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Ecoturismo de base comunitária na comunidade quilombola Furnas da Boa Sorte, MS avança com capacitações e infraestrutura

por WWF-Brasil e Instituto Mamede

Ecoturismo de base comunitária na comunidade quilombola Furnas da Boa Sorte, Corguinho/MS, avança com curso em comunicação e marketing e a instalação de placas sinalizadoras ao turista


Mais um encontro marcou o processo de implantação do Ecoturismo de Base Comunitária na Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, em Corguinho/MS.

Rica em paisagens deslumbrantes e biodiversidade exuberante, o lugar de características prístinas, contagia e encanta o visitante, e não há falta de inspiração para o Ecoturismo. Tudo remete à natureza e interage com ela. A comunidade se localiza em área de transição entre Cerrado e Pantanal, cujo relevo singular, com morros e encostas providos pelo Planalto de Maracaju, ali se despede das altitudes mais elevadas e aos poucos vai se rendendo à planície de inundação pantaneira. Além da natureza, os visitantes têm a oportunidade de imersão na história e cultura da Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte.

©Acervo Instituto Mamede

Desta vez, o módulo do curso de Ecoturismo de Base Comunitária – EcoTBC, na Comunidade trouxe o tema Comunicação e Marketing no Ecoturismo de Base Comunitária. O módulo foi ministrado

pela equipe do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, WWF-Brasil e ainda contou com a participação especial da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul- FUNDTUR. Simone Mamede, coordenadora do curso de formação em Ecoturismo de Base Comunitária no Projeto Municípios Sustentáveis, afirmou que “o trabalho de Ecoturismo de Base Comunitária da Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte vem sendo organizado a muitas mentes e mãos, envolvendo o protagonismo da comunidade, o apoio de profissionais da área do turismo, do meio ambiente e da sustentabilidade. A união de todos tem proporcionado os avanços na construção de um território mais sustentável para atuais e futuras gerações. Entre as ações norteadoras estão: o turismo responsável, o diálogo intergeracional, o respeito e a valorização da cultura quilombola, assim como o respeito pela natureza. Que continuemos semeando a sustentabilidade junto as atuais e futuras gerações”. Até o momento, foram realizados três módulos com os temas: EcoTBC: Planejamento e sustentabilidade; Produtos, serviços e roteiros em EcoTBC e o último realizado nos dias 12 a 14 de julho, sob o tema Comunicação e Marketing. Além do conteúdo relacionado à produção, estratégias de comunicação e divulgação, o curso abordou fotografia de natureza e sustentabilidade. Pelo relato de Maristela Benites, ministrante do curso de Ecoturismo de Base Comunitária – Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, “a experiência da construção do EcoTBC na Comunidade Quilombola Furnas da Boa tem sido muito especial. Cada passo desse processo é uma conquista, cheia de desafios, especialmente por se tratar de algo novo, mas, ao mesmo tempo, com muitas vitórias e descobertas. O sucesso do último módulo se deu não somente pelo conteúdo necessário e de qualidade à implantação dessa modalidade turística, mas por inaugurar definitivamente um destino turístico diferencial, rico em cultura e biodiversidade. As placas instaladas tem vários significados dentro dessa perspectiva, mas a mensagem principal transmitida é: “Turista, pode chegar que estamos te esperando”! Assim vamos construindo em favor de territórios sustentáveis”.

©Acervo WWF-Brasil

Neste módulo com o financiamento da União Europeia (“European Union”), foram instaladas placas de sinalização em algumas residências anfitriãs do EcoTBC e em alguns pontos na estrada. Famílias que estão participando desde o início do projeto, receberam placas indicativas dos serviços que oferecem ao turista, como: camping, hospedagem domiciliar (cama e café) e refeição. O curso foi especial e simbólico, pois definitivamente marcou a materialização do EcoTBC na comunidade quilombola, através da instalação das placas, as quais foram gentilmente patrocinadas pela União Europeia com apoio do WWF-Brasil. Para o Sr. Deoclides, integrante da comunidade, “o curso de Ecoturismo e a instalação das placas do Ecoturismo de Base Comunitária é uma forma de divulgar a comunidade, é uma forma de dizer que a comunidade quilombo da Boa Sorte existe”. 

Participaram do curso moradores da comunidade quilombola, universitários, gestores públicos, turismólogos, publicitários e microempresárias do turismo. Elizandra Dutra, turismóloga e aluna do curso de formação em Ecoturismo de Base Comunitária na comunidade quilombola, nos contou que “a dinâmica e a metodologia utilizadas no curso de Ecoturismo de Base Comunitária realizado na comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte possibilitaram uma melhor compreensão dos conteúdos abordados, permitindo a todos vivenciar na prática junto à comunidade todo conhecimento teórico, fortalecendo ainda mais o aprendizado”.

