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Confira receitas fáceis e práticas com a castanha de baru

 

 

Brigadeiro de baru. Foto: Lula Lopes/Acervo Cajuí Comunicação Digital

Brigadeiro de baru 

Pela chef Eliane Regis 

Ingredientes

​400g de leite condensado 

200g de creme de leite fresco 

3 colheres (sopa) de farinha de baru 

2 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente 

Farinha de castanha de baru para polvilhar os brigadeiros 

Manteiga para untar

Modo de preparo

Farinha de baru 

Para ser transformada em farinha, a castanha de baru deve estar torrada. Retire a casca e bata as amêndoas no liquidificador ou processador. 

Brigadeiro

Em uma panela, coloque o leite condensado, a farinha de baru, o creme de leite e a manteiga. Misture bem e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até desprender do fundo da panela por cerca de 10 minutos. Retire-o do fogo, transfira o conteúdo para um prato untado com manteiga e deixe esfriar. Unte as mãos com manteiga, faça esferas e finalize com a farinha de baru.

Paçoca de baru. Foto: Raimundo Sampaio/Acervo Cajuí Comunicação Digital

Paçoca de baru

Por Pitadas de Cerrado 

Ingredientes

80g de castanha-de-baru

20g de farinha de mandioca

40g de mel

10g de água

Modo de preparo

Bata a castanha-de-baru sem casca no liquidificador até transformá-la em farinha. Reserve. Em seguida, bata a farinha de mandioca no liquidificador até que atinja consistência bem fina. Reserve.

Misture as duas farinhas com o mel e água até virar uma mistura homogênea. Reserve 5g da mistura para finalização. Faça bolinhas de 10g (como se fossem brigadeiros) e passe-as nessa mistura. Se desejar ela mais soltinha, passe-a numa peneira (como na foto).

Pé de moleque de baru. Foto: Thamirys Andrade/Acervo Cajuí Comunicação Digital

Pé-de-moleque de baru 

Por Thamyris Andrade

Ingredientes

. 300g (2 xícaras) de açúcar 

. 600ml (6 colheres de sopa) de água 

. Castanha-de-baru torrada e levemente picada 

Modo de preparo 

Leve ao fogo a água e o açúcar em uma panela. Mexa a mistura até caramelizar e alcançar o ponto de fio. Acrescente a castanha e mexa bem para incorporá-la à calda Despeje a mistura sobre a pedra de mármore (ou forma de alumínio). Espere esfriar por 1 minuto e corte o doce em quadradinhos. 

 

Kalungas usam mapeamento digital para defender seu território

por  em 25 Março 2021 | Traduzido por Carol De Marchi e André Cherri via Mongabay Brasil

 

  • Pela primeira vez em 300 anos, o maior quilombo remanescente do Brasil mapeou a ocupação e os recursos naturais de seu território por meio de georreferenciamento.
  • Apenas metade do território Kalunga foi oficialmente titulado; o restante vive à mercê de garimpeiros e grileiros – o mapeamento digital irá ajudar a comunidade a reconhecer as áreas sujeitas a invasões.
  • Em fevereiro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente reconheceu o território Kalunga como o primeiro do Brasil a integrar a rede de Territórios e Áreas Conservados por Comunidades Indígenas e Locais (TICCA).

 

Pela primeira vez em 300 anos, o maior quilombo remanescente do Brasil conhece cada centímetro de seu território. Graças a um projeto inédito de georreferenciamento, os Kalungas puderam mapear a ocupação, os recursos naturais, as melhores terras para cultivo e as áreas sob ameaça de invasões dos 262 mil hectares da área onde vivem, no norte de Goiás.

Dirani Francisco Maia, da comunidade de Vão de Almas, com sua colheita de arroz. Foto : Sergio Amaral/MDS

Situado próximo ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga ocupa um trecho de Cerrado conhecido por sua grande biodiversidade e sua abundância de recursos naturais — o território Kalunga possui nada menos que 879 nascentes, cuja maioria desagua no Rio Paranã, um dos afluentes do Rio Tocantins.

“Agora temos uma ferramenta importante para a gestão e proteção de nosso território. Ela nos ajudará a planejar nosso futuro”, diz Jorge Oliveira, presidente da Associação Quilombola Kalunga (AQK).

Os Kalungas tiveram suas terras oficialmente reconhecidas como território quilombola em 1996, mas apenas 55,3% da área foram titulados até agora. Isso abre espaço para que o restante do quilombo seja invadido por garimpeiros em busca de ouro e pedras semi-preciosas e por grileiros, que vêm limpando ilegalmente a vegetação nativa para cultivar nas terras Kalunga.

Líderes comunitários afirmam que os grileiros frequentemente registram um terreno de 5 hectares fora do território e depois usam esta base legal para criar uma fazenda de 700 hectares, grande parte dela invadindo o quilombo.

Mapear para conhecer e proteger

Para saber quais terras poderiam ser utilizadas para agricultura e quais precisariam de proteção para se defender contra invasões atuais e futuras, os Kalungas realizaram o registro e a classificação adequada de seus recursos via georreferenciamento — ou mapeamento digital. A prática consiste no uso de imagens aéreas para mapear uma grande variedade de características do solo com extrema precisão utilizando um sistema de coordenadas geográficas.

Extremamente cara devido ao tamanho do território, a perspectiva de ajuda para o mapeamento ficou ainda mais desanimadora com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, que vem expressando hostilidade em relação ao povo quilombola desde antes da eleição para a presidência, argumentando que “nem para procriador ele serve mais”.

