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CERRADO

Clima, topografia e biodiversidade

O Cerrado[1] é a maior região de savana tropical da América do Sul, com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e localizando-se principalmente no Brasil, mas estendendo-se ligeiramente em partes adjacentes da Bolívia e do Paraguai.

O clima tropical é caracterizado por uma estação chuvosa seguida por uma estação seca sem quase nenhuma precipitação. A média de precipitação anual é de entre 600 e 2.000 milímetros, enquanto a média anual de temperaturas varia entre 22 e 27 graus Celsius.

Além do clima, a biodiversidade do Cerrado é influenciada pela altitude e topografia. A área central do Cerrado consiste em vastos planaltos de 300 e 1.600 metros de altitude. Estas estruturas suportam principalmente formações de savana, separadas por uma rede de planícies baixas. Elas, por sua vez, suportam 15 tipos diferentes de vegetação, incluindo vários tipos de bosques, matagais e pastagem.

Biodiversidade

Os diversos ecossistemas do Cerrado abrigam uma grande variedade de espécies, incluindo espécies endêmicas. Embora sejam necessários estudos mais amplos para catalogar a enorme variedade de espécies, estima-se que o Cerrado abrigue mais de 12.000 espécies de plantas, sendo que mais de um terço delas são endêmicas.

A região conta com pelo menos 2.373 espécies de vertebrados, cerca de um quinto dos quais são endêmicos. O Cerrado abriga alguns grandes mamíferos emblemáticos, como o maior canídeo e felino da América do Sul, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), assim como a onça-pintada (Panthera onca). O Cerrado abriga também o tatu gigante (Priodontes maximus), o membro mais impressionante da fauna de tatus do Cerrado.

Uma pesquisa recente mostrou que, entre 1998 e 2008, um total de 1.300 novas espécies de vertebrados foram identificadas no Brasil. Dentre elas, 347 espécies de vertebrados foram encontradas no Cerrado, incluindo 222 novos peixes, 40 anfíbios, 57 répteis, 27 mamíferos e uma ave. Estes números indicam a importância biológica colossal da região.

Bento Viana/Acervo ISPN

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CEPF Cerrado 02117

Serviços Ecossistêmicos

O Resumo do Perfil do Ecossistema do Cerrado, elaborado pela Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) e o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) para o CEPF, mostra que os serviços ecossistêmicos proporcionados pelo Cerrado são abrangentes.

Do ponto de vista hidrológico, a ecologia do Pantanal, a maior planície alagada do mundo, depende da água que flui do Cerrado, enquanto todos os afluentes do sul do Rio Amazonas, exceto dois, originam-se no Cerrado. Além disso, para grande parte do sul do Brasil, o Cerrado fornece água para o consumo e para a agricultura, através de escoamento superficial, recarga de água subterrânea e fluxos atmosféricos de vapor de água.

O Cerrado também possui grande quantidade de carbono armazenado em suas florestas, incluindo nas raízes profundas das árvores.

Além de sua alta biodiversidade, o Cerrado garante a subsistência das populações humanas dentro e fora de suas fronteiras. Localmente, os recursos da biodiversidade sustentam os meios de vida de milhões de agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos indígenas no Cerrado, que somam cerca de 5 milhões de pessoas.

Perda de Habitats

A principal ameaça à biodiversidade do Cerrado é o desmatamento. E a maior parte da cobertura vegetal original ainda restante tem sido alvo de vários tipos de interferência. Nas últimas cinco décadas, o Cerrado tem sido a principal área de expansão agrícola e consolidação do agronegócio brasileiro, levando à perda de metade da cobertura vegetal original deste hotspot – ecossistema único e ameaçado.

Os níveis de desmatamento no Cerrado são atualmente maiores do que na Amazônia, assim como os níveis de emissões de gases de efeito estufa. Embora o Cerrado tenha poucas florestas densas, ele é igualmente ou até mais importante devido à sua biodiversidade e aos seus serviços hídricos e de carbono. Embora o Código Florestal Brasileiro estipule a designação de Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais, elas não serão mais que fragmentos isolados se o desmatamento no Cerrado continuar em seu ritmo atual.

O modelo de desenvolvimento econômico do Cerrado está colocando pressão tanto nas comunidades locais quanto nos ecossistemas naturais, através da conversão continuada de terras para fins agrícolas e de pecuária. Até 2010, 47 por cento das terras do Cerrado já havia sido convertido em terra para a utilização humana. Este problema é exacerbado pelo fato de o cerrado ter um dos menores níveis de proteção, com apenas oito por cento da superfície terrestre protegida.

A extrema riqueza biológica deste hotspot, combinada com o alarmante índice de conversão de terras na região, indica que devem ser tomadas medidas urgentes para garantir a sustentabilidade ambiental e o bem-estar das sociedades humanas.


[1] Extraído do Resumo do Perfil do Ecossistema do Cerrado, elaborado pela Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) e o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) – com edições.