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Consórcio quer ampliar projeto de combate às mudanças climáticas de café em MG

Lavoura de Café no Cerrado Mineiro, região onde está o município de Patrocínio (Foto: Federação dos Cafeicultores do Cerrado)

Programa é realizado no município de Patrocínio, mas a intenção é levar para pelo menos outras seis localidades

via Globo Rural

O Consórcio Cerrado das Águas, plataforma colaborativa que prevê restaurar áreas rurais para preservar e conservar o meio ambiente, pretende expandir projeto nas lavouras de café do Triângulo Mineiro contra impactos provocados pela mudança climática, como a estiagem. Atualmente, o programa funciona no município de Patrocínio, na bacia do Córrego Feio. Até 2023, a estratégia é expandir para Serra do Salitre, Monte Carmelo, Rio Paranaíba, Carmo do Paranaíba, Araguari e Coromandel.

Juntos, esses municípios respondem por cerca de 70% da produção de café no Cerrado Mineiro, informa o consórcio, em comunicado. A ideia é formar corredores ecológicos e alavancar os ganhos de biodiversidade da região. Outra atividade do Consórcio, apoiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), é o Programa de Investimento no Produtor Consciente.

A iniciativa, lançada em janeiro de 2020, também no município de Patrocínio, envolve o diagnóstico das áreas, a agricultura baseada no clima e a gestão eficiente dos recursos hídricos. A ideia é que esse gerenciamento assegure o abastecimento da produção de café mesmo em momentos de escassez, informa a bióloga e secretária executiva do Consórcio Cerrado das Águas, Fabiane Sebaio Almeida.

O consórcio oferece consultoria especializada e baseada em metodologias sustentáveis para os moradores locais da região. Desse modo, eles planejam o manejo adequado para controlar o fogo, enriquecem vegetações nativas e recuperam solos degradados, entre outras atividades de preservação.

O CEPF existe há 21 anos e, no Brasil, atua com o apoio do IEB. Atualmente, em todo o mundo, o CEPF apoia cerca de dez hotspots, e financiou, ao longo de sua trajetória, cerca de 2.600 projetos. A atuação do CEPF tem apoio da Agência Francesa para o Desenvolvimento, a Conservação Internacional, a União Europeia, o Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), o governo do Japão e o Banco Mundial.

Acesse a matéria no site do Globo Rural.

Projeto investe na restauração da vegetação nativa e gestão de recursos hídricos na cadeia do café no Cerrado mineiro

Em Minas Gerais, iniciativa envolve diferentes atores para promover paisagens sustentáveis e a conservação de vegetação nativa

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Companheiro que faz parte do cotidiano de milhares pessoas no mundo todo, o café é um produto de forte expressão na cultura mundial. No Brasil, o estado de Minas Gerais se destaca na produção desse grão, sendo, hoje, um dos maiores exportadores internacionais. Assim, a atividade cafeeira precisa ser desenvolvida com equilíbrio ambiental entre a fauna e a flora.

Dessa maneira, de nada adianta a produção do café sem pensar na sustentabilidade, já que esse produto exige um equilíbrio entre uma série de fatores ambientais, os quais perpassam um solo rico em nutrientes e forte irrigação para o cultivo desse grão. As ameaças climáticas representam hoje uma ameaça para o seu cultivo.

Com base nisso, o Consórcio Cerrado das Águas (CCA) surgiu em 2019, com o objetivo de envolver diferentes atores da cadeia produtiva do café numa plataforma colaborativa para restaurar a vegetação nativa e monitorar a qualidade da água dos rios e solos, a fim de garantir a produção sustentável de café e a gestão eficiente dos recursos hídricos na região do triângulo mineiro. Representantes de cooperativas, ONGs e grandes empresas, tais como a Nespresso, e a Lavazza, participam do Consórcio.

O objetivo da união desses diferentes atores foi o de assegurar a resiliência às mudanças climáticas que interferem nas bacias hidrográficas, restaurar a provisão de serviços ecossistêmicos, a partir do fortalecimento de corredores ecológicos“áreas que unem fragmentos de vegetação nativa ou áreas protegidas que estão separadas por interferência humana”[1] –, e promover impactos positivos no Cerrado mineiro.

