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Categoria: Espécies

Livro “Colorindo os campos rupestres” promove educação ambiental nas escolas de Minas Gerais

Lobo-guará, tamanduá-bandeira, pau-santo e cacto coroa-de-ita são espécies que ilustram o livro: “Colorindo os campos rupestres: Alfabetização ecológica na educação infantil de Itamarandiba – Minas Gerais”, obra lançada pela Editora Mil Folhas, que contou com apoio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). A publicação é um dos resultados principais do projeto “Ecologia e Recuperação de Uebelmannia buiningii, coroa-de-ita” executado pelo Instituto Jurumi em parceria com ICMBio, Embrapa-Cenargen e o Parque Estadual Serra Negra (MG).

A publicação é a primeira da série direcionada à educação infantil da rede de ensino da cidade de Itamarandiba, em Minas Gerais. Nela, o aluno pode colorir desenhos que representam plantas e suas partes, assim como de animais que ocorrem nos campos rupestres do Parque Estadual da Serra Negra, no estado de Minas Gerais.

“Esperamos fortalecer as escolas e as crianças em relação ao conhecimento da biodiversidade local e a fauna, mas também chamar a atenção para a proteção do Parque Estadual Serra Negra. Logo, a comunidade, nesse contexto, deve ser inserida em todo o processo de conservação dessa área”, diz Suelma Ribeiro, ecóloga e uma das autoras da obra.

Há também espaço para que as crianças desenhem ou reproduzam características das plantas. “A ideia é que o público infantil possa se empoderar cada vez mais desse conhecimento. Esperamos que sirva como material educativo voltado sobre a biodiversidade local e das espécies que estão ameaçadas nessa região”, comenta Suelma.

O livro, de distribuição gratuita, está disponível para download e surge como uma proposta de democratização do acesso ao conhecimento. Acesse gratuitamente o livro aqui:


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

Rolinha-do-planalto: população de 31 indivíduos em todo o Brasil

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

A rolinha-do-planalto se alimenta de pequenos grãos e sementes. Foto: Marco Silva / Acervo Save Brasil

Considerada uma das aves mais raras do mundo, a rolinha-do-planalto recebe apoio de parceiros para ser reintroduzida na natureza, sendo a sua ocorrência restrita ao município de Botumirim, no norte de MG. A população desse pássaro está em uma situação crítica, com um número muito baixo de indivíduos: hoje, são apenas 31.

Associada aos ambientes rochosos, com areia branca e abundância de água, ela se alimenta de pequenos grãos e sementes. Hoje, a principal ameaça para sua sobrevivência são as queimadas provocadas para abrir área de pasto para a criação de gado no Cerrado.

“Essa ave gosta de ambientes ricos em água; é por esse motivo que nossas ações em Botumirim estão focadas na proteção de Veredas, pois proteger essa vegetação é proteger as rolinhas-do-planalto”, diz Albert Gallon de Aguiar, da Associação para a Conservação das Aves do Brasil, Save Brasil.

As ações de manejo e execução do projeto desenvolvido pela Save Brasil resultaram na criação do Parque Estadual de Botumirim. Além disso, atividades de conscientização com a prefeitura e as escolas da cidade propiciaram a aproximação da população com o projeto, fato que resultou no fluxo de maior turismo de apreciadores de aves na região, o que gerou renda para a população.

A rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis) é uma das aves mais raras do mundo, criticamente ameaçada de extinção (CR). Foto: Ciro Albano / Acervo Save Brasil

“As pessoas começaram a entender que o parque representa uma fonte de renda para o município, que é bastante pobre, tem um baixo índice de IDH. Lá, temos uma diversidade de espécies do Cerrado: 17 mamíferos, como lobo-guará, onça parda, tamanduá-bandeira, animais que estão voltando para a reserva, porque agora há mais vigilância do Estado no combate à caça. Então, a rolinha criou um movimento de proteção do parque, afirma Albert.

Apoio do CEPF e IEB

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e o IEB foram grandes apoiadores do projeto “Salvando a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis) e seu habitat único no Cerrado”, o que contribuiu para disseminar junto à população local informações sobre as aves e a biodiversidade, estabelecendo uma rede de atores comprometida com a conservação ambiental na região. “O apoio permitiu que a gente ficasse em campo. Ajudou na parte da comunicação, foi um grande parceiro para a gente conseguir estabelecer as bases, para conseguirmos caminhar. O CEPF e IEB permitiram que a gente tivesse governança”, comenta Albert.