Antes da eleição de Bolsonaro, os Kalungas receberam um importante subsídio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF), que é apoiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento, a Conservação Internacional, a União Europeia, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente, o governo do Japão e o Banco Mundial. O CEPF, criado em 2000, tem como objetivo a promoção da conservação de áreas biológicas de alta prioridade. Em 2018, o projeto de georreferenciamnto da Associação Quilombola Kalunga (AQK) foi selecionado para o programa, tornando-se um das 60 propostas do gênero no Cerrado.

O mapeamento digital permitiu aos Kalungas traçarem com precisão a abundância de nascentes em seu território. Fonte: AQK.

A diretora de subsídios do CEPF, Peggy Poncelet, explica por que a AQK foi selecionada: “É muito difícil para as comunidades tradicionais obterem o reconhecimento de seus territórios, deixando-as vulneráveis à apropriação de terras. E porque esta comunidade está comprometida com a conservação da incrível biodiversidade encontrada em suas terras, foi importante para o CEPF fornecer-lhes os meios para seguir fazendo exatamente isso”.

Munidos de equipamentos e suporte técnico, os Kalungas realizaram um georreferenciamento detalhado de todo o seu território entre 2019 e 2021. Graças ao mapeamento digital, agora eles sabem exatamente onde vivem as 1.600 famílias da área, o que produzem, se têm acesso à eletricidade, o grau de preservação dos recursos hídricos e do solo da comunidade, que tipo de agricultura é adequada à terra, e muito mais.

O CEPF também financia os Kalungas em seus esforços educacionais, construindo uma consciência ambiental na região, particularmente no que diz respeito às 19 espécies ameaçadas da fauna e da flora que se encontram no território. Entre elas estão a Griffinia nocturna, planta que floresce à noite, e duas aves: o jacu-de-barriga-castanha (Penelope ochrogaster) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus).

Onda de invasões

Os Kalungas esperam que o projeto de georreferenciamento sirva como uma ferramenta valiosa para ajudá-los a deter a mais nova onda de invasores.

Oliveira, da AQK, conta como foi alvo de violência em 2015: “Derrubaram minha casa e depois a queimaram, junto com meus campos, destruindo os 45 sacos de arroz que já havíamos colhido”. Oliveira, sua esposa e os oito filhos passaram dois anos trabalhando para recuperar as colheitas perdidas. Ninguém foi acusado do crime, e as agressões contra os Kalungas continuam. Em fevereiro, uma casa na comunidade de Vão de Almas foi demolida com uma motosserra.

Frutos de buriti, espécie nativa do Cerrado coletada pelos Kalungas. Foto: Elder Miranda Jr./AQK.

Grileiros também estão destruindo a flora nativa do Cerrado, da qual os Kalungas extraem frutos como buriti, mangaba, cajuzinho do cerrado, pequi e castanha de baru como complemento à sua subsistência. “São exatamente estas áreas, ricas em frutas comestíveis e ervas medicinais, que [os invasores] estão abrindo caminho para as monoculturas”, diz Oliveira.

Em junho de 2020, grileiros limparam 500 hectares de vegetação nativa para plantar soja dentro do quilombo. Eles usaram o sistema de correntão, no qual uma corrente é suspensa entre dois tratores que avançam derrubando tudo o que encontram pelo caminho. Este modelo é amplamente condenado por seus danos ambientais, mas as correntes são facilmente encontradas para compra na internet, com vários vídeos mostrando como são utilizadas.

Os Kalungas prestaram queixa de roubo de terra às autoridades estaduais, que na época estavam preocupadas com a possibilidade de um boicote internacional às commodities brasileiras devido ao aumento de incêndios e desmatamento no Cerrado e na Amazônia. As autoridades investigaram a grilagem da terra e impuseram uma multa de 5 milhões de reais aos criminosos, além de agirem contra a mineração ilegal no quilombo e apreenderem equipamentos dos garimpeiros. Ainda assim, invasores seguem chegando ao território Kalunga.

Territórios para a Vida

Os Kalungas estão resistindo a essas invasões com confiança crescente e com o aumento do apoio internacional. No início de fevereiro, o Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa da ONU para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC) reconheceu o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga como o primeiro TICCA (Territórios e Áreas Conservados por Comunidades Indígenas e Locais) no Brasil.

Este título só é concedido a territórios tradicionais bem conservados nos quais as comunidades mantêm uma profunda conexão com o lugar onde habitam, praticam processos internos efetivos de gestão e governança da terra e possuem um bom histórico na promoção do bem-estar do povo —criando o que o UNEP-WCMC chama de “Territórios para a Vida”.

Cachoeira do Rio da Prata, identificada com potencial para futura atração ecoturística. Foto: Elder Miranda Jr./AQK.

Rafaela Nicola, coordenadora do Consórcio TICCA e diretora da Wetlands International no Brasil, descreve o primeiro passo para conquistar o título: “O que é diferente em nosso processo é que as próprias comunidades, durante as reuniões em que discutem as ferramentas que utilizam para o empoderamento e para o planejamento territorial, trabalham a questão de como se tornar um TICCA se encaixaria nas visões de si mesmas.”

O pedido de reconhecimento de uma comunidade é então revisado não por burocratas, mas por líderes de territórios tradicionais já reconhecidos como TICCAs, para avaliarem se o candidato preenche os requisitos.

Oliveira, presidente da AQK, acredita que o reconhecimento TICCA também ajudará a convencer os jovens a permanecerem no quilombo. “Hoje muitos partem para estudar e não voltam porque querem a segurança do direito à terra e mais oportunidades para aumentarem suas rendas.”

