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Categoria: Povos e Comunidades Tradicionais

Confira receitas fáceis e práticas com a castanha de baru

 

 

Brigadeiro de baru. Foto: Lula Lopes/Acervo Cajuí Comunicação Digital

Brigadeiro de baru 

Pela chef Eliane Regis 

Ingredientes

​400g de leite condensado 

200g de creme de leite fresco 

3 colheres (sopa) de farinha de baru 

2 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente 

Farinha de castanha de baru para polvilhar os brigadeiros 

Manteiga para untar

Modo de preparo

Farinha de baru 

Para ser transformada em farinha, a castanha de baru deve estar torrada. Retire a casca e bata as amêndoas no liquidificador ou processador. 

Brigadeiro

Em uma panela, coloque o leite condensado, a farinha de baru, o creme de leite e a manteiga. Misture bem e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até desprender do fundo da panela por cerca de 10 minutos. Retire-o do fogo, transfira o conteúdo para um prato untado com manteiga e deixe esfriar. Unte as mãos com manteiga, faça esferas e finalize com a farinha de baru.

Paçoca de baru. Foto: Raimundo Sampaio/Acervo Cajuí Comunicação Digital

Paçoca de baru

Por Pitadas de Cerrado 

Ingredientes

80g de castanha-de-baru

20g de farinha de mandioca

40g de mel

10g de água

Modo de preparo

Bata a castanha-de-baru sem casca no liquidificador até transformá-la em farinha. Reserve. Em seguida, bata a farinha de mandioca no liquidificador até que atinja consistência bem fina. Reserve.

Misture as duas farinhas com o mel e água até virar uma mistura homogênea. Reserve 5g da mistura para finalização. Faça bolinhas de 10g (como se fossem brigadeiros) e passe-as nessa mistura. Se desejar ela mais soltinha, passe-a numa peneira (como na foto).

Pé de moleque de baru. Foto: Thamirys Andrade/Acervo Cajuí Comunicação Digital

Pé-de-moleque de baru 

Por Thamyris Andrade

Ingredientes

. 300g (2 xícaras) de açúcar 

. 600ml (6 colheres de sopa) de água 

. Castanha-de-baru torrada e levemente picada 

Modo de preparo 

Leve ao fogo a água e o açúcar em uma panela. Mexa a mistura até caramelizar e alcançar o ponto de fio. Acrescente a castanha e mexa bem para incorporá-la à calda Despeje a mistura sobre a pedra de mármore (ou forma de alumínio). Espere esfriar por 1 minuto e corte o doce em quadradinhos. 

 

Podcast Guilhotina, do Le Monde Diplomatique Brasil, apresenta os saberes e a biodiversidade do “Cerrado dos Povos”

Especial apresentará 3 episódios sobre os saberes tradicionais e as lutas de quem está com os pés no chão do Cerrado

Texto e imagem: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

 

O podcast Guilhotina estreia a série especial “Cerrado dos Povos: Saberes e Biodiversidade”, produzida pelo Le Monde Diplomatique Brasil em parceria com a Actionaid Brasil e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. O primeiro episódio, que apresenta o tema “Mulheres do Cerrado”, já está disponível gratuitamente em diversas plataformas.

Ouça aqui: https://diplomatique.org.br/cerrado-dos-povos-saberes-e-biodiversidade/

O episódio de abertura conta com a participação de Célia Xakriabá, do povo Xakriabá e da aldeia Barreiro Preto, de Minas Gerais; Adalgisa Maria De Jesus, que vive em uma comunidade de Fundo e Fecho de Pasto, em Correntina, no Oeste baiano; e Miraci Pereira Silva, agricultora do assentamento Roseli Nunes, em Mirassol D’Oeste, no Mato Grosso.

O bate-papo com as mulheres cerradeiras tratou sobre as pressões que elas enfrentam em seus territórios, como o uso abusivo dos recursos hídricos por grandes fazendas, a contaminação por agrotóxicos, as lutas pela igualdade de gênero no campo e a sabedoria das mulheres do Cerrado.

Durante o podcast Dona Miraci explicou que ser mulher cerradeira é lutar para defender o território onde vive. “Ser cerradeira é ter amor pela terra, por esse bioma, pelas plantas, e buscar, de todas as formas, cuidar e defender o Cerrado. Ser cerradeira é entrar na briga para defender a terra, as águas, as plantas nativas. É não calar, não cruzar os braços e estar sempre buscando sensibilizar outras pessoas, outras mulheres, porque a destruição do Cerrado é a destruição da vida de seu povo, enfatiza a agricultora.