Os professores, Rodrigo Motta falou sobre marketing em redes sociais, Don Eaton sobre municípios sustentáveis, Simone Mamede sobre ecoturismo de base comunitária, Geancarlo Merighi sobre Rota Turística Caminhos dos Ipês, Alexandre sobre produção audiovisual, Bolivar Porto sobre fotografia de natureza e Maristela Benites sobre sustentabilidade. Os conteúdos se integraram harmonicamente. Com tanta inspiração proporcionada pela sociobiodiversidade local, não faltou matéria-prima para cada palestrante.

©Acervo Instituto Mamede

Ao final do curso, a comunidade nos brindou com produtos da terra, como: banana, mamão e mandioca, e produtos culinários por eles confeccionados: garapa, rapadura, melado, bolos e doces. Os produtos podem ser adquiridos na comunidade.

A Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte é gestora do Ecoturismo de Base Comunitária e pode delinear seu próprio destino.

A iniciativa é apoiada pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), e executada por WWF-Brasil e Instituto Mamede, e integra o projeto “Municípios Sustentáveis, protegendo o berço das águas do Cerrado e as cabeceiras do Pantanal”. Além do turismo comunitário, o projeto abrange a coleta de sementes de espécies nativas do Cerrado para recuperação de áreas degradadas, o que permite constatar que as duas iniciativas integradas impactam positivamente e agregam valor às cadeias produtivas locais e regionais e mostram como é possível desenvolver sem destruir o Cerrado, mantendo estáveis os serviços ambientais providos pela natureza. Sustentabilidade assim se vislumbra quando comunidades são efetivamente envolvidas e beneficiadas, o ambiente é explorado de forma responsável e a economia prospera. De acordo com Don Eaton, coordenador do projeto, “além das maravilhas cênicas, os visitantes para Comunidade Quilombola Furnas de Boa Sorte podem relaxar e desfrutar da hospitalidade da comunidade e de suas comidas e artesanato tradicionais. As placas financiadas pela União Europeia e criadas pela comunidade ajudará a transformar o programa de turismo em uma fonte real de renda familiar enquanto preservar seu ambiente natural”.

©Acervo Instituto Mamede

Cada passo é uma conquista e mostra inegável avanço, fruto do empenho e união de todos. Aos poucos o sonho tem se tornado realidade e vamos avançando na construção de territórios sustentáveis!

Este módulo contou com a parceria da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), em presença do diretor de desenvolvimento do turismo e de mercado – Geancarlo Merighi e do profissional Bolivar Porto. De acordo com Geancarlo, “os projetos de desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária são considerados uma importante ferramenta pra diversificação de renda nas pequenas propriedades. Quando envolve comunidades especificas, como indígenas e quilombolas, o Turismo de Base Comunitária além de diversificar a renda, tem a capacidade de divulgar, além das belezas naturais, a cultura e o modo de vida tradicional deles, ou seja faz a Promoção do Ser Humano”.

O Instituto Mamede e WWF Brasil, agradecem e parabenizam todos os esforços da comunidade e parceiros que tem se unido a luta para a construção de territórios mais sustentáveis e de convivência harmônica com a natureza.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Instituto Mamede e WWF-Brasil promovem formação em ecoturismo com comunidades do MS

 

Foto: Aryanne Amaral / IEB

 

*O Ecoturismo de Base Comunitária é uma ação que contribui para a elevação da renda familiar e a conservação dos recursos naturais

Pode ser mais uma fonte de renda familiar, conservar os recursos naturais e, ainda, encantar as pessoas sobre os cuidados com a terra e com a natureza são os objetivos de um projeto que o Instituto Mamede e o WWF-Brasil desenvolvem hoje junto ao Assentamento Canaã, em Rochedo que fica a 80 km distante da capital sul-mato-grossense. Os assentados estão aprendendo que a vida simples e o cuidado com a natureza geram interesse de turistas que buscam por experiências e vivências no meio rural. No assentamento há vários atrativos tanto naturais como culturais, com a possibilidade de o turista visitar os roçados; acompanhar a produção de pecuária de leite; visitar o Morro de Santo Antônio – onde fiéis fazem peregrinações e devoções; várias nascentes hídricas; ambientes naturais com vegetação do Cerrado, matas de galeria e florestas estacionais, além de vida selvagem abundante. Também são oferecidas comidas típicas, produtos da horta e da agricultura familiar, além de pães, leite e queijo.

