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Consórcio quer ampliar projeto de combate às mudanças climáticas de café em MG

Lavoura de Café no Cerrado Mineiro, região onde está o município de Patrocínio (Foto: Federação dos Cafeicultores do Cerrado)

Programa é realizado no município de Patrocínio, mas a intenção é levar para pelo menos outras seis localidades

via Globo Rural

O Consórcio Cerrado das Águas, plataforma colaborativa que prevê restaurar áreas rurais para preservar e conservar o meio ambiente, pretende expandir projeto nas lavouras de café do Triângulo Mineiro contra impactos provocados pela mudança climática, como a estiagem. Atualmente, o programa funciona no município de Patrocínio, na bacia do Córrego Feio. Até 2023, a estratégia é expandir para Serra do Salitre, Monte Carmelo, Rio Paranaíba, Carmo do Paranaíba, Araguari e Coromandel.

Juntos, esses municípios respondem por cerca de 70% da produção de café no Cerrado Mineiro, informa o consórcio, em comunicado. A ideia é formar corredores ecológicos e alavancar os ganhos de biodiversidade da região. Outra atividade do Consórcio, apoiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), é o Programa de Investimento no Produtor Consciente.

A iniciativa, lançada em janeiro de 2020, também no município de Patrocínio, envolve o diagnóstico das áreas, a agricultura baseada no clima e a gestão eficiente dos recursos hídricos. A ideia é que esse gerenciamento assegure o abastecimento da produção de café mesmo em momentos de escassez, informa a bióloga e secretária executiva do Consórcio Cerrado das Águas, Fabiane Sebaio Almeida.

O consórcio oferece consultoria especializada e baseada em metodologias sustentáveis para os moradores locais da região. Desse modo, eles planejam o manejo adequado para controlar o fogo, enriquecem vegetações nativas e recuperam solos degradados, entre outras atividades de preservação.

O CEPF existe há 21 anos e, no Brasil, atua com o apoio do IEB. Atualmente, em todo o mundo, o CEPF apoia cerca de dez hotspots, e financiou, ao longo de sua trajetória, cerca de 2.600 projetos. A atuação do CEPF tem apoio da Agência Francesa para o Desenvolvimento, a Conservação Internacional, a União Europeia, o Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), o governo do Japão e o Banco Mundial.

Acesse a matéria no site do Globo Rural.

Projeto investe na restauração da vegetação nativa e gestão de recursos hídricos na cadeia do café no Cerrado mineiro

Em Minas Gerais, iniciativa envolve diferentes atores para promover paisagens sustentáveis e a conservação de vegetação nativa

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Companheiro que faz parte do cotidiano de milhares pessoas no mundo todo, o café é um produto de forte expressão na cultura mundial. No Brasil, o estado de Minas Gerais se destaca na produção desse grão, sendo, hoje, um dos maiores exportadores internacionais. Assim, a atividade cafeeira precisa ser desenvolvida com equilíbrio ambiental entre a fauna e a flora.

Dessa maneira, de nada adianta a produção do café sem pensar na sustentabilidade, já que esse produto exige um equilíbrio entre uma série de fatores ambientais, os quais perpassam um solo rico em nutrientes e forte irrigação para o cultivo desse grão. As ameaças climáticas representam hoje uma ameaça para o seu cultivo.

Com base nisso, o Consórcio Cerrado das Águas (CCA) surgiu em 2019, com o objetivo de envolver diferentes atores da cadeia produtiva do café numa plataforma colaborativa para restaurar a vegetação nativa e monitorar a qualidade da água dos rios e solos, a fim de garantir a produção sustentável de café e a gestão eficiente dos recursos hídricos na região do triângulo mineiro. Representantes de cooperativas, ONGs e grandes empresas, tais como a Nespresso, e a Lavazza, participam do Consórcio.

O objetivo da união desses diferentes atores foi o de assegurar a resiliência às mudanças climáticas que interferem nas bacias hidrográficas, restaurar a provisão de serviços ecossistêmicos, a partir do fortalecimento de corredores ecológicos“áreas que unem fragmentos de vegetação nativa ou áreas protegidas que estão separadas por interferência humana”[1] –, e promover impactos positivos no Cerrado mineiro.

Produtores rurais realizam restauração de área degradada na região do Córrego Feio em Minas Gerais. Foto: Acervo CCA

O produtor rural, Ricardo Bartholo, um dos beneficiários do projeto do CCA, comenta que a iniciativa fortalece a disponibilidade de água no Córrego Feio – manancial que abastece a população e também é usado para as atividades agropecuárias no município de Patrocínio, em Minas Gerais.

