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Categoria: Restauração

Rede de Sementes do Cerrado fortalece a geração de renda para comunidades por meio da comercialização de espécies nativas para a restauração

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Já pensou em fomentar o comércio de sementes nativas, promover uma fonte de renda para as populações tradicionais e ainda restaurar áreas degradadas? É dessa forma que atua a Rede de Sementes do Cerrado (RSC), associação que trabalha na articulação para o fortalecimento da atividade de coleta de sementes de espécies nativas da flora do Cerrado.

O foco de atuação da Rede está voltado para a região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, além de Brasília e no norte de Minas Gerais. “Um dos nossos eixos de atuação é a restauração, fazer com que áreas degradadas voltem o mais próximo possível da sua formação original, com todas as suas funções ecológicas ali envolvidas. Também promovemos a comercialização das sementes nativas e, assim, a restauração do bioma Cerrado”, comenta Camila Motta, presidente da RSC.

Mãos que fazem toda a diferença na restauração do Cerrado. Foto: Dudu Coladetti / Acervo RSC

O cunho social do trabalho desenvolvido pela Rede é um dos principais pilares da organização, uma vez que a comercialização das sementes nativas gera renda para as comunidades locais, além de estimular a conservação de áreas por essas populações. “Um fator muito importante na cadeia da restauração é o envolvimento social. O papel do coletor de sementes é muito importante não só para a geração de renda, mas também para a restauração, e o objetivo principal é a conservação, trazer o Cerrado de volta”, explana Camila Motta.

Ao todo, já foram 450 pessoas capacitadas na produção de sementes nativas e na restauração ecológica, 11 comunidades beneficiadas, 250 hectares em processo de restauração, mais de 30 negócios fechados com a comercialização e mais de 10 toneladas de sementes já comercializadas com o apoio do projeto “Mercado de Sementes e Restauração: Provendo Serviços Ambientais e Biodiversidade”, além dos apoios do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

O presidente da Associação Cerrado de Pé, Claudomiro de Almeida, nativo da região da Chapada dos Veadeiros, foi um dos beneficiários do projeto, junto com a sua organização: “Essa parceria foi fundamental. Hoje, a nossa associação conta com muitas famílias envolvidas no projeto. A RSC nos apoia na organização, na busca dos compradores da semente, também com capacitações para os coletores. As famílias fazem o que sabem, que é coletar e armazenar as sementes, e a RSC vem com esse suporte.”

Coletora participa de semeadura no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em Goiás. Foto: Dudu Coladetti/Acervo RSC

A pandemia gerou desafios e dificuldades para muitas organizações, que precisaram se reinventar. Para a Rede Sementes do Cerrado, 2020 foi o ano com melhores resultados na comercialização de sementes, segundo Camila Motta; dentre outros fatores, isso se deve ao avanço sobre a pauta da restauração: “O aumento da necessidade dos produtores rurais se adequarem ambientalmente, as empresas, o efeito dos cursos que fizemos, toda mobilização que o projeto faz com as parcerias. Todos esses fatores juntos estão refletindo na prática. Ano passado foram 30 negócios fechados”.

Capacitação com o Consórcio Cerrado das Águas

A capacitação de produtores rurais e a demanda por restauração através de sementes nativas propiciou a parceria com o Consórcio Cerrado das Águas (CCA). A Rede Sementes do Cerrado (RSC) forneceu sementes nativas para o CCA, e, em 2021, será realizada pelas duas organizações uma capacitação, à distância, para os produtores do município de Patrocínio (MG), sobre a coleta de sementes nativas e restauração. “Por meio desse curso vamos capacitar os produtores rurais no que tange à restauração”, afirma Camila Motta.

Conheça mais o trabalho da Rede de Sementes do Cerrado (RSC): https://www.rsc.org.br/

Baixe o calendário para orientar a coleta de sementes nativas incluindo árvores, arbustos, gramíneas e outras ervas do Cerrado. Todas as informações são regionais e específicas da Chapada dos Veadeiros (GO). A comercialização de sementes gera renda para mais de 60 famílias e ajuda a conservar o Cerrado!