Produtores rurais realizam restauração de área degradada na região do Córrego Feio em Minas Gerais. Foto: Acervo CCA

O produtor rural, Ricardo Bartholo, um dos beneficiários do projeto do CCA, comenta que a iniciativa fortalece a disponibilidade de água no Córrego Feio – manancial que abastece a população e também é usado para as atividades agropecuárias no município de Patrocínio, em Minas Gerais.

“O Consórcio veio trazer uma visão mais objetiva para nós produtores. É ótimo ver as grandes empresas atentas a sustentabilidade na produção do café. Eu tenho convicção de que nós teremos um aumento do manancial de água. Com isso posso utilizar mais água para irrigar a minha plantação de café, pois hoje tenho uma limitação da quantidade que posso extrair”, afirma.

Dentro da plataforma, as empresas da cadeia produtiva de café se comprometem a doar um aporte financeiro para a manutenção e o investimento das atividades de restauração da bacia hidrográfica. “A gente olha para a vegetação nativa, os recursos hídricos, a quantidade de água dentro das bacias, as paisagens conectadas, o envolvimento e as conexão dos produtores, o engajamento institucional e a comunidade local dentro dessa plataforma colaborativa que é o CCA”, explica Fabiane Sebaio, diretora-executiva do Consórcio Cerrado das Águas.

Investir no produtor

A atenção ao pequeno produtor também é um dos eixos de ação do Consórcio Cerrado das Águas, por meio do Programa de Investimento do Produtor Consciente (PIPC). “Esse programa começa com um contato com os produtores, para gente falar o que é o Consórcio; explicamos que a propriedade deles faz parte da bacia hidrográfica, o conceito da mesma, fazemos um diagnóstico e uma visita na propriedade dos produtores, também sugerimos se podemos investir em seu território, elaboramos um plano; a partir dele, marcamos uma oficina, onde discutimos com os processos”, diz Fabiane Sebaio.

O objetivo central do PIPC é estabelecer e implementar uma estratégia para restaurar a prestação de serviços ecossistêmicos na bacia, a longo prazo, através de um processo de envolvimento efetivo com produtores e atores locais.  A maior preocupação do programa são as áreas de vegetação nativa, esclarece Fabiane: “Precisamos fazer o produtor entender que a sua propriedade está dentro da bacia e que toda e qualquer mobilização em prol da restauração e da qualidade de água da bacia é importantíssima. A gente considera o engajamento do produtor muito importante nesse processo. Onde eu preciso restaurar para ter uma efetividade nesse processo?”.

Pato-Mergulhão: ave aquática ameaçada de extinção. Foto: André Dib / Acervo Projeto Pato-Mergulhão

A meta do programa foi a de atingir 100 hectares, em sete municípios no Cerrado mineiro; uma das áreas escolhidas, a bacia do Córrego Feio em Patrocínio, é onde se encontra o pato-mergulhão, uma ave nativa do Cerrado ameaçada de extinção, que depende de ambientes aquáticos extremamente conservados para a sua sobrevivência.

Parceria com o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos

O Consórcio do Cerrado das Águas conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, Critical Ecosystem Partnership Fund) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) para ser executado, mas a grandeza do projeto lançou um desafio: o de promover a adoção das melhores práticas em agricultura no Cerrado de Minas Gerais e reunir empresas concorrentes da cadeia do café, todos em prol do mesmo interesse – a conservação de áreas nativas e dos recursos hídricos do Cerrado.

No entanto, todo o recurso investido não se limitou apenas à restauração, mas também ao diálogo com o produtor, ao desenvolvimento de um aplicativo que mapeia áreas degradadas, o esforço de reunir empresas concorrentes da cadeia do café. Assim, o recurso do CEPF e o apoio do IEB foram fundamentais no processo de construção da metodologia da equipe e do investimento nas propriedades.

“Nesse cenário de engajamento do produtor, é o maior legado com o projeto fazer esse movimento para que o produtor cuide mais da sua propriedade, para que haja uma mudança de mentalidade sobre o que é uma fazenda sustentável, como eu proporciono resiliência climática, o entendimento de que o clima reúne uma série de fatores e de que a lavoura desses produtores proporciona restauração”, explana Fabiane Sebaio.