O especial “Cerrado dos Povos: Saberes e Biodiversidade” conta com o apoio do Projeto “Articulação em rede e participação social para a conservação do Cerrado”, realizado pela ActionAid e Campanha em Defesa do Cerrado com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Kalungas usam mapeamento digital para defender seu território

por  em 25 Março 2021 | Traduzido por Carol De Marchi e André Cherri via Mongabay Brasil

 

  • Pela primeira vez em 300 anos, o maior quilombo remanescente do Brasil mapeou a ocupação e os recursos naturais de seu território por meio de georreferenciamento.
  • Apenas metade do território Kalunga foi oficialmente titulado; o restante vive à mercê de garimpeiros e grileiros – o mapeamento digital irá ajudar a comunidade a reconhecer as áreas sujeitas a invasões.
  • Em fevereiro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente reconheceu o território Kalunga como o primeiro do Brasil a integrar a rede de Territórios e Áreas Conservados por Comunidades Indígenas e Locais (TICCA).

 

Pela primeira vez em 300 anos, o maior quilombo remanescente do Brasil conhece cada centímetro de seu território. Graças a um projeto inédito de georreferenciamento, os Kalungas puderam mapear a ocupação, os recursos naturais, as melhores terras para cultivo e as áreas sob ameaça de invasões dos 262 mil hectares da área onde vivem, no norte de Goiás.

Dirani Francisco Maia, da comunidade de Vão de Almas, com sua colheita de arroz. Foto : Sergio Amaral/MDS

Situado próximo ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga ocupa um trecho de Cerrado conhecido por sua grande biodiversidade e sua abundância de recursos naturais — o território Kalunga possui nada menos que 879 nascentes, cuja maioria desagua no Rio Paranã, um dos afluentes do Rio Tocantins.

“Agora temos uma ferramenta importante para a gestão e proteção de nosso território. Ela nos ajudará a planejar nosso futuro”, diz Jorge Oliveira, presidente da Associação Quilombola Kalunga (AQK).

Os Kalungas tiveram suas terras oficialmente reconhecidas como território quilombola em 1996, mas apenas 55,3% da área foram titulados até agora. Isso abre espaço para que o restante do quilombo seja invadido por garimpeiros em busca de ouro e pedras semi-preciosas e por grileiros, que vêm limpando ilegalmente a vegetação nativa para cultivar nas terras Kalunga.

Líderes comunitários afirmam que os grileiros frequentemente registram um terreno de 5 hectares fora do território e depois usam esta base legal para criar uma fazenda de 700 hectares, grande parte dela invadindo o quilombo.

Mapear para conhecer e proteger

Para saber quais terras poderiam ser utilizadas para agricultura e quais precisariam de proteção para se defender contra invasões atuais e futuras, os Kalungas realizaram o registro e a classificação adequada de seus recursos via georreferenciamento — ou mapeamento digital. A prática consiste no uso de imagens aéreas para mapear uma grande variedade de características do solo com extrema precisão utilizando um sistema de coordenadas geográficas.

Extremamente cara devido ao tamanho do território, a perspectiva de ajuda para o mapeamento ficou ainda mais desanimadora com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, que vem expressando hostilidade em relação ao povo quilombola desde antes da eleição para a presidência, argumentando que “nem para procriador ele serve mais”.

Antes da eleição de Bolsonaro, os Kalungas receberam um importante subsídio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF), que é apoiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento, a Conservação Internacional, a União Europeia, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente, o governo do Japão e o Banco Mundial. O CEPF, criado em 2000, tem como objetivo a promoção da conservação de áreas biológicas de alta prioridade. Em 2018, o projeto de georreferenciamnto da Associação Quilombola Kalunga (AQK) foi selecionado para o programa, tornando-se um das 60 propostas do gênero no Cerrado.

O mapeamento digital permitiu aos Kalungas traçarem com precisão a abundância de nascentes em seu território. Fonte: AQK.

A diretora de subsídios do CEPF, Peggy Poncelet, explica por que a AQK foi selecionada: “É muito difícil para as comunidades tradicionais obterem o reconhecimento de seus territórios, deixando-as vulneráveis à apropriação de terras. E porque esta comunidade está comprometida com a conservação da incrível biodiversidade encontrada em suas terras, foi importante para o CEPF fornecer-lhes os meios para seguir fazendo exatamente isso”.

Munidos de equipamentos e suporte técnico, os Kalungas realizaram um georreferenciamento detalhado de todo o seu território entre 2019 e 2021. Graças ao mapeamento digital, agora eles sabem exatamente onde vivem as 1.600 famílias da área, o que produzem, se têm acesso à eletricidade, o grau de preservação dos recursos hídricos e do solo da comunidade, que tipo de agricultura é adequada à terra, e muito mais.