Desdobramentos

Apesar da rolinha-do-planalto estar em uma situação crítica, as ações da Save Brasil colaboraram para aumentar a sua população, que no início era de 11 indivíduos. Dessa maneira, o seu crescimento para 31 pássaros representa uma vitória.

Como próximo passo vamos começar o manejo da população, com a retirada de alguns ovos da natureza para criar em cativeiro, ter uma população de segurança, para depois reintroduzi-los em regiões naturais. Assim, podemos evitar, por exemplo, que uma queimada acabe com a população de uma vez”, explica o especialista.

 

Saiba mais sobre a Save Brasil:

http://savebrasil.org.br


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Bicudo: caça excessiva levou ave à extinção

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

“Grande parte das aves no Brasil estão ameaçadas pela modificação e a destruição de seu habitat. O bicudo é uma das poucas que estão ameaçadas por outro motivo: a caça. Os passarinheiros (caçadores, comercializadores e colecionadores de pássaros) foram tão eficientes, que conseguiram exterminar o bicudo de boa parte do Brasil”, diz Flávio Ubaid, colaborador do Instituto Ariramba de Conservação da Natureza.

O bicudo sofreu intensa captura para abastecer o comércio ilegal. Foto: ©Flávio Ubaid/Acervo Instituto Ariramba

Seu canto melódico, similar ao som de uma flauta, faz do bicudo alvo da captura ilegal de colecionadores. Considerado uma das aves mais raras do Brasil, ele luta contra a perseguição de gaioleiros para viver.

“O bicudo é um pássaro que originalmente habitava boa parte do Brasil Central até o norte da Amazônia e inclusive em outros países, mas ele sofre uma pressão de captura muito grande, fato que foi crucial para extingui-los”, afirma Flávio.

O pássaro vive em ambientes alagados onde nasce o capim tiririca, espécie de capim navalha cujas sementes são seu principal alimento, quebradas por seu bico grosso e forte

Como buscam os lugares com abundância de água, a preservação das nascentes e Veredas do Cerrado é essencial para a sobrevivência do bicudo.

 “O Cerrado é um bioma riquíssimo em água; e esse pássaro está diretamente relacionado com essas áreas úmidas. No entanto, o desmatamento e as queimadas contribuem para secar as Veredas e prejudicar as nascentes, o que contribui para esse deixar de ser um ambiente do bicudo”, complementa Flávio.

Reintrodução da espécie

Os machos possuem a plumagem quase totalmente preta, enquanto as fêmeas têm penas pardas. Foto: ©Flávio Ubaid/Acervo Instituto Ariramba

O apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) tem fortalecido ações de reintrodução do bicudo em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). As atividades concentram-se, por enquanto, principalmente no norte de Minas Gerais, área que abrange o Corredor Sertão Veredas-Peruaçu e a RPPN Porto Cajueiro.

“O CEPF/IEB nos permitiu estabelecer uma população de bicudos em vida livre em MG cumprindo todo o processo de ambientação e exigências legais. Dessa forma, o apoio foi decisivo para promover a conservação do bicudo. Ao longo do desenvolvimento das atividades, a Usina Coruripe, proprietária da RPPN Porto Cajueiro, se identificou com o projeto e também vem contribuindo em todas as etapas de execução. Um grande avanço do projeto será a implementação de um criatório conservacionista de bicudos, financiado pela Coruripe, que colocará o projeto em um outro patamar de atuação”, aponta Ubaid, sobre os resultados do projeto ‘Reintrodução do bicudo em áreas-chave para a conservação do Cerrado’, gerido pelo Instituto Ariramba de Conservação da Natureza.

 

Conheça mais sobre o projeto bicudo:

https://www.instagram.com/projetobicudo/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

Rede de Sementes do Cerrado fortalece a geração de renda para comunidades por meio da comercialização de espécies nativas para a restauração

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Já pensou em fomentar o comércio de sementes nativas, promover uma fonte de renda para as populações tradicionais e ainda restaurar áreas degradadas? É dessa forma que atua a Rede de Sementes do Cerrado (RSC), associação que trabalha na articulação para o fortalecimento da atividade de coleta de sementes de espécies nativas da flora do Cerrado.