No momento, a pequena renda em dinheiro do quilombo é quase que inteiramente proveniente de um único projeto de turismo sustentável, administrado por apenas uma das comunidades. Durante o período de férias na estação seca, a comunidade Engenho II, no município de Cavalcante, recebe turistas em busca das numerosas cachoeiras da região.

A atividade, suspensa durante a pandemia da covid-19, proporcionou uma renda a 300 guias de diferentes comunidades, todos treinados pela AQK, ao mesmo tempo em que promoveu a venda de artesanato comunitário e produtos do Cerrado.

A conclusão do projeto de mapeamento digital do território Kalunga preparou o caminho para o turismo no futuro ao identificar outros 69 atrativos naturais com potencial para serem promovidos após consulta às comunidades.

Outros benefícios trazidos pelo georreferenciamento são o maior conhecimento dos solos da região e sua fertilidade natural, bem como a melhor compreensão da topografia e da disponibilidade de água, resultando num uso mais eficiente da terra. A adoção de tecnologia apropriada trará maiores rendimentos agrícolas sem a degradação dos recursos naturais do território.

Acesse a matéria no site da Mongabay Brasil.


Sobre a Associação Quilombo Kalunga e o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado)

A Associação Quilombo Kalunga é uma organização civil, sem finalidade econômica, fundada em outubro de 1999. Representa o maior território de quilombo no Brasil, com 262 mil hectares de terras. A AQK defende os interesses dos moradores do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), que abrange os municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás.

O projeto, fomentado pelo CEPF e com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)tem como objetivos conhecer com profundidade a realidade das comunidades Kalunga, usar a tecnologia de geoprocessamento  para mapear detalhadamente o território, promover a ocupação do SHPCK de uma forma mais sustentável e fazer com que os Kalunga sejam reconhecidos internacionalmente como defensores da conservação da biodiversidade.

Para mais informações sobre a Associação Quilombo Kalunga acesse a página oficial no Facebook.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Território Kalunga é reconhecido pelo Programa Ambiental da ONU como primeiro TICCA do Brasil

O Programa Ambiental da ONU (UNEP-WCMC) concluiu nesta terça-feira (3) o registro oficial do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga como o primeiro TICCA (Territórios e Áreas Conservadas por Comunidades Indígenas e Locais) do Brasil.

Acesse aqui a publicação: https://www.protectedplanet.net/555698070

 

Por Maiana Diniz, Assessora de Comunicação, via Associação Quilombo Kalunga

O título global é atribuído a territórios comunitários e tradicionais conservados nos quais a comunidade tem profunda conexão com o lugar que habita, processos internos de gestão e governança e resultados positivos na conservação da natureza, assim como de bem-estar do seu povo, os chamados “territórios de vida”.

Jorge Moreira de Oliveira, presidente da Associação Quilombo Kalunga (AQK) – Foto: Elder Miranda Jr / AQK

“É com muito orgulho que recebemos a notícia de que o Território Kalunga, um dos maiores do Brasil, foi reconhecido pela ONU como TICCA, como um território preservado. Isso significa que aqui ainda temos muitos frutos, muita natureza e muitas belezas conservadas. Como representante, me sinto honrado com esse reconhecimento internacional. Acredito que agora teremos mais parceiros para nos ajudar na luta pela conquista de todo o nosso território, que ainda não foi inteiramente desapropriado.”, comemora o presidente da Associação Quilombo Kalunga (AQK), Jorge Moreira de Oliveira.

Agricultor familiar Kalunga de Monte Alegre – Foto: Elder Miranda Jr / AQK

Com forte tradição na agricultura, o povo kalunga pratica plantio de baixo carbono e se baseia no conhecimento ancestral para plantar no ritmo da natureza, dispensando o uso de agrotóxicos. Plantam em pequenas roças, geralmente menores que 1 hectare, onde praticam a agricultura de subsistência, com a venda de excedentes. As áreas cultivadas são usadas por até 4 anos, depois descansam por 10 anos. As roças são feitas na enxada, sem o uso de máquinas. Os Kalunga também praticam extrativismo e buscam outras alternativas sustentáveis para o desenvolvimento do território.

Tornar-se TICCA é um reconhecimento global do papel do povo Kalunga na conservação da biodiversidade do Cerrado e das belezas da Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano. Rico em cultura, água e biodiversidade, estima-se que o quilombo Kalunga tenha sido criado a mais de 300 anos por pessoas que não aceitaram e conseguiram escapar do regime escravagista da época. O território ocupa uma área de 261 mil hectares nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre, todos localizados no estado de Goiás.

“Ganhamos autonomia na gestão da nossa terra. Agora que estamos listados no mapa internacional das comunidades tradicionais como TICCA, temos esperança de nos unirmos nessa luta com outras comunidades pelo mundo”, diz Damião Moreira Santos, coordenador de projetos da Associação Quilombo Kalunga (AQK).

Mirante do Vão do Moleque, no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga – Foto: Maiana Diniz / AQK

Além disso, a expectativa é que o título auxilie na proteção do território contra ameaças externas, pois agora os Kalunga têm em mãos uma validação das Nações Unidas que comprova a conservação no território, além de agregar ainda mais valor ao turismo de base comunitária e aos produtos dessas regiões.