O CEPF também financia os Kalungas em seus esforços educacionais, construindo uma consciência ambiental na região, particularmente no que diz respeito às 19 espécies ameaçadas da fauna e da flora que se encontram no território. Entre elas estão a Griffinia nocturna, planta que floresce à noite, e duas aves: o jacu-de-barriga-castanha (Penelope ochrogaster) e a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus).

Onda de invasões

Os Kalungas esperam que o projeto de georreferenciamento sirva como uma ferramenta valiosa para ajudá-los a deter a mais nova onda de invasores.

Oliveira, da AQK, conta como foi alvo de violência em 2015: “Derrubaram minha casa e depois a queimaram, junto com meus campos, destruindo os 45 sacos de arroz que já havíamos colhido”. Oliveira, sua esposa e os oito filhos passaram dois anos trabalhando para recuperar as colheitas perdidas. Ninguém foi acusado do crime, e as agressões contra os Kalungas continuam. Em fevereiro, uma casa na comunidade de Vão de Almas foi demolida com uma motosserra.

Frutos de buriti, espécie nativa do Cerrado coletada pelos Kalungas. Foto: Elder Miranda Jr./AQK.

Grileiros também estão destruindo a flora nativa do Cerrado, da qual os Kalungas extraem frutos como buriti, mangaba, cajuzinho do cerrado, pequi e castanha de baru como complemento à sua subsistência. “São exatamente estas áreas, ricas em frutas comestíveis e ervas medicinais, que [os invasores] estão abrindo caminho para as monoculturas”, diz Oliveira.

Em junho de 2020, grileiros limparam 500 hectares de vegetação nativa para plantar soja dentro do quilombo. Eles usaram o sistema de correntão, no qual uma corrente é suspensa entre dois tratores que avançam derrubando tudo o que encontram pelo caminho. Este modelo é amplamente condenado por seus danos ambientais, mas as correntes são facilmente encontradas para compra na internet, com vários vídeos mostrando como são utilizadas.

Os Kalungas prestaram queixa de roubo de terra às autoridades estaduais, que na época estavam preocupadas com a possibilidade de um boicote internacional às commodities brasileiras devido ao aumento de incêndios e desmatamento no Cerrado e na Amazônia. As autoridades investigaram a grilagem da terra e impuseram uma multa de 5 milhões de reais aos criminosos, além de agirem contra a mineração ilegal no quilombo e apreenderem equipamentos dos garimpeiros. Ainda assim, invasores seguem chegando ao território Kalunga.

Territórios para a Vida

Os Kalungas estão resistindo a essas invasões com confiança crescente e com o aumento do apoio internacional. No início de fevereiro, o Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa da ONU para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC) reconheceu o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga como o primeiro TICCA (Territórios e Áreas Conservados por Comunidades Indígenas e Locais) no Brasil.

Este título só é concedido a territórios tradicionais bem conservados nos quais as comunidades mantêm uma profunda conexão com o lugar onde habitam, praticam processos internos efetivos de gestão e governança da terra e possuem um bom histórico na promoção do bem-estar do povo —criando o que o UNEP-WCMC chama de “Territórios para a Vida”.

Cachoeira do Rio da Prata, identificada com potencial para futura atração ecoturística. Foto: Elder Miranda Jr./AQK.

Rafaela Nicola, coordenadora do Consórcio TICCA e diretora da Wetlands International no Brasil, descreve o primeiro passo para conquistar o título: “O que é diferente em nosso processo é que as próprias comunidades, durante as reuniões em que discutem as ferramentas que utilizam para o empoderamento e para o planejamento territorial, trabalham a questão de como se tornar um TICCA se encaixaria nas visões de si mesmas.”

O pedido de reconhecimento de uma comunidade é então revisado não por burocratas, mas por líderes de territórios tradicionais já reconhecidos como TICCAs, para avaliarem se o candidato preenche os requisitos.

Oliveira, presidente da AQK, acredita que o reconhecimento TICCA também ajudará a convencer os jovens a permanecerem no quilombo. “Hoje muitos partem para estudar e não voltam porque querem a segurança do direito à terra e mais oportunidades para aumentarem suas rendas.”

No momento, a pequena renda em dinheiro do quilombo é quase que inteiramente proveniente de um único projeto de turismo sustentável, administrado por apenas uma das comunidades. Durante o período de férias na estação seca, a comunidade Engenho II, no município de Cavalcante, recebe turistas em busca das numerosas cachoeiras da região.

A atividade, suspensa durante a pandemia da covid-19, proporcionou uma renda a 300 guias de diferentes comunidades, todos treinados pela AQK, ao mesmo tempo em que promoveu a venda de artesanato comunitário e produtos do Cerrado.

A conclusão do projeto de mapeamento digital do território Kalunga preparou o caminho para o turismo no futuro ao identificar outros 69 atrativos naturais com potencial para serem promovidos após consulta às comunidades.