 

 


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Projeto investe na restauração da vegetação nativa e gestão de recursos hídricos na cadeia do café no Cerrado mineiro

Em Minas Gerais, iniciativa envolve diferentes atores para promover paisagens sustentáveis e a conservação de vegetação nativa

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Companheiro que faz parte do cotidiano de milhares pessoas no mundo todo, o café é um produto de forte expressão na cultura mundial. No Brasil, o estado de Minas Gerais se destaca na produção desse grão, sendo, hoje, um dos maiores exportadores internacionais. Assim, a atividade cafeeira precisa ser desenvolvida com equilíbrio ambiental entre a fauna e a flora.

Dessa maneira, de nada adianta a produção do café sem pensar na sustentabilidade, já que esse produto exige um equilíbrio entre uma série de fatores ambientais, os quais perpassam um solo rico em nutrientes e forte irrigação para o cultivo desse grão. As ameaças climáticas representam hoje uma ameaça para o seu cultivo.

Com base nisso, o Consórcio Cerrado das Águas (CCA) surgiu em 2019, com o objetivo de envolver diferentes atores da cadeia produtiva do café numa plataforma colaborativa para restaurar a vegetação nativa e monitorar a qualidade da água dos rios e solos, a fim de garantir a produção sustentável de café e a gestão eficiente dos recursos hídricos na região do triângulo mineiro. Representantes de cooperativas, ONGs e grandes empresas, tais como a Nespresso, e a Lavazza, participam do Consórcio.

O objetivo da união desses diferentes atores foi o de assegurar a resiliência às mudanças climáticas que interferem nas bacias hidrográficas, restaurar a provisão de serviços ecossistêmicos, a partir do fortalecimento de corredores ecológicos“áreas que unem fragmentos de vegetação nativa ou áreas protegidas que estão separadas por interferência humana”[1] –, e promover impactos positivos no Cerrado mineiro.

Produtores rurais realizam restauração de área degradada na região do Córrego Feio em Minas Gerais. Foto: Acervo CCA

O produtor rural, Ricardo Bartholo, um dos beneficiários do projeto do CCA, comenta que a iniciativa fortalece a disponibilidade de água no Córrego Feio – manancial que abastece a população e também é usado para as atividades agropecuárias no município de Patrocínio, em Minas Gerais.

“O Consórcio veio trazer uma visão mais objetiva para nós produtores. É ótimo ver as grandes empresas atentas a sustentabilidade na produção do café. Eu tenho convicção de que nós teremos um aumento do manancial de água. Com isso posso utilizar mais água para irrigar a minha plantação de café, pois hoje tenho uma limitação da quantidade que posso extrair”, afirma.

Dentro da plataforma, as empresas da cadeia produtiva de café se comprometem a doar um aporte financeiro para a manutenção e o investimento das atividades de restauração da bacia hidrográfica. “A gente olha para a vegetação nativa, os recursos hídricos, a quantidade de água dentro das bacias, as paisagens conectadas, o envolvimento e as conexão dos produtores, o engajamento institucional e a comunidade local dentro dessa plataforma colaborativa que é o CCA”, explica Fabiane Sebaio, diretora-executiva do Consórcio Cerrado das Águas.

Investir no produtor

A atenção ao pequeno produtor também é um dos eixos de ação do Consórcio Cerrado das Águas, por meio do Programa de Investimento do Produtor Consciente (PIPC). “Esse programa começa com um contato com os produtores, para gente falar o que é o Consórcio; explicamos que a propriedade deles faz parte da bacia hidrográfica, o conceito da mesma, fazemos um diagnóstico e uma visita na propriedade dos produtores, também sugerimos se podemos investir em seu território, elaboramos um plano; a partir dele, marcamos uma oficina, onde discutimos com os processos”, diz Fabiane Sebaio.