O registro

A sugestão de que o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK) se enquadrava no conceito TICCA partiu da Diretora de Subvenção do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês), Peggy Poncelet, ao longo do processo de construção do Regimento Interno da Associação Quilombo Kalunga (AQK), documento que estabelece regras claras para a gestão e uso da terra pelo povo kalunga. O CEPF tem um projeto em andamento com a AQK e nos últimos dois anos financiou diversas ações para a melhoria da gestão e o desenvolvimento sustentável no território.

A diretoria da Associação Quilombo Kalunga (AQK) se interessou pelo conceito e ao longo das assembleias comunitárias para discussão do Regimento Interno deu também início a um processo intenso de diálogos e consultas com os moradores das 39 comunidades que vivem no território sobre os desafios e vantagens de se tornarem TICCA.

“Foi um processo muito participativo. Temos uma comunidade preservada, um território de vida, mas sofremos constantes invasões. O processo de formalização TICCA tem nos ajudado a dar visibilidade internacional para nos proteger”, avalia Vilmar Kalunga.

Mirante da Comunidade Vão de Almas, uma das 39 do território Kalunga – Foto: Elder Miranda Jr / AQK

Foram 14 grandes assembleias comunitárias e uma assembleia ampla de 3 dias para discutir e aprovar o Regimento Interno, processo que aconteceu sob a liderança de Vilmar Kalunga, então presidente da AQK, Damião Moreira dos Santos, coordenador do projeto CEPF na AQK, Durval Fernandes Motta, consultor da Associação, e Jorge Moreira de Oliveira, atual presidente da AQK.

“Nas assembleias, procuramos mostrar à comunidade a importância do trabalho que todos nós fazemos pelo mundo em relação à preservação e conservação da natureza. Nós, mesmo sem saber ou sem sermos reconhecidos, prestamos um serviço global ao meio ambiente. Durante as discussões, recuperamos nossa consciência e orgulho de como vivemos e ganhamos a vida com o meio ambiente.”, relembra Damião Moreira.

A decisão comunitária de se autoproclamar como o primeiro TICCA do Brasil ocorreu durante uma assembleia geral em fevereiro de 2020. Este foi o primeiro passo para o reconhecimento do território kalunga como “território de vida”, ou TICCA.

Durante todo o processo, a equipe da AQK contou com o apoio ativo do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

“Apoiamos a gestão territorial, pois percebemos que ela é bastante importante do ponto de vista da conservação. A AQK foi a fundo com o projeto. Acompanhamos as etapas de gestão territorial deles: revisão do estatuto, mapeamento de seus recursos naturais e a gestão de conflitos na comunidade”, explica Michael Becker, coordenador do CEPF Cerrado.

A AQK também contatou a Mupan (Mulheres em Ação no Pantanal), instituição que é o ponto focal da Consórcio TICCA no Brasil. Além de esclarecer dúvidas, a Mupan apoiou o processo de finalização do cadastro do SHPCK no Centro de Monitoramento da Conservação Mundial (WCMC) e criou um protocolo brasileiro para realizar o processo de revisão por pares, previsto nas exigências da ONU para conceder o título.

“A Mupan ajudou na articulação com outras instituições e na carta de avaliação. Como não havia outros TICCAs no Brasil para fazerem o reconhecimento, montamos uma comissão pela rede TICCA Brasil com lideranças de quilombos, representantes do movimento negro e a instituição Rede Cerrado, para que atestassem se o procedimento no território kalunga havia ocorrido em conformidade com os documentos enviados ao UNEP”, conta Lílian Ribeiro, coordenadora de assuntos indígenas e comunidades tradicionais do Programa Corredor Azul, Mupan. Lilian também ressalta que o título é uma ferramenta a mais para que a comunidade kalunga ganhe força na defesa do território.

Maiana Diniz, Assessora de Comunicação da AQK
Whatsapp: (61) 98400.2100


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Em encontro virtual com coletores, RSC e Associação Cerrado de Pé definem preço e potencial de coleta para 2021

por Maria Antônia Perdigão, via Rede de Sementes do Cerrado 

Em oficina realizada nesta terça-feira, 26, a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) e a Associação Cerrado de Pé reuniram coletores e a equipe técnica do Projeto Mercado de Sementes e Restauração: Promovendo Serviços Ambientais e Biodiversidade para elaborar o planejamento das ações para 2021. O encontro aconteceu virtualmente e contou com a presença da consultora Regina Erismamm.

Além da revisão dos preços das sementes disponíveis para a venda pela Associação por intermédio da RSC, o potencial de coleta e as vantagens do beneficiamento das sementes nativas do Cerrado, que são utilizadas no processo de restauração do bioma por meio da semeadura direta, também foram pautados durante a reunião.

Foto: ©Amalia Robredo/Acervo RSC

Na ocasião, os próprios coletores definiram os preços das espécies que serão comercializadas em 2021. “Em todo início de ano, a Rede de Sementes do Cerrado realiza esta oficina com os coletores para que eles possam definir o preço e o potencial de coleta. Esta definição leva em consideração vários aspectos como, por exemplo, o beneficiamento de sementes. É importante frisar que a Associação vem entregando sementes mais puras que proporcionam resultados melhores na restauração. Isso acaba tornando o processo mais trabalhoso e um pouco mais caro. Em virtude das experiências vividas em anos anteriores, o preço de algumas espécies precisou ser revisado para 2021”, ponderou a Presidente da RSC, Camila Motta.

O beneficiamento das sementes continuará sendo priorizado pela Associação Cerrado de Pé conforme adiantou o Presidente Claudomiro de Almeida. “Temos algumas espécies que são bem complexas para beneficiar e demandam muito trabalho.  A gente define o preço levando em conta o esforço do coletor e ainda, as vantagens para o cliente que vai receber as sementes com mais qualidade”, destacou.