Outros benefícios trazidos pelo georreferenciamento são o maior conhecimento dos solos da região e sua fertilidade natural, bem como a melhor compreensão da topografia e da disponibilidade de água, resultando num uso mais eficiente da terra. A adoção de tecnologia apropriada trará maiores rendimentos agrícolas sem a degradação dos recursos naturais do território.

Acesse a matéria no site da Mongabay Brasil.


Sobre a Associação Quilombo Kalunga e o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado)

A Associação Quilombo Kalunga é uma organização civil, sem finalidade econômica, fundada em outubro de 1999. Representa o maior território de quilombo no Brasil, com 262 mil hectares de terras. A AQK defende os interesses dos moradores do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), que abrange os municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás.

O projeto, fomentado pelo CEPF e com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)tem como objetivos conhecer com profundidade a realidade das comunidades Kalunga, usar a tecnologia de geoprocessamento  para mapear detalhadamente o território, promover a ocupação do SHPCK de uma forma mais sustentável e fazer com que os Kalunga sejam reconhecidos internacionalmente como defensores da conservação da biodiversidade.

Para mais informações sobre a Associação Quilombo Kalunga acesse a página oficial no Facebook.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Curso sobre apicultura para os quilombolas Kalunga tem reserva de 50% das vagas para mulheres

Iniciativa da Associação Quilombo Kalunga (AQK), Instituto Tiradentes (IE) e do CEPF Cerrado/IEB, o curso sobre apicultura movimentou 16 jovens quilombolas Kalunga, entre os dias 26 a 30 de outubro, na cidade de Niquelândia, em Goiás

por Luana Luizy, Assessoria de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

 

A busca por uma economia agroextrativista diversificada levou à ideia de realizar essa capacitação com os jovens quilombolas Kalunga. Foto: Manuel Júnior/Acervo Instituto Educacional Tiradentes

A busca por uma economia agroextrativista diversificada levou à ideia de realizar essa capacitação, já que os quilombolas Kalunga estão sofrendo impactos com a pandemia, pois uma das principais formas de geração de renda para os quilombolas é o turismo na região.

 O curso deixou como resultado a construção de oito apiários com pequenas unidades de extração de mel.  A iniciativa procurou gerar autonomia para os quilombolas, que se encontram em áreas isoladas e de difícil acesso à  comunidade, onde a energia elétrica, até  hoje, não existe.

“O mel é um produto que você pode conservar  por até dois anos; ele não pode ser refrigerado, senão estraga. Esse projeto veio atender comunidades abandonadas pelo poder público”, explana Manoel Júnior, do Instituto Tiradentes.

A capacitação – que busca formar jovens multiplicadores – destinou 50% das vagas para mulheres, priorizando a equidade de gênero, como forma de promover a autonomia de renda para esse grupo. Sirleia  Torres,  28 , conta que a capacitação é bastante importante para que ela encontre oportunidades financeiras.

“Agora vou ampliar as minhas possibilidades no mercado de trabalho. A cada dia aprendo mais sobre a apicultura; tem sido uma experiência incrível”, afirma a jovem quilombola.

“A desigualdade de gênero é uma realidade dentro dessas comunidades. É a mulher quem organiza a casa e os plantios, mas a renda fica toda com os homens. Então, esse curso prioriza que elas possam ter mais autonomia”, declara Manuel.

Sobre a Associação Quilombo Kalunga e o CEPF Cerrado

A Associação Quilombo Kalunga é uma organização civil, sem finalidade econômica, fundada em outubro de 1999. Representa o maior território de quilombo no Brasil, com 262 mil hectares de terras. A AQK defende os interesses dos moradores do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (SHPCK), que abrange os municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás.

O projeto, fomentado pelo Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado) e com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasiltem como objetivos conhecer com profundidade a realidade das comunidades Kalunga, usar a tecnologia de geoprocessamento para mapear detalhadamente o território, promover a ocupação do SHPCK de uma forma mais sustentável e fazer com que os Kalunga sejam reconhecidos internacionalmente como defensores da conservação da biodiversidade.

 

Conheça mais sobre a AQK: http://quilombokalunga.org.br/PKS/?page_id=27

Conheça mais sobre o Instituto Educacional Tiradentes: https://institutotiradentes.com.br/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

O cooperativismo e a agroecologia de mãos dadas: conheça o trabalho da Grande Sertão

O cooperativismo e a agroecologia de mãos dadas: conheça o trabalho da Grande Sertão

por Luana Luizy, Assessoria de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

 

Aliada à conservação ambiental, a cooperativa Grande Sertão, em Montes Claros, também ao norte de MG, foi fundada em 2003, e trabalha com alimentos provenientes da agricultura familiar.

