Já está disponível o podcast Fala Cumade, uma série construída a partir de vozes de quem vive, trabalha e cuida do Cerrado nos territórios apoiados pelo CEPF Cerrado.
A série nasce a partir de entrevistas em campo, registros sonoros e recortes de produções audiovisuais realizadas durante o segundo ciclo de investimentos do programa. A proposta é organizar essas vozes em uma escuta contínua, conectando experiências que, embora diversas, enfrentam desafios comuns e constroem soluções a partir do território.
Com apresentação da poeta Lília Diniz, o episódio piloto apresenta o contexto de atuação do IEB e do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) no hotspot Cerrado e o papel das organizações da sociedade civil na conservação da biodiversidade, a partir das falas de Aryanne Amaral, coordenadora da Equipe de Implementação Regional do CEPF Cerrado no IEB, e Cláudia Sachetto, Gerente de Subvenções do programa. A conversa evidencia que as estratégias de conservação dependem da articulação entre redes locais, conhecimento técnico e protagonismo comunitário.
Essa perspectiva se aprofunda no primeiro episódio, que percorre terras indígenas no Maranhão e no Tocantins. A partir das vozes de Silvia Krikati e Ana Cleice Iunpen Krikati, da Terra Indígena Krikati, de Diana Dias Apinajé, da Terra Indígena Apinajé, e de Nayane Januário, do Centro de Trabalho Indigenista, o episódio aborda educação e território como dimensões inseparáveis da conservação. Formar jovens, fortalecer a cultura e garantir a permanência aparecem como práticas centrais para a proteção ambiental.
Nos episódios seguintes, a série amplia o olhar para diferentes frentes de atuação. Na Chapada dos Veadeiros e no território Kalunga, localizados em Goiás, as experiências de Flávia Cantal, do Instituto Pouso Alto, Marta Kalunga, liderança local, Helena, engenheira florestal do projeto Rio Almas Vivo, e Ana Isabel, proprietária de uma RPPN, mostram como a restauração ambiental se concretiza na recuperação de nascentes e no fortalecimento de áreas protegidas.
A conservação de espécies ameaçadas, tema do terceiro episódio, é apresentada a partir das contribuições de Gislaine Disconzi, do Instituto Pato-Mergulhão, e Paula Lima, da Cooperativa Central do Cerrado. As falas conectam a proteção da biodiversidade aos modos de vida e às cadeias produtivas, evidenciando a relação entre conservação e sociobiodiversidade.
No episódio dedicado às economias do Cerrado, experiências em Minas Gerais ganham forma nas vozes de Daya Gloor Vellasco, do Armazém Raízes do Campo, Geralda, agricultora associada à Amanu, Clara, jovem trabalhadora do armazém, Tatinha, da Associação Serra Viva das Apanhadoras de Flores, e Ilda, apanhadora de flores sempre-vivas. Juntas, elas mostram como produção e conservação caminham articuladas à autonomia e à permanência no território.
A organização social ganha centralidade no episódio seguinte, com falas de Natália, da associação Angá, Thamilis, presidenta da Cooperfrutos do Paraíso, e Gleidane Souza, da Associação Serra Viva das Apanhadoras de Flores. As experiências indicam que a atuação em rede amplia o alcance das ações e fortalece a capacidade de incidência das comunidades.
Encerrando a série, o episódio sobre recursos hídricos acompanha o cotidiano de Lidejane Lopes de Oliveira e Maria Ribeiro Basílio, extrativistas e agricultoras da região do Cantão, no Tocantins. A relação com os rios estrutura a vida local e evidencia a importância do Cerrado como sistema que sustenta diferentes biomas, conectando produção, cultura e sobrevivência.
Ao longo dos episódios, o podcast evidencia que a conservação no Cerrado está diretamente ligada às pessoas que vivem no território. As experiências reunidas mostram que soluções consistentes surgem da combinação entre conhecimento local, organização coletiva e apoio a iniciativas de base comunitária.
O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, da União Europeia, da Fundação Franklinia, da Fundação Hans Wilsdorf, do Fundo Global para o Meio Ambiente, do Governo do Canadá, do Governo do Japão, da Fundação Hempel, The Nature Conservancy e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.