Na oportunidade, Claudomiro anunciou que a Associação está oferecendo o serviço de restauração ecológica. “Isso é muito bom, pois além de permitir que o coletor participe da restauração de áreas degradadas, gera mais um complemento de renda”, completou.

O projeto

A comercialização de sementes nativas do Cerrado é uma iniciativa da RSC através do Projeto Mercado de Sementes e Restauração: Promovendo Serviços Ambientais e Biodiversidade que conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF), Instituto Internacional de Educação do Brasil e do Instituto Caixa Seguradora.  Utilizadas na restauração ecológica pelo método de plantio da semeadura direta, essas sementes são coletadas por pequenos produtores rurais, assentados e quilombolas que integram a Associação Cerrado de Pé.

Maria Antônia Perdigão- (61) 98327-3415
Assessoria de Comunicação da Rede de Sementes do Cerrado

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

Curso sobre apicultura para os quilombolas Kalunga tem reserva de 50% das vagas para mulheres

Iniciativa da Associação Quilombo Kalunga (AQK), Instituto Tiradentes (IE) e do CEPF Cerrado/IEB, o curso sobre apicultura movimentou 16 jovens quilombolas Kalunga, entre os dias 26 a 30 de outubro, na cidade de Niquelândia, em Goiás

por Luana Luizy, Assessoria de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

 

A busca por uma economia agroextrativista diversificada levou à ideia de realizar essa capacitação com os jovens quilombolas Kalunga. Foto: Manuel Júnior/Acervo Instituto Educacional Tiradentes

A busca por uma economia agroextrativista diversificada levou à ideia de realizar essa capacitação, já que os quilombolas Kalunga estão sofrendo impactos com a pandemia, pois uma das principais formas de geração de renda para os quilombolas é o turismo na região.

 O curso deixou como resultado a construção de oito apiários com pequenas unidades de extração de mel.  A iniciativa procurou gerar autonomia para os quilombolas, que se encontram em áreas isoladas e de difícil acesso à  comunidade, onde a energia elétrica, até  hoje, não existe.

“O mel é um produto que você pode conservar  por até dois anos; ele não pode ser refrigerado, senão estraga. Esse projeto veio atender comunidades abandonadas pelo poder público”, explana Manoel Júnior, do Instituto Tiradentes.

A capacitação – que busca formar jovens multiplicadores – destinou 50% das vagas para mulheres, priorizando a equidade de gênero, como forma de promover a autonomia de renda para esse grupo. Sirleia  Torres,  28 , conta que a capacitação é bastante importante para que ela encontre oportunidades financeiras.

“Agora vou ampliar as minhas possibilidades no mercado de trabalho. A cada dia aprendo mais sobre a apicultura; tem sido uma experiência incrível”, afirma a jovem quilombola.

“A desigualdade de gênero é uma realidade dentro dessas comunidades. É a mulher quem organiza a casa e os plantios, mas a renda fica toda com os homens. Então, esse curso prioriza que elas possam ter mais autonomia”, declara Manuel.

Sobre a Associação Quilombo Kalunga e o CEPF Cerrado

A Associação Quilombo Kalunga é uma organização civil, sem finalidade econômica, fundada em outubro de 1999. Representa o maior território de quilombo no Brasil, com 262 mil hectares de terras. A AQK defende os interesses dos moradores do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), que abrange os municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás.

O projeto, fomentado pelo Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado) e com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasiltem como objetivos conhecer com profundidade a realidade das comunidades Kalunga, usar a tecnologia de geoprocessamento para mapear detalhadamente o território, promover a ocupação do SHPCK de uma forma mais sustentável e fazer com que os Kalunga sejam reconhecidos internacionalmente como defensores da conservação da biodiversidade.

 

Conheça mais sobre a AQK: http://quilombokalunga.org.br/PKS/?page_id=27

Conheça mais sobre o Instituto Educacional Tiradentes: https://institutotiradentes.com.br/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

Para uma comunidade isolada no Brasil, conhecimento é poder

A comunidade Kalunga está utilizando dados de mapeamento para defender sua terra e modo de vida tradicional

traduzido do texto publicado por Marsea Nelson, Gerente Sênior de Comunicação do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos 

 

Várias centenas de anos atrás, no Brasil, grupos de escravos fugitivos estabeleceram comunidades – conhecidas como quilombos. Muitas destas comunidades foram destruídas, mas em uma remota região montanhosa de Goiás, cerca de 8.000 de seus descendentes – o povo Kalunga – continua com um estilo de vida tradicional, em grande parte isolado do mundo moderno.

Hoje, no entanto, esse mundo moderno está se formando para esta comunidade. Os Kalungas se viram lutando tanto por sua cultura quanto por sua terra ancestral, que fica dentro da impressionante região da Chapada dos Veadeiros (Goiás, Brasil), que faz parte do hotspot de biodiversidade do Cerrado.

Os Kalunga são principalmente católicos. No entanto, alguns se converteram ao neopentecostalismo, o que trouxe algumas diferenças com os membros da comunidade que continuam mantendo crenças tradicionais.