O produto de destaque  é o óleo de buriti, utilizado pelas indústrias cosmética e alimentícia.

A saborosa cerveja de coquinho azedo. Foto: Acervo Grande Sertão

Atualmente, a Grande Sertão conta com 230 cooperados, abrange 30 municípios e envolve, indiretamente, 2 mil famílias e 350 comunidades rurais. “Buscamos novos canais de comercialização para  nos fortalecer cada vez mais,  e tudo é realizado  dentro dos princípios do manejo sustentável”, pontua Fábio Soares, dirigente da  cooperativa.

Ao todo, são mais de 25 espécies processadas, como  araticum, cagaita, murici, cajá, jatobá, pequi, entre outras. O mel, a rapadura e a cachaça também fazem parte da lista de produtos comercializados pela Grande Sertão, que também produz e vende uma saborosa iguaria feita a partir do coquinho azedo: a cerveja artesanal que já é famosa Brasil afora.

Parceria com o CEPF Cerrado e IEB

Com o apoio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), através do projeto “Buriti – geração de renda para jovens e mulheres, conservação das Veredas e Chapadas”, a cadeia de produção do buriti pela Grande Sertão saiu fortalecida. O projeto favoreceu a extração e comercialização do óleo do fruto, contribuindo para a conservação das Veredas, um tipo de ecossistema do Cerrado onde nasce a palmeira e um importante berço de nascentes. “A partir da iniciativa, demos força para que o comércio se estruturasse; também foi um instrumento para manter essas áreas conservadas”, declara Aryanne Amaral, assistente de projetos da estratégia de implementação do CEPF Cerrado.

Raspas de buriti. Foto: Acervo Cooperativa Grande Sertão

A comercialização do óleo alcançou êxito, e, hoje, a Grande Sertão atingiu o mercado internacional com o produto e conta com clientes de renome, como a gigante brasileira Natura. Mulheres e jovens foram envolvidos nesse processo e saíram beneficiados, sendo importantes atores na conservação do Cerrado.

Na cadeia produtiva do buriti, as mulheres  estão à frente: são elas que coletam, extraem o óleo, a polpa, secam e embalam. Com esse projeto, as mulheres passaram a ter autonomia financeira”, conta Fábio Soares.

Covid-19

Agricultora familiar. Foto: Acervo Cooperativa Grande Sertão

A pandemia, claro, também trouxe impactos no dia a dia dos associados da Grande Sertão, que viram as vendas despencarem. Se não dá para comercializar os produtos da agricultura familiar nas  feiras coletivas, os cooperados precisaram repensar os mecanismos de sobrevivência no mercado.

“Estamos com mais de 30 toneladas de polpas de frutas estocadas, com o prazo de validade por vencer. Estamos buscando novas estratégias, como transformar essas polpas em geleias, ou desenvolver uma  linha de suco pronto.  Mas temos um desafio, já que não usamos conservantes; o produto é natural”, pondera  Soares.

Sobre a Grande Sertão

A Cooperativa Grande Sertão desenvolve ações em torno da sustentabilidade e da agroecologia, com o objetivo de promover o fortalecimento das comunidades agroextrativistas. O associativismo e o cooperativismo, as boas práticas de produção com os frutos do Cerrado, promovem a gestão e a conservação dos territórios rurais onde se pratica o agroextrativismo sustentável.

 

Para mais informações sobre a Grande Sertão, acesse: https://www.facebook.com/cooperativagrandesertao/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Novo app permite que comunidades tradicionais se localizem no mapa

Com o Tô no Mapa, agricultores familiares e povos tradicionais ajudam a preencher lacuna de dados oficiais e identificam geograficamente a localização dos territórios onde vivem

Via Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)

 

Construído a partir do diálogo com moradores e associações de áreas rurais do Cerrado, aplicativo Tô no Mapa permite que comunidades tradicionais e agricultores familiares façam o automapeamento de seus territórios.

A ferramenta visa suprir a ausência de dados oficiais em uma área de cerca de 32 milhões de hectares de Cerrado. O Tô no Mapa é uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e com apoio da Rede Cerrado, além de financiamento da Aliança pelo Clima e Uso do Solo (da sigla em inglês, CLUA).

O lançamento do aplicativo é um desdobramento de oficinas participativas de mapeamento realizadas pelas duas organizações em 2019. Elas ocorreram em 55 municípios do Maranhão, de Tocantins, do norte de Goiás, do Piauí e do oeste da Bahia, e identificaram 1.244 comunidades fora das demarcações oficiais.

No sul do Maranhão, foram identificadas 237 comunidades até então sem registros geográficos. Outras 104 foram mapeadas na fronteira norte do Tocantins com o Maranhão. No oeste da Bahia, foram 630 comunidades e, no sul do Piauí, 273.