O objetivo central do PIPC é estabelecer e implementar uma estratégia para restaurar a prestação de serviços ecossistêmicos na bacia, a longo prazo, através de um processo de envolvimento efetivo com produtores e atores locais.  A maior preocupação do programa são as áreas de vegetação nativa, esclarece Fabiane: “Precisamos fazer o produtor entender que a sua propriedade está dentro da bacia e que toda e qualquer mobilização em prol da restauração e da qualidade de água da bacia é importantíssima. A gente considera o engajamento do produtor muito importante nesse processo. Onde eu preciso restaurar para ter uma efetividade nesse processo?”.

Pato-Mergulhão: ave aquática ameaçada de extinção. Foto: André Dib / Acervo Projeto Pato-Mergulhão

A meta do programa foi a de atingir 100 hectares, em sete municípios no Cerrado mineiro; uma das áreas escolhidas, a bacia do Córrego Feio em Patrocínio, é onde se encontra o pato-mergulhão, uma ave nativa do Cerrado ameaçada de extinção, que depende de ambientes aquáticos extremamente conservados para a sua sobrevivência.

Parceria com o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos

O Consórcio do Cerrado das Águas conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) para ser executado, mas a grandeza do projeto lançou um desafio: o de promover a adoção das melhores práticas em agricultura no Cerrado de Minas Gerais e reunir empresas concorrentes da cadeia do café, todos em prol do mesmo interesse – a conservação de áreas nativas e dos recursos hídricos do Cerrado.

No entanto, todo o recurso investido não se limitou apenas à restauração, mas também ao diálogo com o produtor, ao desenvolvimento de um aplicativo que mapeia áreas degradadas, o esforço de reunir empresas concorrentes da cadeia do café. Assim, o recurso do CEPF e o apoio do IEB foram fundamentais no processo de construção da metodologia da equipe e do investimento nas propriedades.

“Nesse cenário de engajamento do produtor, é o maior legado com o projeto fazer esse movimento para que o produtor cuide mais da sua propriedade, para que haja uma mudança de mentalidade sobre o que é uma fazenda sustentável, como eu proporciono resiliência climática, o entendimento de que o clima reúne uma série de fatores e de que a lavoura desses produtores proporciona restauração”, explana Fabiane Sebaio.

Saiba mais sobre o Consórcio Cerrado das Águas: http://cerradodasaguas.org.br/

[1] “O que são Corredores Ecológicos”. Dicionário Ambiental. ((o))eco, Rio de Janeiro, ago. 2014. Disponível em: <https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28538-o-que-sao-corredores-ecologicos/>


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Em encontro virtual com coletores, RSC e Associação Cerrado de Pé definem preço e potencial de coleta para 2021

por Maria Antônia Perdigão, via Rede de Sementes do Cerrado 

Em oficina realizada nesta terça-feira, 26, a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) e a Associação Cerrado de Pé reuniram coletores e a equipe técnica do Projeto Mercado de Sementes e Restauração: Promovendo Serviços Ambientais e Biodiversidade para elaborar o planejamento das ações para 2021. O encontro aconteceu virtualmente e contou com a presença da consultora Regina Erismamm.

Além da revisão dos preços das sementes disponíveis para a venda pela Associação por intermédio da RSC, o potencial de coleta e as vantagens do beneficiamento das sementes nativas do Cerrado, que são utilizadas no processo de restauração do bioma por meio da semeadura direta, também foram pautados durante a reunião.

Foto: ©Amalia Robredo/Acervo RSC

Na ocasião, os próprios coletores definiram os preços das espécies que serão comercializadas em 2021. “Em todo início de ano, a Rede de Sementes do Cerrado realiza esta oficina com os coletores para que eles possam definir o preço e o potencial de coleta. Esta definição leva em consideração vários aspectos como, por exemplo, o beneficiamento de sementes. É importante frisar que a Associação vem entregando sementes mais puras que proporcionam resultados melhores na restauração. Isso acaba tornando o processo mais trabalhoso e um pouco mais caro. Em virtude das experiências vividas em anos anteriores, o preço de algumas espécies precisou ser revisado para 2021”, ponderou a Presidente da RSC, Camila Motta.