O foco de atuação da Rede está voltado para a região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, além de Brasília e no norte de Minas Gerais. “Um dos nossos eixos de atuação é a restauração, fazer com que áreas degradadas voltem o mais próximo possível da sua formação original, com todas as suas funções ecológicas ali envolvidas. Também promovemos a comercialização das sementes nativas e, assim, a restauração do bioma Cerrado”, comenta Camila Motta, presidente da RSC.

Mãos que fazem toda a diferença na restauração do Cerrado. Foto: Dudu Coladetti / Acervo RSC

O cunho social do trabalho desenvolvido pela Rede é um dos principais pilares da organização, uma vez que a comercialização das sementes nativas gera renda para as comunidades locais, além de estimular a conservação de áreas por essas populações. “Um fator muito importante na cadeia da restauração é o envolvimento social. O papel do coletor de sementes é muito importante não só para a geração de renda, mas também para a restauração, e o objetivo principal é a conservação, trazer o Cerrado de volta”, explana Camila Motta.

Ao todo, já foram 450 pessoas capacitadas na produção de sementes nativas e na restauração ecológica, 11 comunidades beneficiadas, 250 hectares em processo de restauração, mais de 30 negócios fechados com a comercialização e mais de 10 toneladas de sementes já comercializadas com o apoio do projeto “Mercado de Sementes e Restauração: Provendo Serviços Ambientais e Biodiversidade”, além dos apoios do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

O presidente da Associação Cerrado de Pé, Claudomiro de Almeida, nativo da região da Chapada dos Veadeiros, foi um dos beneficiários do projeto, junto com a sua organização: “Essa parceria foi fundamental. Hoje, a nossa associação conta com muitas famílias envolvidas no projeto. A RSC nos apoia na organização, na busca dos compradores da semente, também com capacitações para os coletores. As famílias fazem o que sabem, que é coletar e armazenar as sementes, e a RSC vem com esse suporte.”

Coletora participa de semeadura no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em Goiás. Foto: Dudu Coladetti/Acervo RSC

A pandemia gerou desafios e dificuldades para muitas organizações, que precisaram se reinventar. Para a Rede Sementes do Cerrado, 2020 foi o ano com melhores resultados na comercialização de sementes, segundo Camila Motta; dentre outros fatores, isso se deve ao avanço sobre a pauta da restauração: “O aumento da necessidade dos produtores rurais se adequarem ambientalmente, as empresas, o efeito dos cursos que fizemos, toda mobilização que o projeto faz com as parcerias. Todos esses fatores juntos estão refletindo na prática. Ano passado foram 30 negócios fechados”.

Capacitação com o Consórcio Cerrado das Águas

A capacitação de produtores rurais e a demanda por restauração através de sementes nativas propiciou a parceria com o Consórcio Cerrado das Águas (CCA). A Rede Sementes do Cerrado (RSC) forneceu sementes nativas para o CCA, e, em 2021, será realizada pelas duas organizações uma capacitação, à distância, para os produtores do município de Patrocínio (MG), sobre a coleta de sementes nativas e restauração. “Por meio desse curso vamos capacitar os produtores rurais no que tange à restauração”, afirma Camila Motta.

Conheça mais o trabalho da Rede de Sementes do Cerrado (RSC): https://www.rsc.org.br/

Baixe o calendário para orientar a coleta de sementes nativas incluindo árvores, arbustos, gramíneas e outras ervas do Cerrado. Todas as informações são regionais e específicas da Chapada dos Veadeiros (GO). A comercialização de sementes gera renda para mais de 60 famílias e ajuda a conservar o Cerrado!

 

 


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Flora rara do Cerrado foi tema de debate em Simpósio

por Luana Luizy, Assessoria de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil 

Árvore endêmica da região central de Minas Gerais, o faveiro-de-wilson encontra-se em risco de extinção. Dessa maneira, o Simpósio “Flora em Debate: Desafios na Conservação de Plantas Raras”, realizado no mês de dezembro, objetivou debater os desafios enfrentados na conservação da flora nativa do Brasil.

O evento surgiu como resultado de uma iniciativa de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em conjunto com a Prefeitura de Belo Horizonte e Instituto Prístino. Esta ação faz parte do projeto “Manejo e proteção do faveiro-de-wilson”, que tem o objetivo de aumentar a proteção ao faveiro e ao seu habitat por meio da implementação de ações do seu Plano de Ação Nacional (PAN). O projeto é executado pela Sociedade de Amigos da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte e conta com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Pesquisadores, professores, voluntários, parceiros e estudantes estiveram presentes, a fim de debaterem e divulgarem todo o conhecimento sobre o faveiro-de-wilson, principalmente no que se refere à sua conservação.