Os dados, que ultrapassam os registros oficiais, ainda têm muito a crescer. O Tô no Mapa, portanto, entra em cena para dar seguimento ao projeto, alcançar comunidades e visibilizar populações não reconhecidas pelo poder público. “Esse é um instrumento potente para que comunidades possam construir um mapa do Brasil que seja mais próximo da realidade. É um meio de mostrar ao país o quanto somos diversos e quantos mundos cabem em um único mapa”, comenta a secretária executiva da Rede Cerrado, Kátia Favilla.

Endossando o discurso, Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado e Caatinga do ISPN, reforça a necessidade de mapear essas populações. “Entendemos que mapas são instrumentos de luta, instrumentos políticos. Queremos disponibilizar uma ferramenta para que as comunidades se apropriem e possam, elas mesmas, definir seus territórios e, assim, contribuir para a garantia de seus territórios”, afirma.

O mapeamento, que contou com financiamento do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF), concluiu que grande parte das comunidades que vivem no Cerrado e sofrem atualmente com as mudanças do uso do solo não estava representada em documentos oficiais. Além disso, o desmatamento e a agropecuária feita de forma desordenada vêm avançando em um bioma que já perdeu metade de sua vegetação nativa, prejudicando os povos que tradicionalmente vivem na região, inclusive populações das áreas urbanas.

Contornos de histórias milenares

Com o Tô no Mapa, o usuário pode, agora, definir os limites de sua comunidade e indicar locais onde ocorre algum tipo de conflito, seja invasão, garimpo ou outra ameaça. Grupos de famílias, que vivem há anos nessas regiões, terão uma visão mais abrangente e confiável acerca de seu território, e poderão mapear também locais de uso, como extrativismo de frutos, roçado e pesca, por exemplo. O aplicativo pode ser ainda uma ferramenta importante para a discussão sobre o manejo do território, educação ambiental e engajamento da juventude.

A diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, destaca que a iniciativa também está articulada com a Plataforma de Territórios Tradicionais do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), criada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e lançada em agosto de 2019. “Essa integração permite dar uma escala maior à importância do reconhecimento dos direitos territoriais dessas populações rurais frente ao poder público. Com o Tô no Mapa, lançamos um espaço virtual e robusto para dar voz a quem precisa.”

Incluir a comunidade no aplicativo não significa a legalização, titulação ou demarcação do território pelo órgão competente, mas é um primeiro passo para que as comunidades passem a ser vistas pelas políticas públicas. A integração com a Plataforma de Territórios Tradicionais do CNPCT permite que o usuário possa optar por preencher algumas informações adicionais e enviar o registro também à Plataforma, onde o cadastro é recebido e segue o rito normal de validação exigido.

Aplicativo Tô no Mapa

Disponível para Android.
Download pela
Playstoreou pelo site: www.tonomapa.org.br


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Cooperativa Grande Sertão divulga termo de referência para contratar serviço técnico especializado

A Cooperativa Grande Sertão vem desenvolvendo ações em torno da sustentabilidade e da agroecologia, discutindo novos conceitos, apresentando soluções e desenvolvendo estratégias de ação colaborativa no intuito de promover o fortalecimento das comunidades agroextrativistas. Dentre as ações desenvolvidas destaca-se um processo contínuo de transferência e construção do conhecimento com práticas de formação em associativismo e cooperativismo, boas práticas de produção e desenvolvimento de produtos alimentícios com frutos do Cerrado, além de buscar fortalecer a gestão e conservação dos territórios rurais onde se pratica o agroextrativismo sustentável.

Dessa forma cadeias produtivas de frutos do Cerrado vêm sendo organizadas, construídas e fortalecidas, como exemplo: o buriti (Mauritia flexuosa) que ocorre em regiões de veredas com abundância de água, vem sendo aproveitado de forma sustentável para a produção de polpas e extração de óleos; o pequi (Caryocar brasiliense) utilizado para a produção de farinhas, polpas e óleos; o coquinho-azedo (Butia captata) utilizado para produção da polpa congelada, cervejas e doces; o baru (Dipteryx alata), que além do consumo in natura, está sendo em experimento para a produção de óleos e outros produtos em potencial, que estão em processo de desenvolvimento. A Cooperativa segue buscando formas de ampliar o trabalho para novas comunidades e municípios do norte de Minas Gerais, com foco em fortalecer as economias locais e promover a conservação dos ecossistemas.