O beneficiamento das sementes continuará sendo priorizado pela Associação Cerrado de Pé conforme adiantou o Presidente Claudomiro de Almeida. “Temos algumas espécies que são bem complexas para beneficiar e demandam muito trabalho.  A gente define o preço levando em conta o esforço do coletor e ainda, as vantagens para o cliente que vai receber as sementes com mais qualidade”, destacou.

Na oportunidade, Claudomiro anunciou que a Associação está oferecendo o serviço de restauração ecológica. “Isso é muito bom, pois além de permitir que o coletor participe da restauração de áreas degradadas, gera mais um complemento de renda”, completou.

O projeto

A comercialização de sementes nativas do Cerrado é uma iniciativa da RSC através do Projeto Mercado de Sementes e Restauração: Promovendo Serviços Ambientais e Biodiversidade que conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF), Instituto Internacional de Educação do Brasil e do Instituto Caixa Seguradora.  Utilizadas na restauração ecológica pelo método de plantio da semeadura direta, essas sementes são coletadas por pequenos produtores rurais, assentados e quilombolas que integram a Associação Cerrado de Pé.

Maria Antônia Perdigão- (61) 98327-3415
Assessoria de Comunicação da Rede de Sementes do Cerrado

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

Agricultores familiares do DF recebem capacitação para a coleta de sementes nativas do Cerrado

Nos meses de maio e junho a Rede Bartô concluiu mais duas etapas do Componente de “Regularização ambiental do Assentamento Rural Roseli Nunes” – parte do projeto Agroflorestas Prestadoras de Serviços Ecossistêmicos.

Foto: Acervo Rede Bartô

A partir do mapa de uso e ocupação do solo, foi gerada uma base de dados que serviu para retificar os Cadastros Ambientais Rurais dos agricultores, adiantando bastante o processo de Regularização Ambiental do Assentamento. A regularização traz benefícios para os assentados como acesso ao crédito e programas de incentivo à produção.

O processo de restauração ambiental do Assentamento Rosely Nunes, está sendo construído de modo que todas as fases do processo possam ser internalizadas pela comunidade local para que faça sentido para eles. Foram trabalhadas nessa etapa questões sociais, mas principalmente econômicas, em torno das oportunidades do mercado de coleta de sementes de espécies nativas do Cerrado para os agricultores. Essa atividade é a continuidade de uma parceria entre a Rede Bartô, Tikré Soluções Ambientais, Rede de Sementes do Cerrado, o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado) e Instituto Internacional de Educação do Brasil.

Foto: Acervo Rede Bartô

As atividades contaram com a participação dos agricultores do assentamento, que coletaram mais de 16 kg de sementes de espécies nativas do Cerrado. Após a coleta, elas foram beneficiadas e armazenadas adequadamente. Posteriormente serão utilizadas para recuperar áreas do assentamento que foram degradadas.

“A ideia na outra ponta é empoderar os próprios agricultores da técnica de restauração ecológica por meio da semeadura direta, para que eles mesmos possam fazer o processo de restauração em outras oportunidades. Quem sabe até como profissão, gerando renda no futuro” diz Fabrício Lima, coordenador do projeto.

A atividade foi adaptada para seguir todos os cuidados de segurança e saúde, seguindo as orientações de prevenção ao coronavírus. A Rede Bartô elaborou um protocolo de segurança com medidas a serem adotadas pela equipe e pelos beneficiários para garantir a segurança de todos. Conheça o projeto Agroflorestas Prestadoras de Serviços Ecossistêmicos e a Rede Bartô!


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.