Faveiro-de-wilson (Dimorphandra wilsonii). Foto: ©Fernando Fernandes/Acervo SAFZBH

As três espécies discutidas no simpósio foram: faveiro-de-wilson (Dimorphandra wilsonii); faveiro-da-mata (Dimorphandra exaltata) e faveiro-do-campo (Dimorphandra mollis). “As três são muito importantes na alimentação da fauna. Anta, veado, paca e arara são algumas das espécies que comem suas favas (vagens). O gado bovino e equino também adora comê-las. E elas caem no chão no inverno quando os pastos estão muito secos. O faveiro-de-wilson e da mata são pouco estudados e estão em risco de extinção. Daí vem o nosso projeto de conservação e o simpósio”, afirma Fernando M. Fernandes, coordenador do Programa de Conservação do faveiro-de-wilson.

Sobre o faveiro

Faveiro ou faveira são nomes populares dados às plantas que dão frutos em forma de favas, as quais guardam as sementes. O fruto, isto é, a fava, também pode ser chamado de legume, vagem, bagem, bajeca, entre outros. Estas plantas – que podem ser árvores, arbustos, ervas ou trepadeiras – pertencem à família botânica Fabaceae, popularmente conhecida como família das leguminosas. Além dos faveiros, fazem parte dessa família centenas de espécies botânicas, como o jacarandá, a sucupira, o pau-brasil, a ervilha, a soja e o feijão.

Conheça mais sobre esse projeto com o IEB/CEPF Cerrado!


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Cacto raro e ameaçado de extinção é foco de projeto de conservação no Vale do Jequitinhonha, Itamarandiba, Minas Gerais

Hoje, no Dia Nacional do Cerrado (11/09), vamos conhecer uma planta rara natural da região do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, que está criticamente ameaçada devido à destruição de seu habitat por mineração e pela coleta ilegal e predatória para comércio de colecionadores. Ela pertence à família botânica Cactaceae, o cacto com o nome científico de Uebelmannia buiningii, Coroa de Ita, é encontrado numa área com cerca de 18,81 hectares localizada no município de Itamarandiba. Essa área é de transição entre os biomas da Mata Atlântica e o Cerrado e onde encontra-se uma das poucas unidades de conservação da região, o Parque Estadual Serra Negra – PESN. O local é considerado uma área-chave para a biodiversidade ou Key Biodiversity Area (KBA), repleto de espécies endêmicas. As KBAs são locais que “contribuem significativamente para a persistência mundial da biodiversidade”, por exemplo, por meio do apoio à conservação de espécies ameaçadas e espécies que tenham distribuições globais severamente restritas.

A planta vem sendo estudada desde 2012 por pesquisadores do Centro de Avaliação da Biodiversidade e Pesquisa e Conservação do Cerrado – CBC, do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), que vão a campo em busca de conhecimento sobre suas populações, de entendimento mais detalhado das características de seus habitats e de fatores que ameaçam a sua sobrevivência, os quais são divulgados em trabalhos científicos e ajudam a orientar os caminhos a serem trilhados para o manejo de suas populações na natureza.

Paisagem da região de Serra Negra, no Vale do Jequitinhonnha, em Itamarandiba. Foto: Washington Oliveira / Acervo pessoal

O Projeto “Ecologia e Recuperação de U. buiningii” conta desde 2019 com o apoio financeiro do Instituto Internacional de Educação do Brasil, através do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado) e com a gestão do Instituto Jurumi para a Conservação da Natureza em parceria com a Embrapa-Cenargen e o Parque Estadual Serra Negra. A bióloga e coordenadora do Projeto, Suelma Ribeiro explica que: “o foco principal, sem dúvida, é garantir a manutenção do cacto na natureza em longo prazo”. 

A planta encontra-se criticamente ameaçada, segundo a lista nacional e internacional de espécies da flora ameaçada de extinção, devido à destruição de seu habitat e retirada ilegal de seus indivíduos. Porém, outras ameaças foram identificadas com os estudos realizados em 2019. Segundo o biólogo Washington Oliveira, integrante da equipe: “a pesquisa realizada no ano passado indicou que a planta exótica invasora conhecida como capim-gordura (Melinis minutiflora) foi encontrada em todas as áreas de ocorrência do cacto e afeta negativamente a sua abundância”.