Saiba mais sobre o Consórcio Cerrado das Águas: http://cerradodasaguas.org.br/

[1] “O que são Corredores Ecológicos”. Dicionário Ambiental. ((o))eco, Rio de Janeiro, ago. 2014. Disponível em: <https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28538-o-que-sao-corredores-ecologicos/>


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Encontro online vai debater produção sustentável do café

Por Bárbara Ferragini – Jornalismo Ambiental/Social Media

Acontece no dia 24 de novembro, às 16h (horário de Brasília), a live “Território do Café – RPPN e Econegócios”. Organizado pelo projeto Reservas Privadas do Cerrado, que conta com apoio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos e Instituto Internacional de Educação do Brasil, o evento destaca a importância da produção sustentável de uma das grandes commodities da produção brasileira, o café. Um produto consumido mundialmente e que nos últimos anos tem conquistado um público cada vez mais exigente, que busca qualidade e que valoriza marcas que se preocupam em minimizar os impactos ambientais. O segmento cafeeiro, por sua vez, tem trabalhado para atender essas novas demandas e oportunidades de mercado, com base nos princípios da sustentabilidade.

Na ocasião, participam do encontro os palestrantes:

– Ricardo Bartholo: Produtor de café da região de Patrocínio – MG. Participante doPrograma de Investimento no Produtor Consciente do Consórcio das Águas do Cerrado (CCA), foi convidado para falar da sua produção de café com os preceitos da produção orgânica e sustentável.

– Sebastião Alves: Produtor de café, proprietário de RPPN, Ex Diretor da associação de RPPNs do ES, Ex Diretor da CNRPPN. Compartilhará sua experiência com a criação da RPPN Remy Alves e seu benefício para a sua produção cafeeira.

– Graco Dias: Engenheiro Ambiental, conselheiro do Consórcio das Águas (CCA), trabalha no Departamento de Responsabilidade Socioambiental da Cooxupé. Graco Dias foi convidado para falar do CCA e da participação da Cooxupé na cooperação com os produtores de café com relação à produção sustentável.

– Andreia Roque: Expert em Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural. Atua em projetos estratégicos voltados para Turismo Rural, Sustentabilidade e Responsabilidade Ambiental em RPPNs. Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutoranda em Saúde e Ambiente UNIT. Andreia Roque vai tratar de cases de Sustentabilidade com Produção Rural (café, entre outros).

– Laércio Machado de Sousa: Administrador de Empresas, Consultor da Jataí Capital e Conservação. Foi presidente da REPAMS (Associação de RPPNs do MS) e da CNRPPN. Atualmente é o coordenador do Projeto Reservas Privadas do Cerrado, FUNATURA – IEB – CEPF. Laércio será o moderador do evento.

Anote na agenda

A live será transmitida no dia 24 de novembro, às 16h (horário de Brasília) pelo canal do Youtube do Reservas Privadas do Cerrado (ative o lembrete).

Reservas Privadas do Cerrado – Trata-se de uma iniciativa que visa promover a conservação dos recursos naturais por meio do incentivo à criação, expansão e gestão eficaz das Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPNs) em um dos biomas mais ameaçados do Brasil. O projeto é executado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura) e conta com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Mais informações podem ser obtidas nas redes sociais do projeto (@reservasdocerrado) ou no site http://reservasprivadasdocerrado.com.br.

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundo Global para o Meio Ambiente, do Governo do Japão, e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade

O IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) é uma associação brasileira sem fins econômicos e se destaca no cenário nacional por dedicar-se a formar e capacitar pessoas e fortalecer organizações nos diversos aspectos e temas relacionados ao meio ambiente, desenvolvimento e à sustentabilidade.

Sobre o Consórcio Cerrado das Águas
Criado em 2014, em Patrocínio – MG, o Consórcio Cerrado das Águas tem como objetivo conscientizar produtores da região sobre a importância de seus ativos ambientais por meio do diagnóstico e investimento nos mesmos, garantindo sua preservação a longo prazo. Em 2019, o projeto piloto recebeu do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF) o valor de US$400 mil para implementar o programa que irá promover, inicialmente, o investimento e a proteção dos ecossistemas naturais encontrados em mais de 100 propriedades ao longo da bacia do Córrego Feio. A quantia é o maior subsídio já concedido pelo CEPF, que conta com exigentes doadores como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), União Europeia, Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), Governo do Japão e Banco Mundial.
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