Para que tudo isso funcione, no entanto, é preciso que a comunidade esteja bem preparada e organizada, por isso a importância dos cursos de formação e engajamento dos moradores.

E é este tipo de iniciativa – organizar a comunidade para oferecer serviços de ecoturismo comunitário – que o Instituto Mamede está fazendo em parceria com o WWF-Brasil, por meio do projeto “Municípios Sustentáveis protegendo o berço das águas do Cerrado e as cabeceiras do Pantanal” apoiado pelo Fundo de Parceria para  Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

Don Eaton do WWF-Brasil explicou que “o projeto, Municípios Sustentáveis, busca promover alternativas econômicas que são ambientalmente sustentáveis para as comunidades rurais, contribuindo para a geração de renda, o fortalecimento da economia local e a manutenção dos serviços ambientais essenciais para áreas de produção, comunidades rurais e biodiversidade regional. ”

Trabalho contínuo

O trabalho com Ecoturismo de Base Comunitária no Assentamento Canaã que contou com a participação de 23 membros de comunidade vem sendo construído através de um processo de diálogo desde o ano de 2017 e que culminou no primeiro módulo de formação em julho deste ano, tendo como base a experiência na Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, localizada no município de Corguinho (130 km de Campo Grande), Mato Grosso do Sul. Lá, a formação vem sendo desenvolvida desde 2015 e, neste ano, o segundo módulo aconteceu em fevereiro com a participação de 43 pessoas.

Simone Mamede e Maristela Benites do Instituto Mamede, contam com a parceria de várias instituições como a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da UNIDERP e Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul – FUNDTUR-MS. Assim, a experiência e as responsabilidades são compartilhadas, a fim de inspirar e assegurar a construção de territórios mais sustentáveis que percebam no turismo de base local uma alternativa para melhor uso da terra e conservação da biodiversidade. Além de fomentar à pesquisa e extensão neste tema e o investimento em formação e estruturação do turismo no estado, afirmaram.

Para a realização das formações tem sido utilizadas metodologias participativa como “open space”, mapa falado, diagnóstico participativo, aula expositiva e práticas de campo. Os cursos são divididos em três módulos: I) Planejamento e Sustentabilidade; II) Educação Ambiental e Formatação de Roteiros e; III) Empreendedorismo e Marketing.

Segundo Simone Mamede, do Instituto Mamede, “a atividade tem sido conduzida com muito cuidado e dedicação. Todos monitores passaram por capacitações e a aplicação dos módulos vem sendo avaliada e monitorada. O diálogo, a percepção e o acompanhamento tanto dos integrantes da comunidade como de outros atores são ações frequentes e enriquecedoras, que têm somado muito no processo de formação. Protagonismo, empoderamento, pertencimento, participação e identidade social são os temas estruturantes e que fundamentam as ações e cada módulo de formação”.

Como resultado a Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte já recebeu alguns grupos de turistas e percebeu a importância de ampliar o leque de atividades com o potencial turístico. Nesse sentido, as mulheres, que representaram mais de 50% das pessoas que participaram da última capacitação, tem se mobilizado para criar uma organização não governamental que represente o núcleo de mulheres da comunidade.

Para este segundo semestre estão previstas as instalações de placas de interpretação e sinalização do Ecoturismo de Base Comunitária e para 2019 estão programadas também novas oficinas sobre temas específicos.

“O Ecoturismo de Base Comunitária tem se revelado não só uma alternativa de renda para essas comunidades, mas uma forma de transformação das pessoas e de reconhecimento da beleza e simplicidade do cotidiano. Um aprendizado sobre a cultura da paz, do viver e conviver, uma construção contínua e coletiva para a sustentabilidade”, concluiu Mamede.

*Texto fornecido pelo WWF-Brasil e Instituto Mamede

Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, Mato Grosso do Sul. ©Don Eaton/WWF Brasil
Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede
Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede
Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, Mato Grosso do Sul. ©Don Eaton/WWF Brasil
Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede
Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede
Assentamento Canaã, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede
Assentamento Canaã, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede
Assentamento Canaã, Mato Grosso do Sul. ©Don Eaton/WWF Brasil
Assentamento Canaã, Mato Grosso do Sul. ©Don Eaton/WWF Brasil
Assentamento Canaã, Mato Grosso do Sul. ©Don Eaton/WWF Brasil
Assentamento Canaã, Mato Grosso do Sul. ©Instituto Mamede

 


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão, da Fundação MacArthur e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.