“O Consórcio veio trazer uma visão mais objetiva para nós produtores. É ótimo ver as grandes empresas atentas a sustentabilidade na produção do café. Eu tenho convicção de que nós teremos um aumento do manancial de água. Com isso posso utilizar mais água para irrigar a minha plantação de café, pois hoje tenho uma limitação da quantidade que posso extrair”, afirma.

Dentro da plataforma, as empresas da cadeia produtiva de café se comprometem a doar um aporte financeiro para a manutenção e o investimento das atividades de restauração da bacia hidrográfica. “A gente olha para a vegetação nativa, os recursos hídricos, a quantidade de água dentro das bacias, as paisagens conectadas, o envolvimento e as conexão dos produtores, o engajamento institucional e a comunidade local dentro dessa plataforma colaborativa que é o CCA”, explica Fabiane Sebaio, diretora-executiva do Consórcio Cerrado das Águas.

Investir no produtor

A atenção ao pequeno produtor também é um dos eixos de ação do Consórcio Cerrado das Águas, por meio do Programa de Investimento do Produtor Consciente (PIPC). “Esse programa começa com um contato com os produtores, para gente falar o que é o Consórcio; explicamos que a propriedade deles faz parte da bacia hidrográfica, o conceito da mesma, fazemos um diagnóstico e uma visita na propriedade dos produtores, também sugerimos se podemos investir em seu território, elaboramos um plano; a partir dele, marcamos uma oficina, onde discutimos com os processos”, diz Fabiane Sebaio.

O objetivo central do PIPC é estabelecer e implementar uma estratégia para restaurar a prestação de serviços ecossistêmicos na bacia, a longo prazo, através de um processo de envolvimento efetivo com produtores e atores locais.  A maior preocupação do programa são as áreas de vegetação nativa, esclarece Fabiane: “Precisamos fazer o produtor entender que a sua propriedade está dentro da bacia e que toda e qualquer mobilização em prol da restauração e da qualidade de água da bacia é importantíssima. A gente considera o engajamento do produtor muito importante nesse processo. Onde eu preciso restaurar para ter uma efetividade nesse processo?”.

Pato-Mergulhão: ave aquática ameaçada de extinção. Foto: André Dib / Acervo Projeto Pato-Mergulhão

A meta do programa foi a de atingir 100 hectares, em sete municípios no Cerrado mineiro; uma das áreas escolhidas, a bacia do Córrego Feio em Patrocínio, é onde se encontra o pato-mergulhão, uma ave nativa do Cerrado ameaçada de extinção, que depende de ambientes aquáticos extremamente conservados para a sua sobrevivência.

Parceria com o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos

O Consórcio do Cerrado das Águas conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) para ser executado, mas a grandeza do projeto lançou um desafio: o de promover a adoção das melhores práticas em agricultura no Cerrado de Minas Gerais e reunir empresas concorrentes da cadeia do café, todos em prol do mesmo interesse – a conservação de áreas nativas e dos recursos hídricos do Cerrado.

No entanto, todo o recurso investido não se limitou apenas à restauração, mas também ao diálogo com o produtor, ao desenvolvimento de um aplicativo que mapeia áreas degradadas, o esforço de reunir empresas concorrentes da cadeia do café. Assim, o recurso do CEPF e o apoio do IEB foram fundamentais no processo de construção da metodologia da equipe e do investimento nas propriedades.

“Nesse cenário de engajamento do produtor, é o maior legado com o projeto fazer esse movimento para que o produtor cuide mais da sua propriedade, para que haja uma mudança de mentalidade sobre o que é uma fazenda sustentável, como eu proporciono resiliência climática, o entendimento de que o clima reúne uma série de fatores e de que a lavoura desses produtores proporciona restauração”, explana Fabiane Sebaio.

Saiba mais sobre o Consórcio Cerrado das Águas: http://cerradodasaguas.org.br/

[1] “O que são Corredores Ecológicos”. Dicionário Ambiental. ((o))eco, Rio de Janeiro, ago. 2014. Disponível em: <https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28538-o-que-sao-corredores-ecologicos/>


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Encontro online vai debater produção sustentável do café

Por Bárbara Ferragini – Jornalismo Ambiental/Social Media

Acontece no dia 24 de novembro, às 16h (horário de Brasília), a live “Território do Café – RPPN e Econegócios”. Organizado pelo projeto Reservas Privadas do Cerrado, que conta com apoio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos e Instituto Internacional de Educação do Brasil, o evento destaca a importância da produção sustentável de uma das grandes commodities da produção brasileira, o café. Um produto consumido mundialmente e que nos últimos anos tem conquistado um público cada vez mais exigente, que busca qualidade e que valoriza marcas que se preocupam em minimizar os impactos ambientais. O segmento cafeeiro, por sua vez, tem trabalhado para atender essas novas demandas e oportunidades de mercado, com base nos princípios da sustentabilidade.

