa parte do Brasil”, diz Flávio Ubaid, colaborador do Instituto Ariramba de Conservação da Natureza.

O bicudo sofreu intensa captura para abastecer o comércio ilegal. Foto: ©Flávio Ubaid/Acervo Instituto Ariramba

Seu canto melódico, similar ao som de uma flauta, faz do bicudo alvo da captura ilegal de colecionadores. Considerado uma das aves mais raras do Brasil, ele luta contra a perseguição de gaioleiros para viver.

“O bicudo é um pássaro que originalmente habitava boa parte do Brasil Central até o norte da Amazônia e inclusive em outros países, mas ele sofre uma pressão de captura muito grande, fato que foi crucial para extingui-los”, afirma Flávio.

O pássaro vive em ambientes alagados onde nasce o capim tiririca, espécie de capim navalha cujas sementes são seu principal alimento, quebradas por seu bico grosso e forte

Como buscam os lugares com abundância de água, a preservação das nascentes e Veredas do Cerrado é essencial para a sobrevivência do bicudo.

 “O Cerrado é um bioma riquíssimo em água; e esse pássaro está diretamente relacionado com essas áreas úmidas. No entanto, o desmatamento e as queimadas contribuem para secar as Veredas e prejudicar as nascentes, o que contribui para esse deixar de ser um ambiente do bicudo”, complementa Flávio.

Reintrodução da espécie

Os machos possuem a plumagem quase totalmente preta, enquanto as fêmeas têm penas pardas. Foto: ©Flávio Ubaid/Acervo Instituto Ariramba

O apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) tem fortalecido ações de reintrodução do bicudo em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). As atividades concentram-se, por enquanto, principalmente no norte de Minas Gerais, área que abrange o Corredor Sertão Veredas-Peruaçu e a RPPN Porto Cajueiro.

“O CEPF/IEB nos permitiu estabelecer uma população de bicudos em vida livre em MG cumprindo todo o processo de ambientação e exigências legais. Dessa forma, o apoio foi decisivo para promover a conservação do bicudo. Ao longo do desenvolvimento das atividades, a Usina Coruripe, proprietária da RPPN Porto Cajueiro, se identificou com o projeto e também vem contribuindo em todas as etapas de execução. Um grande avanço do projeto será a implementação de um criatório conservacionista de bicudos, financiado pela Coruripe, que colocará o projeto em um outro patamar de atuação”, aponta Ubaid, sobre os resultados do projeto ‘Reintrodução do bicudo em áreas-chave para a conservação do Cerrado’, gerido pelo Instituto Ariramba de Conservação da Natureza.

 

Conheça mais sobre o projeto bicudo:

https://www.instagram.com/projetobicudo/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

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