O cacto que vive exclusivamente numa faixa entre 900 e 1350 m de altitude, é polinizado por abelhas, mede cerca de 6 cm de altura e vive em associação com outros arbustos e rochas, especialmente embaixo de outras espécies endêmicas de bromélias e velózias, também conhecidas como canela-de-ema. Essa associação favorece uma maior abundância do cacto, atenuando a radiação solar excessiva por meio do sombreamento, que deixa o ambiente mais úmido, reduzindo os efeitos negativos da alta temperatura do local, tornando esses locais apropriados para a germinação de sementes. De acordo com Suelma Ribeiro, “esses ambientes funcionam como um microecossistema que devem ser protegidos para garantir a manutenção dos indivíduos de Uebelmannia buiningii.

Coroa de Ita. Foto: Washington Oliveira/Acervo pessoal

No entanto, a maior parte das populações do cacto vivem fora do PESN, com quatro pequenas populações situadas em propriedades particulares, o que exige açōes urgentes de proteção e de sensibilização. Nesse sentido, o projeto também atua com iniciativas de educação ambiental já desenvolvidas pela equipe do Parque, estimulando açōes que sensibilizam crianças e jovens das comunidades locais. O gerente do PESN, Wanderlei Pimenta comenta que: “a redefinição dos limites do Parque, a criação de reservas particulares do patrimônio natural – RPPN e a intensificação de açōes de educação ambiental na região são fundamentais para a proteção da planta e dos ecossistemas da unidade”.

O manejo das populações do cacto nos campos rupestres da Serra Negra exige a adoção de estratégias de manejo adptativo que favoreçam a redução dos impactos sobre os poucos indivíduos que restam na natureza. Assim, é essencial garantir a manutenção das interaçōes ecológicas e a proteção de seus habitats. De acordo com Suelma Ribeiro, essa abordagem servirá também para beneficiar outras espécies ameaçadas de extinção que ocorrem no território e explica: “a implementação dessas estratégias de manejo será o próximo passo a ser trilhado pelo projeto, mas que irá exigir o fortalecimento das parcerias atuais bem como a sua ampliação para, assim, salvarmos juntos esse cacto da extinção”.

 

Mais informações podem ser acessadas nos seguintes sites: 

Instituto Jurumi: https://bio.institutojurumi.org.br/atividades/projeto/cacto    

CEPF Cerrado: http://cepfcerrado.iieb.org.br/projetos/ecologia-e-recuperacao-de-uebelmannia-buiningii-donald-cactaceae/

CBC/ICMBio:  https://www.icmbio.gov.br/cbc/acoes-de-pequisa-e-conservacao/manejo-para-conservacao-da-biodiversidade-em-ucs.html 

Parque Estadual Serra Negra: https://www.facebook.com/parqueserranegra/    


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Simpósio “Flora em Debate” acontece em março na cidade de Belo Horizonte

Acontece no dia 19 de março, em Belo Horizonte, o Simpósio “Desafios na conservação de plantas raras. O caso das espécies de Dimorphandra”.  Este simpósio é uma das ações do Plano de Ação Nacional para conservação do faveiro-de-wilson, uma espécie de árvore rara e endêmica de Minas Gerais, ameaçada de extinção.

O simpósio é também parte integrante do Projeto “Manejo e Proteção do faveiro-de-Wilson (Dimorphandra wilsonii)”, que conta com apoio do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos e Instituto Internacional de Educação do Brasil. No evento, especialistas e colaboradores que trabalham com esta espécie, bem como com outra espécie de árvore igualmente rara na região, o faveiro-da-mata, mostrarão os últimos avanços na pesquisa e conservação destas espécies, bem como debaterão os caminhos a seguir.

O projeto “Manejo e Proteção do faveiro-de-wilson” é executado pela Sociedade de Amigos da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte e teve início em novembro de 2017 e conta com várias ações em andamento, dentre elas encontros, capacitações e visitas às áreas de ocorrência da espécie, atuando em uma extensão de 5.215 km², onde estão os 18 municípios de ocorrência do faveiro. Saiba mais sobre as ações do projeto!

Se você tem interesse em participar do simpósio, entre no site e faça sua inscrição.

https://floraemdebate.wixsite.com/floraemdebate

Confira a programação!


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.