Na ocasião, participam do encontro os palestrantes:

– Ricardo Bartholo: Produtor de café da região de Patrocínio – MG. Participante doPrograma de Investimento no Produtor Consciente do Consórcio das Águas do Cerrado (CCA), foi convidado para falar da sua produção de café com os preceitos da produção orgânica e sustentável.

– Sebastião Alves: Produtor de café, proprietário de RPPN, Ex Diretor da associação de RPPNs do ES, Ex Diretor da CNRPPN. Compartilhará sua experiência com a criação da RPPN Remy Alves e seu benefício para a sua produção cafeeira.

– Graco Dias: Engenheiro Ambiental, conselheiro do Consórcio das Águas (CCA), trabalha no Departamento de Responsabilidade Socioambiental da Cooxupé. Graco Dias foi convidado para falar do CCA e da participação da Cooxupé na cooperação com os produtores de café com relação à produção sustentável.

– Andreia Roque: Expert em Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural. Atua em projetos estratégicos voltados para Turismo Rural, Sustentabilidade e Responsabilidade Ambiental em RPPNs. Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutoranda em Saúde e Ambiente UNIT. Andreia Roque vai tratar de cases de Sustentabilidade com Produção Rural (café, entre outros).

– Laércio Machado de Sousa: Administrador de Empresas, Consultor da Jataí Capital e Conservação. Foi presidente da REPAMS (Associação de RPPNs do MS) e da CNRPPN. Atualmente é o coordenador do Projeto Reservas Privadas do Cerrado, FUNATURA – IEB – CEPF. Laércio será o moderador do evento.

Anote na agenda

A live será transmitida no dia 24 de novembro, às 16h (horário de Brasília) pelo canal do Youtube do Reservas Privadas do Cerrado (ative o lembrete).

Reservas Privadas do Cerrado – Trata-se de uma iniciativa que visa promover a conservação dos recursos naturais por meio do incentivo à criação, expansão e gestão eficaz das Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPNs) em um dos biomas mais ameaçados do Brasil. O projeto é executado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura) e conta com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Mais informações podem ser obtidas nas redes sociais do projeto (@reservasdocerrado) ou no site http://reservasprivadasdocerrado.com.br.

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundo Global para o Meio Ambiente, do Governo do Japão, e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade

O IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) é uma associação brasileira sem fins econômicos e se destaca no cenário nacional por dedicar-se a formar e capacitar pessoas e fortalecer organizações nos diversos aspectos e temas relacionados ao meio ambiente, desenvolvimento e à sustentabilidade.

Sobre o Consórcio Cerrado das Águas
Criado em 2014, em Patrocínio – MG, o Consórcio Cerrado das Águas tem como objetivo conscientizar produtores da região sobre a importância de seus ativos ambientais por meio do diagnóstico e investimento nos mesmos, garantindo sua preservação a longo prazo. Em 2019, o projeto piloto recebeu do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF) o valor de US$400 mil para implementar o programa que irá promover, inicialmente, o investimento e a proteção dos ecossistemas naturais encontrados em mais de 100 propriedades ao longo da bacia do Córrego Feio. A quantia é o maior subsídio já concedido pelo CEPF, que conta com exigentes doadores como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), União Europeia, Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), Governo do Japão e Banco Mundial.
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Começa o projeto “Monitoramento da qualidade em multiescala na bacia do Rio São Lourenço” em Mato Grosso

 

 

¹A bacia do Rio São Lourenço possui uma área de cerca de 22.000 km² e consiste em uma das principais formadoras do Pantanal de Mato Grosso, integrando a região hidrográfica do Rio Paraguai. Além disso, possui trechos que compõem o corredor ecológico Cerrado-Pantanal e é formada, em sua maior parte, por áreas-chave para a biodiversidade (KBAs).

Estação climatológica na bacia do Rio São Lourenço. Foto: ©Acervo Departamento de Geografia (GEO-UFMT)

¹Originariamente a bacia era coberta por formações vegetacionais do Cerrado. No entanto, a partir dos anos 60, intensas transformações no uso e ocupação da terra ocorreram na região, e áreas agrícolas para cultivo de commodities, pastagem e ocupação urbana foram ocupando o espaço. Neste tempo, o município de Rondonópolis se desenvolveu como um dos mais populosos e industrializados de Mato Grosso. A região possui atividades de mineração (areia, cascalho e ouro) nas suas cabeceiras, atividades turísticas relevantes em alguns dos seus afluentes (complexo Cachoeira de Fumaça, município de Jaciara), possui 10 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em operação, cujas influências sobre as funções ecológicas do próprio bioma e sobre a planície do Pantanal são pouco conhecidas.

