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Projeto estimula a conservação dos recursos hídricos e das áreas úmidas na Chapada dos Guimarães (MT)

 

 

Veredas na região de atuação do projeto. Foto: Acervo LabSensor/UFMT

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Mapear, diagnosticar e identificar recursos hídricos e áreas úmidas para promover a gestão e a conservação das águas na região da Chapada dos Guimarães (MT): essas foram ações desenvolvidas pelo projeto Mapeamento e Análise de Recursos Hídricos e Áreas Úmidas do Corredor da Chapada dos Guimarães”.

A proteção de áreas úmidas contribui para o fornecimento de água para a zona urbana e a zona rural. As ações do projeto estimularam o fortalecimento de medidas ambientais de órgãos gestores hídricos e ambientais, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e os Comitês de Bacias Hidrográficas.

As áreas escolhidas pelo projeto – envolvendo Veredas, Campos Úmidos, Brejos e Florestas Ripárias, existentes no hotspot[1] Cerrado, mais especificamente no estado do Mato Grosso – foram estratégicas para servirem de apoio na tomada de decisões com os órgãos ambientais envolvidos.

“A quantificação e qualificação dos recursos hídricos e áreas úmidas (AUs) na área estudada representam um grande avanço perante a importância do hotspot[1] Cerrado, no ponto de vista ecológico e ecossistêmico”, comenta o dr. Gustavo Manzon Nunes, do Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geotecnologias (LabSensoR- UFMT) e da Fundação de Apoio e Desenvolvimento da UFMT (UNISELVA).

Drone que identificou e diagnosticou as áreas úmidas no projeto. Foto: Acervo LabSensor/UFMT

O uso de geotecnologias, tais como sensores acoplados em drones, possibilita mapeamentos que permitem delimitar e classificar a cobertura vegetal com seus habitats em áreas prioritárias para conservação, assim como verificar a sensibilidade das áreas úmidas ao longo das estações do ano e analisar o impacto do uso de métodos de Manejo Integrado do Fogo.

“A gestão de recursos naturais no Cerrado enfrenta vários desafios para mapeamento via Sensoriamento Remoto, pois são necessárias novas abordagens para coleta de informações de dados de larga escala com alta precisão, o que torna o uso de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAS) uma potente ferramenta, com múltiplas aplicações na área de gestão de recursos naturais no Cerrado”, explica Gustavo.

Os resultados do projeto contribuíram para o mapeamento de oito AUs focais, com o uso de um sensor de alta resolução espacial, o que gerou: análises em escalas de detalhe; classificação de tipologias; identificação de espécies reveladoras de ambientes de Veredas; assim como o mapeamento antes e após o uso do Manejo Integrado do Fogo.

 

Proteção dos Recursos Hídricos

Campanha de campo no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, MT. Foto: Acervo pessoal Gustavo Manzon

As Veredas que foram especialmente avaliadas no projeto desempenham a função de corredores ecológicos e também de um manancial de água, especialmente no período de escassez hídrica.

“Através de múltiplos sensores acoplados em RPAS/drones, além de coleta de informações biométricas e quantitativas em campo nas Áreas Úmidas selecionadas, os resultados deste projeto possibilitaram gerar informações espaciais, estruturais e biofísicas da cobertura vegetal, possibilitando identificar inúmeras Áreas Úmidas existentes no planalto até então ainda não mapeadas, com objetivo de criar  medidas para a conservação e a tomada de decisões, para a sua melhor gestão”, completa Gustavo.

 

Parceria com o CEPF Cerrado

O apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e do IEB proporcionou o mapeamento, com o uso de sensores remotos integrados em RPAS/Drones e em satélites, a fim de diagnosticar e identificar as Áreas Úmidas de médio e pequeno tamanho, o que fornece parâmetros para a elaboração de leis, assim como ajuda a orientar esforços futuros de pesquisa.

As recomendações para o futuro indicam a inclusão de pequenas áreas úmidas no inventário nacional, com a realização de mapeamentos em melhores escalas, a fim de padronizar ações estratégicas de manejo e de proteção.

Foram realizadas contribuições relativas à preservação de áreas úmidas, principalmente com a análise espacial em Veredas, utilizando RPAS/Drones no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (PNCG); o mapeamento de Áreas-Chave para Biodiversidade (KBAs), envolvendo mais de 900 mil hectares; a classificação de fitofisionomias do Cerrado, para auxiliar o Plano de Manejo do PNCG; além de pesquisas envolvendo o uso do Manejo Integrado do Fogo (MIF), visando à prevenção de incêndios em períodos secos do ano.

 

Quer saber mais sobre as ações desse projeto? Veja o vídeo abaixo, que mostra os seus principais resultados para a conservação das áreas úmidas da Chapada dos Guimarães e do Cerrado.


[1] Os hotsposts podem ser definidos como áreas com grande biodiversidade, ricas principalmente em espécies endêmicas, e que apresentam alto grau de ameaça. Essas áreas são, portanto, locais que necessitam de atenção urgente, sendo consideradas prioritárias nos programas de conservação.

 

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

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