As crianças da comunidade aprendem sobre a biodiversidade local. Foto: ©Acervo Associação Quilombo Kalunga

Além disso, os Kalungas mais jovens deixam o território para estudar ou trabalhar. “Quando eles retornam, trazem influências musicais, danças de fora e novos hábitos”, afirmou Vilmar Souza Costa, presidente da Associação Quilombo Kalunga (AQK). “Eles também trazem uma nova visão de como se relacionar com a terra, querendo aplicar novas tecnologias para cultivá-la e combater pragas, que são mais apropriadas ao agronegócio.”

As ameaças às terras Kalunga incluem planos iminentes para a construção de uma pequena usina hidrelétrica e pressão consistente por parte das empresas de mineração, além de um aumento nas terras usadas para a agropecuária.

“As áreas de pastagem cresceram ao longo dos anos e áreas abertas já tomam conta do território”, disse Costa. Ele também observou que as populações de muitas espécies da biodiversidade local – incluindo antas, tatus, emas e peixes – diminuíram.

O time de campo do projeto. Foto: ©Acervo Associação Quilombo Kalunga

Reconhecendo estes desafios, a comunidade estabeleceu a Associação Quilombo Kalunga em 1999 para representar e defender seus interesses.

Em 2013, surgiu a ideia de usar o geoprocessamento para entender melhor as famílias que vivem na região e no território, documentando precisamente o que as terras Kalunga abrigavam, onde eram mais vulneráveis e onde haviam as melhores oportunidades para implementar o turismo.

Encontrar financiamento para o projeto, no entanto, mostrou-se desafiador. Os fundos do governo fracassaram e os esforços para encontrar outro doador não se concretizaram até cinco anos depois, quando o CEPF concedeu à Associação sua primeira doação de US$ 216.600,00.

“No Cerrado, trabalhar com povos e comunidades tradicionais é uma parte importante de nossa estratégia”, disse Peggy Poncelet, diretora de subsídios do CEPF. “Nem todo doador está equipado para fornecer o tipo de suporte técnico que uma organização em desenvolvimento como a AQK exige, mas o CEPF está.”

Território Kalunga. Foto: ©P. Poncelet/Acervo CEPF

Com o financiamento finalmente estabelecido, um especialista foi contratado pela AQK para treinar 24 jovens Kalungas em GIS e Open Data Kit, que é um conjunto de ferramentas de coleta de dados que não requer conexão com a internet. Eles então, começaram a reunir sistematicamente informações socioeconômicas sobre os residentes locais do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga.

O trabalho não foi fácil – a equipe enfrentou fortes chuvas e estradas ruins. Às vezes, eles iam para locais difíceis de chegar, apenas para descobrir que a família não estava em casa. Este trabalho de campo foi um processo complicado, mas que, segundo Costa, os jovens assumiram com “entusiasmo e alegria”.

As informações coletadas na pesquisa estão sendo úteis em muitas frentes. A empresa estatal de saneamento usará os dados para melhorar o abastecimento de água e o saneamento na comunidade. As informações sobre quais famílias têm cães e galinhas serão usadas pelo Departamento de Saúde para ajudar a combater a doença de Chagas, que pode causar sérias complicações à saúde. Enquanto isso, uma organização federal está usando dados sobre o cultivo da terra e a criação de animais para fornecer assistência técnica mais eficiente aos agricultores.

Vilmar Costa, presidente da AQK, na palestra com a comunidade sobre as 19 espécies ameaçadas que ocorrem no terrritório Kalunga. Foto: ©Acervo Associação Quilombo Kalunga

A sensibilização é outro componente essencial do projeto financiado pelo CEPF. Apresentações sobre 19 espécies ameaçadas encontradas na região foram amplamente divulgadas nas escolas locais e nos municípios. “Os alunos e professores participantes postaram fotos e comentários em suas redes sociais, o que acabou levando ao conhecimento em larga escala das 19 espécies da Chapada dos Veadeiros”, disse Costa. A AQK também fez apresentações durante as reuniões da comunidade e distribuiu calendários e faixas que descreviam a biodiversidade local e como protegê-la.

Agora, A AQK está trabalhando na criação de uma plataforma online que permitirá que cada família atualize suas próprias informações.

O projeto também foi relatado localmente pelo The Brazilian Report e De Olho Nos Ruralistas. Recentemente, o portal G1 Natureza publicou uma série de reportagens e vídeos sobre a comunidade Kalunga.

Leia o texto original desta matéria, que está disponível em inglês no site do CEPF.

Sobre a Associação Quilombo Kalunga  e o CEPF Cerrado

A Associação Quilombo Kalunga é uma organização civil, sem fins lucrativos e sem finalidade econômica, fundada em outubro de 1999. É constituída pelas Associações Kalunga de Cavalcante, de Monte Alegre, de Teresina e do Engenho II, além da Epotecampo. Ela representa o maior território de quilombo no Brasil, com 262 mil hectares de terras. A Associação promove a defesa de interesse de todas as comunidades formadas por moradores do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), espalhados entre os municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, e representá-las em todas as instâncias legais e administrativas.

O projeto “Uso do Geoprocessamento na Gestão do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga – SHPCK”, fomentado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, da sigla em Inglês para Critical Ecosystem Partnership Funde com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)O projeto tem como objetivos conhecer com profundidade a realidade das comunidades Kalunga, usar a tecnologia de geoprocessamento  para mapear detalhadamente o território, promover a ocupação do SHPCK de uma forma mais sustentável e fazer com que os Kalunga sejam reconhecidos internacionalmente como defensores da conservação da biodiversidade.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Aprovado em Goiás o primeiro regimento interno de um quilombo no Brasil

Iniciativa da Associação Quilombo Kalunga será modelo para outras comunidades quilombolas

por Associação Quilombo Kalunga

A Associação Quilombo Kalunga (AQK) finalizou em maio a elaboração do regimento interno, um projeto pioneiro em nível nacional. O regimento interno estabelece normas para a gestão ambiental e territorial do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), para o reconhecimento da ascendência e da remanescência Kalunga, e para a exploração do turismo no território. O SHPCK é considerado o maior território de quilombo no Brasil, com 261.999,69 hectares, e fica localizado na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Vilmar de Souza Costa faz a abertura da Assembleia de Representantes das Comunidades Kalunga para elaborar o Regimento Interno da Associação Quilombo Kalunga. Foto: Maria Lúcia Godinho/Acervo AQK.