Apresentação do projeto a comunidade. Foto: ©Acervo Departamento de Geografia (GEO-UFMT)

¹A bacia hidrográfica é formada pela atuação de diferentes atores sociais, dentre os quais destacam-se os camponeses, indígenas e pescadores. Os camponeses somam aproximadamente 2,8 mil famílias e distribuem-se em 38 assentamentos. Já os quase mil indígenas pertencem ao povo Bororo e situam-se em duas Terras Indígenas (T.I. Tadarimana e T.I. Jarudore). Os pescadores encontram-se organizados pela Federação dos Pescadores e Aquicultores do Estado de Mato Grosso (Fepesc) e pela Colônia Z-3 (Rondonópolis), totalizando mais de 150 famílias.

O trabalho é executado pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)/Fundação UNISELVA e até dezembro de 2020 o projeto “Monitoramento da qualidade em multiescala na bacia do Rio São Lourenço, Mato Grosso”, que tem apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund  CEPF Cerrado) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), irá:

  • Identificar padrões espaço-temporais da qualidade de água na bacia hidrográfica do Rio São Lourenço
  • Desenvolver um aplicativo para telefones móveis (SIG-Participativo) que possibilite a divulgação de informações relativas aos recursos hídricos, e que reforce a interação entre, e com a participação de, atores sociais interessados nas diferentes formas de uso da água na bacia.
  • Elaborar diagnósticos participativos sobre a situação/relação das comunidades que afetam e são afetadas pelos múltiplos usos do Recursos Hídricos, buscando um entendimento dos conflitos existentes em relação ao uso e gestão dos RH.

O grande objetivo deste projeto é monitorar e modelar a qualidade de água em múltiplas escalas na bacia do Rio São Lourenço. A disponibilização desses dados a partir de um SIG participativo, junto com trabalhos em comunidades na bacia, vai empoderar e permitir a participação direta de grupos sociais no monitoramento das condições e a gestão dos recursos hídricos na bacia.


¹Fonte: texto adaptado da proposta original do projeto “Monitoramento da qualidade em multiescala na bacia do Rio São Lourenço, Mato Grosso”

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Promoção da governança e conservação dos recursos hídricos no Cerrado

A principal ameaça à biodiversidade do Cerrado é o desmatamento. E a maior parte da cobertura vegetal original ainda restante tem sido alvo de vários tipos de interferência. Nas últimas cinco décadas, o bioma tem sido a principal área de expansão agrícola e consolidação do agronegócio brasileiro, levando à perda de metade da cobertura vegetal original deste hotspot – ecossistema único e ameaçado. Nesta conjuntura, o Cerrado que é considerado um dos biomas mais ameaçados do nosso planeta, ilustra muito bem os desafios e oportunidades de conciliar desenvolvimento econômico com conservação dos ecossistemas terrestres e aquáticos.

Neste artigo intitulado “Promoção da governança e conservação dos recursos hídricos no Cerrado”, que foi publicado na revista científica Conservation Science and Practice, os pesquisadores de Singapura, Estados Unidos, Brasil e Alemanha avaliaram o estado da arte e apresentaram novas informações sobre os impactos da expansão agrícola, represas e uso da água no Cerrado. A partir destas informações, o grupo fez recomendações para o manejo, conservação e restauração das bacias hidrográficas e ecossistemas do Cerrado que estão diretamente relacionados à água.

Leia o artigo na íntegra aqui.

De acordo com os pesquisadores, “a conservação do Cerrado exige, não apenas a conservação de remanescentes de sua vegetação, mas também a capacidade de manter a funcionalidade hidrogeomorfológica e ecológica de seus rios, particularmente o rio Araguaia, o último grande sistema bem preservado”. O grupo conclui seu trabalho ressaltando que se mantivermos este modelo usual de desenvolvimento no Cerrado, que já vem sendo implementado há décadas, os ecossistemas ribeirinhos do bioma possivelmente nunca se reestruturem novamente.

Rio Carinhanha no entorno do Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Foto: ©Germano Neto/Acervo FUNATURA

Um dos autores deste trabalho e pesquisador da Universidade Federal de Goiás, Dr. Manuel Ferreira, vem trabalhando com uma equipe de pesquisadores e instituições da sociedade civil no projeto “Plataforma de Conhecimento do Cerrado”. O projeto é executado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) e conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e visa compartilhar dados, informações e conhecimento entre as várias partes interessadas no Cerrado e empoderar a sociedade civil, por meio de informações confiáveis e ferramentas de monitoramento dos ecossistemas do Cerrado.

Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) está vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). As suas atividades foram iniciadas em 1994 e contribuíram desde então com a elaboração de diversas monografias, dissertações e teses, além da oferta de disciplinas de sensoriamento remoto, cartografia digital e sistemas de informações geográficas. Em 2010, deram início aos “Geocursos”, um projeto de extensão que oferta cursos de curta e média duração no âmbito das geotecnologias, oferecidos para a comunidade em geral. A pesquisa configura‐se como uma importante frente de atuação com vistas à produção e/ou organização de dados geográficos e documentais voltados ao monitoramento territorial e ambiental dos biomas brasileiros e respectivas paisagens naturais e antrópicas.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Equipe do projeto “Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão” registra espécie no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás

por Gislaine Disconzi, Instituto Amada Terra

Rio Preto, Goiás. Foto: Acervo IAT

O projeto Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão no Corredor Veadeiros – Pouso Alto – Kalunga, que é executado pelo Instituto Amada Terra, e conta com apoio do Fundo de Parceria para  Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Funde Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), realizou expedição a campo neste mês de abril no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás onde avistou OITO INDIVÍDUOS da espécie (Mergus octosetaceus).

O projeto tem realizado uma série de descidas de rios embarcado, na busca da  melhoria da informação sobre a presença do pato-mergulhão na região. A espécie é considerada uma das mais ameaçadas das Américas e foi declarado o Embaixador das Águas Continentais Brasileiras. Nos dias 2 e 3 de abril, uma equipe composta por cinco pessoas, sendo três profissionais de canoagem, o coordenador técnico de campo do projeto e o coordenador de uso público do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, percorreram aproximadamente 40 km do Rio Preto em busca de indivíduos da espécie. Está é a primeira de diversas ações a serem realizadas dentro de uma estratégia de proteção dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no estado de Goiás.

Equipe em expedição ao rio Preto. Foto: Acervo IAT

Equipe em campo: Wellinton de França Lima; Carlos Alexandre Xavier; Guilherme Predebon (Consultor de Campo Embarcado); Fernando H. Previdente (Coordenador de Campo) e André Ribeiro (Coordenador de uso público do PNCV).

Veja mais notícias sobre a expedição no site do ICMBio, no Conexão Planeta e nas redes sociais!

Assista o vídeo que registra a presença do pato-mergulhão durante a expedição da equipe ao rio Preto!


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Evento na Câmara dos Deputados celebra o Dia Nacional do Cerrado

Com o objetivo de celebrar o Dia Nacional do Cerrado (11/09), destacando sua importância para a questão dos recursos hídricos no Brasil, o Núcleo de Gestão Socioambiental (EcoCâmara) em parceria com outras instituições irá realizar o Seminário “Dia Nacional do Cerrado – O BERÇO DAS ÁGUAS DO BRASIL PEDE SOCORRO”. O evento conta com conta apresentações culturais, palestras, debates e exposições e será realizado na Câmara dos Deputados em Brasília.

A programação do evento está disponível no Facebook e no site da Câmara dos Deputados.

 Auditório Nereu Ramos
 11/09/2017
Horário: 13:00 às 19:00

Seca atinge o Rio Paranã em Goiás

Semana passada o veículo de comunicação “Lance Goiás” divulgou vídeos e imagens da seca que atingiu o Rio Paranã no município de Flores de Goiás (GO).

De acordo com as informações veiculadas, as comportas foram fechadas na terça-feira (22/08) e o rio secou em vários pontos, o que levou vários peixes à morte e prejudicou os moradores da região. Os relatos no site apontam que o fechamento das comportas foi realizado pelo governo municipal, no intuito de realizar trabalhos de georreferenciamento, mas que as mesmas seriam reabertas no dia 25/08.

O Rio Paranã banha os estados de Goiás e Tocantins e nasce próximo ao Distrito Federal, na região do município de Formosa. Ao chegar no estado do Tocantins, junta-se ao Rio Maranhão e forma o Rio Tocantins. Atualmente, muitas das nascentes do Rio Paranã encontram-se em estado avançado de degradação, devido ao desmatamento das Áreas de Preservação Permanente (APPs).

A reportagem completa pode ser acessada neste link.

Seca no Rio Paranã (GO), foto retirada do site Lance Goiás. Fonte: http://lancegoias.com.br/2017/08/25/rio-parana-seca-em-varios-pontos-em-flores-de-goias/