Neste sentido, a Cooperativa Grande Sertão torna público aos/as interessados/as o termo de referência para a contratação de serviço técnico especializado para apoiar às atividades de assistência técnica, visando a padronização e a melhoria contínua da qualidade nutricional e sanitária dos produtos do Cerrado que são coletados, processados e comercializados pela Cooperativa. O objetivo é potencializar o uso sustentável dos frutos nativos do Cerrado e fortalecer as economias das comunidades agroextrativistas, visando as melhores práticas de manejo e conservação do hotspot Cerrado e do corredor Grande Sertão Veredas-Peruaçu dentro do projeto “Grande Sertão – Extrativismo, Conservação e Renda”.

Os profissionais interessados em executar os serviços apresentados terão até o dia 27 de julho de 2020 às 23h59m, para enviarem via e-mail as suas propostas, juntamente com a documentação solicitada conforme descrito no Termo de Referência.

Para mais informações, entre em contato com:

José Fábio Soares

telefone: (38) 3223-2285

e-mail: cooperativagrandesertao@gmail.com

 

Acesse o Termo de Referência:


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

No dia da Biodiversidade, mulheres do Cerrado debatem modos de vida e resistências nos territórios

Transmissão faz parte da série de lives ‘’Bate-papos: Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade’’

No dia 22 de maio, data que marca o Dia Internacional da Biodiversidade, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado inicia a série de transmissões virtuais ‘’Bate-papos: Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade’’, realizada em parceria com o Observatório De Olho nos Ruralistas. O episódio de estreia será transmitido às 16h e apresentará o tema ’A força das Mulheres do Cerrado: Raizeiras e Quebradeiras’’, contando com a participação de representantes de entidades e movimentos que integram diferentes frentes da luta por direitos em territórios do Cerrado.

O primeiro episódio da série jogará luzes para os modos de vida e as formas de resistência das mulheres quebradeiras de coco-babaçu e das raizeiras do Cerrado. Aparecida Vieira e a quilombola Lucely Morais, mestras em Saberes Tradicionais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de Brasília (UnB), respectivamente, representarão as raizeiras na roda de diálogo. Ambas fazem parte da coordenação da Articulação Pacari, uma rede socioambiental formada por organizações comunitárias que praticam medicina tradicional através do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado.

O time das quebradeiras de coco-babaçu contará com a participação de Socorro Teixeira, do Tocantins, presidente da Rede Cerrado e parte da Coordenação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco-babaçu (MIQCB), e Helena Gomes, do Piauí, vice coordenadora do MIQCB. Maria Emília Pacheco, da FASE e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), integrará o bate-papo como debatedora juntamente com Valéria Santos, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da coordenação executiva da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que facilitará a roda de diálogo.

Guardiãs e guardiões de saberes tradicionais

Os povos do Cerrado são herdeiros e operacionalizam saberes ancestrais e tradicionais que guiam, há inúmeras gerações, o manejo das matas e paisagens, que fazem dessa rica savana uma das regiões mais biodiversas do planeta. “Se ainda há Cerrado em pé é porque esses povos estão com os pés no chão do Cerrado. É por isso que não existe defesa do Cerrado sem a defesa dos territórios do Cerrado, onde esses povos conservam a biodiversidade por meio de seus modos de vida’’, afirma Valéria Santos, da coordenação executiva da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado.

O amplo aproveitamento da palmeira do coco-babaçu pelas quebradeiras do Maranhão até o Mato Grosso (passando pelo Pará, Piauí, Tocantins e chegando até a Chiquitania na Bolívia) depende de um conjunto de saberes passado entre mulheres ao longo de muitas gerações. Através desses múltiplos usos, a “mãe-palmeira”, como dizem as quebradeiras, traz alimento e sustento para milhares de famílias do nosso Cerrado.

Apesar disso, muitas vezes as quebradeiras têm que lutar contra grandes proprietários que querem derrubar as palmeiras e impedir o acesso delas aos babaçuais. Tudo isso as levou a se organizar no MIQCB para conseguir “libertar o coco” e se fortalecerem na produção e comercialização.

Pimenta de macaco, árvore do Cerrado de uso econômico e tradicional. Foto: ©Aryanne Amaral / Acervo IEB

Outro saber tradicional dos povos do Cerrado é o do uso das plantas medicinais que compõem a “Farmacopeia Popular do Cerrado”. As raizeiras e raizeiros são reconhecidos em suas comunidades pela prática de diferentes ofícios de cura a partir da aplicação de variedades de plantas, raízes, frutos, argilas e seus preparados. ‘’A criminalização e depreciação da importância biocultural dessas práticas levou as raizeiras a se organizarem na Articulação Pacari e a lançarem o Protocolo Biocultural das Raizeiras do Cerrado, buscando defender seu direito de praticar a medicina tradicional’’, afirma Valéria.