De 18 de março a 12 de maio foram realizadas 14 assembleias, que envolveram todas as 39 comunidades Kalunga e contaram com a participação de mais de mil pessoas. Nestes encontros foram debatidos os pontos mais importantes que, no entendimento dos presentes, deveriam constar do regimento interno, sendo por eles eram votados e aprovados os conteúdos. Nestas assembleias também foi sendo amadurecida a criação de um Conselho de Representantes da AQK, um colegiado formado por três representantes de cada comunidade local e que passava a integrar a direção da Associação Quilombo Kalunga.

Nos dias 23 a 26 de maio foi realizada a Assembleia de Representantes eleitos nas reuniões das comunidades, na sede da Associação Kalunga de Cavalcante. Foram momentos de intensos debates de cada artigo e de cada parágrafo, sendo, ao final, aprovado.

De acordo com Vilmar Souza Costa, presidente da Associação Quilombo Kalunga, o regimento interno é de essencial importância para regulamentar as relações existentes dentro do território, sempre respeitando os costumes, os saberes e as tradições do povo Kalunga. “A criação do nosso regimento é mais uma demonstração da capacidade do povo Kalunga de se organizar, de defender e de gerir seu território. Construímos de forma coletiva e participativa as nossas próprias normas, que serão seguidas por todo o nosso povo”, afirma Costa.

Maria Aparecida Mato, diretora-executiva da CONAQ – Coordenação Nacional de Articulações das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Brasil – participou de uma das 14 assembleias e enalteceu a importância das normas e a cultura de um povo quilombola serem colocadas no papel, como uma prova escrita e concreta de tudo que está estabelecido. “Este é o primeiro quilombo do Brasil a criar um regimento interno. É um exemplo e um modelo que será seguido por várias outras comunidades quilombolas do Brasil”, revela.

Geoprocessamento e preservação nas assembleias

Outro tema das assembleias foi o projeto “Uso do Geoprocessamento na Gestão do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga – SHPCK”, fomentado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, da sigla em Inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)O projeto tem como objetivos conhecer com profundidade a realidade das comunidades Kalunga, usar a tecnologia de geoprocessamento  para mapear detalhadamente o território, promover a ocupação do SHPCK de uma forma mais sustentável e fazer com que os Kalunga sejam reconhecidos internacionalmente como defensores da conservação da biodiversidade.

Representando o CEPF/IEB, Michael Jackson faz pronunciamento sobre a importância da organização do povo Kalunga para realizar a gestão ambiental e territorial. Foto: Maria Lúcia Godinho/Acervo AQK.

Desde janeiro está sendo feito o levantamento e o cadastro socioeconômico dos moradores do SHPCK, com a meta de participação de todas as 1,5 mil famílias quilombolas. Terminado o levantamento, será feita a associação dos levantamentos de campo com a base cartográfica e o mapeamento temático realizado por meio de geoprocessamento e sensoriamento remoto. Será feito também o levantamento cadastral das atividades de garimpo, retirada ilegal de madeira e pesca predatória, e dos atrativos turísticos.

As assembleias ainda tiveram como foco a mobilização das famílias quilombolas sobre a importância da conservação da biodiversidade em todo o território. Para isso, foram confeccionados 4 mil calendários, que foram entregues nas casas Kalunga, além de pessoas e de locais estratégicos dos municípios de Alto Paraíso, Cavalcante, Campos Belos, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. Também foram confeccionados banners, fixados em todas as escolas municipais, estaduais e particulares nos cinco municípios.

De acordo com o levantamento prévio feito pela Associação, há 19 espécies localmente ameaçadas encontradas na região. As espécies-alvo de conservação foram priorizadas de acordo com o critério de grau de ameaça, focado em espécies que enfrentam risco extremamente elevado de extinção na natureza, exigindo ações urgentes de conservação.

Sobre a Associação Quilombo Kalunga

A Associação Quilombo Kalunga é uma organização civil, sem fins lucrativos e sem finalidade econômica, fundada em outubro de 1999. É constituída pelas Associações Kalunga de Cavalcante, de Monte Alegre, de Teresina e do Engenho II, além da Epotecampo. Ela representa o maior território de quilombo no Brasil, com 262 mil hectares de terras. A Associação promove a defesa de interesse de todas as comunidades formadas por moradores do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), espalhados entre os municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, e representá-las em todas as instâncias legais e administrativas.

Mais informações:

Telefone: (62) 3494-1062

E-mail: aqkalunga@gmail.com

Facebook da AQK.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Equipe do projeto “Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão” registra espécie no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás

por Gislaine Disconzi, Instituto Amada Terra

Rio Preto, Goiás. Foto: Acervo IAT

O projeto Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão no Corredor Veadeiros – Pouso Alto – Kalunga, que é executado pelo Instituto Amada Terra, e conta com apoio do Fundo de Parceria para  Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Funde Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), realizou expedição a campo neste mês de abril no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás onde avistou OITO INDIVÍDUOS da espécie (Mergus octosetaceus).

O projeto tem realizado uma série de descidas de rios embarcado, na busca da  melhoria da informação sobre a presença do pato-mergulhão na região. A espécie é considerada uma das mais ameaçadas das Américas e foi declarado o Embaixador das Águas Continentais Brasileiras. Nos dias 2 e 3 de abril, uma equipe composta por cinco pessoas, sendo três profissionais de canoagem, o coordenador técnico de campo do projeto e o coordenador de uso público do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, percorreram aproximadamente 40 km do Rio Preto em busca de indivíduos da espécie. Está é a primeira de diversas ações a serem realizadas dentro de uma estratégia de proteção dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no estado de Goiás.

Equipe em expedição ao rio Preto. Foto: Acervo IAT

Equipe em campo: Wellinton de França Lima; Carlos Alexandre Xavier; Guilherme Predebon (Consultor de Campo Embarcado); Fernando H. Previdente (Coordenador de Campo) e André Ribeiro (Coordenador de uso público do PNCV).

Veja mais notícias sobre a expedição no site do ICMBio, no Conexão Planeta e nas redes sociais!

Assista o vídeo que registra a presença do pato-mergulhão durante a expedição da equipe ao rio Preto!


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão na Chapada dos Veadeiros, Goiás, Brasil

O Projeto “Evitando a extinção do pato-mergulhão no corredor Veadeiros-Pouso Alto- Kalunga” teve suas atividades iniciadas em janeiro de 2018, na cidade de Alto Paraíso de Goiás, localizada na região da Chapada dos Veadeiros. O projeto tem como objetivo a realização de atividades de monitoramento e pesquisa do Pato-Mergulhão, ações de conscientização pública e capacitação sobre o atual estado de conservação da espécie. O projeto tem a duração de dois anos e é financiado pelo “Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos” – (CEPF), com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB). O projeto é executado pelo Instituto Amada Terra de Inclusão Social (IAT), sendo sua equipe básica composta pela Coordenadora Geral: Gislaine Disconzi, Coordenador de Campo: Fernando Previdente, Coordenadora de Educomunicação: Maria Beatriz Maury e Coordenador Financeiro: Paulo Henrique Golçalves.

Por que cuidar do Pato-Mergulhão?

Com uma população pequena e vivendo em um ambiente restrito, o pato-mergulhão é uma ave rara, que está criticamente ameaçada de extinção. Sua ocorrência atualmente é apenas, no Brasil. Já desapareceu nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina e também na Argentina e no Paraguai. A sua presença indica um bom estado de conservação do ambiente, por ser uma espécie restrita a ambientes de corredeiras, cachoeiras e remansos de águas limpas e cristalinas.

Alguns resultados do projeto e de suas parcerias

Lançamento do pato-mergulhão como o embaixador das águas no Brasil

No dia 20 de março deste ano, no Fórum Mundial das Águas, em Brasília, o Pato-Mergulhão recebeu do Ministério do Meio Ambiente, o título de Embaixador das Águas Brasileiras.

EQUIPE DO INSTITUTO AMADA TERRA ESTEVE PRESENTE NO 8º FÓRUM MUNDIAL DA ÁGUA: Gislaine Disconzi, Coordenadora do Projeto, Maria Beatriz Maury, Coordenadora de Educomunicação, juntamente com Ricardo Soavinsky, presidente do ICMBIO, Rita Surrage de Medeiros, Coordenadora do PAN do Pato Mergulhão pelo CEMAVE, Prof Sávio Bruno Freire, da UFF, Luís Fábio da Silveira, da USP, Paulo Zuquim Antas, da Funatura, Reinaldo Lourival, Nature And Culture Internacional, Fabiane Sebaio, da Cervivo e Sônia Rigueira do Instituto Terra Brasilis. Comemorando a merecida escolha do Pato-mergulhão para o título de Embaixador das Águas Brasileiras. Foto: ©IAT

Avistamento de indivíduos em expedições de campo

Desde o início do projeto já foram realizadas treinamentos, percursos de rios embarcados e expedições de reconhecimento de áreas de registros da espécie, cujo objetivo é localizar indivíduos para futuras marcações, anilhamentos e colocação de rádios e GPS. Em duas dessas expedições, já foram avistados um casal e um indivíduo. Na Chapada dos Veadeiros, estima-se que haja cerca de 50 a 60 indivíduos, o que torna estes avistamentos um resultado espetacular, em um curto período de tempo de realização do projeto.

Indivíduo localizado na expedição do Projeto Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão na Chapada dos Veadeiros. Foto: ©IAT

Programa de Televisão sobre a Chapada

No mês de junho, a TV Record transmitiu uma série documental sobre a Chapada dos Veadeiros, dedicando um episódio ao Pato-Mergulhão. Para isso acompanhou a equipe do Projeto em uma de suas expedições. Esse é um resultado bastante positivo, que ajuda na conservação da espécie.

Série da Record

https://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/pesquisadores-tentam-preservar-especies-da-chapada-dos-veadeiros-07062018

Para saber mais

Facebook do Projeto

https://www.facebook.com/pato.mergulhao.7

Fotos do Projeto

https://www.facebook.com/pato.mergulhao.7/photos?lst=100002529835047%3A100026683758830%3A1530830913&source_ref=pb_friends_tl

 

*Texto fornecido por Maria Beatriz Maury, Coordenadora de Educomunicação, Instituto Amada Terra