Não bastasse a falta de reconhecimento da importância de suas práticas para a diversidade cultural e biológica do Cerrado, as quebradeiras e as raizeiras ainda têm enfrentado a ameaça de um novo tipo de roubo e cercamento: a apropriação por empresas do patrimônio genético do qual são guardiãs.

Programação

A série de bate-papos ‘’Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade’’ realizará a transmissão de diálogos centrados nas populações que promovem a conservação da biodiversidade do Cerrado: indígenas, quilombolas e os povos e comunidades tradicionais da região. Com dois episódios previstos por mês, a série acontecerá até o mês de agosto.

Nesse momento de pandemia por conta do coronavírus, Aparecida Vieira destaca a importância da iniciativa de visibilizar o trabalho das mulheres raizeiras nos territórios. ‘’Precisamos anunciar que os trabalhos das mulheres guardiãs dos saberes tradicionais não foram interrompidos nesse momento que vivemos. Pelo contrário, é um trabalho fundamental para a saúde das comunidades’’, destaca a raizeira.

CEPF Cerrado e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado visita Comunidades e Povos Tradicionais da região do Corredor Mirador-Mesas, situado nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, através do Projeto ‘’Articulação em rede e participação social para a conservação do Cerrado’’, que conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com coordenação da ActionAid Brasil. Com foco na valorização dos modos de vida dos Povos e Comunidades Tradicionais e no fortalecimento das ações de participação social e luta por direitos territoriais desses grupos, a pesquisa busca subsidiar a atuação da Campanha, de suas organizações integrantes e das populações que vivem no Cerrado.

 

Serviço:

Debate virtual ‘’ A força das Mulheres do Cerrado: Raizeiras e Quebradeiras’’

Data/horário: 22 de maio, às 16h (horário de Brasília)

Canal de transmissão: www.facebook.com/campanhacerrado

Realização: Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

Parceria: Observatório De Olho nos Ruralistas

 

Contato de Imprensa:

Bruno Santiago

comunicacerrado@gmail.com

+55 011 99985 0378


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Agricultores familiares lançam loja virtual com produtos dos biomas Cerrado e Caatinga

O e-commerce da Central do Cerrado reúne mais de 30 associações e cooperativas de diferentes pontos do país

Extrativismo de pequi (Caryocar brasiliense), Comunidade de Pedras, Januária, MG. Foto: Andre Dib

Baru, jatobá, pequi, umbu. Ingredientes regionais que simbolizam a biodiversidade encontrada nos sabores brasileiros. A safra do Cerrado e da Caatinga inspira agricultores que residem nestes territórios — nos Estados de Minas Gerais, Distrito Federal, Tocantins, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, Pará e Goiás — a beneficiarem produtos alimentícios e a produzirem artesanato com riqueza cultural que garante autonomia e renda.

Comunidades de agricultores familiares extrativistas protagonizam esse trabalho, que raramente ocupam as prateleiras dos supermercados. Juntas elas formam a Central do Cerrado: uma cooperativa formada por mais de 30 organizações comunitárias (entre cooperativas e associações) e funciona como uma ponte entre quem produz e quem consome. Em tempos de fortalecimento do serviço de entregas, a Central inaugura uma nova plataforma onde o internauta de qualquer lugar do país encontra mais de 200 itens e pode recebê-los sem sair de casa.

“Com a situação do COVID19 e isolamento social muitas dessas comunidades tiveram o escoamento de sua produção comprometidos. A venda pela loja virtual é uma forma de escoar os produtos dessas comunidades e garantir renda para as famílias agroextrativistas. A comercialização ajuda a manter o Cerrado e Caatinga em pé, conservar a biodiversidade nativa, incentiva a permanência no campo, valoriza a cultura local e o modo de vida tradicional”, ressalta o secretário executivo da Central do Cerrado, Luis Roberto Carrazza.

As agroindústrias das comunidades de produtores da Central do Cerrado operam observando os cuidados básicos de distanciamento social, uso de máscaras, cuidados redobrados de higienização pessoal, esterilização das estruturas de equipamento e insumos: detalhes também observados pela equipe da Central do Cerrado no preparo e envio dos pedidos da loja virtual.

Castanhas-de-pequi (Cooperuaçu). Foto: Marcus Desimoni / NITRO

Produtos da sociobiodiversidade 

Entre as opções de compra estão alimentos como farinhas especiais com destaque para o mesocarpo de babaçu (500g, R$ 15) da Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Esperantinópolis (Coopaesp) da comunidade tradicional das quebradeiras, de Esperantinópolis, no Maranhão; as farinha de buriti (1 kg, R$ 50) da cooperativa Grande Sertão de Montes Claros, Norte de Minas Gerais — além do flocão de milho não-transgênico (500g, R$ 7) (matéria-prima para o cuscuz nordestino) da Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), de Irecê, na Bahia.

As castanhas brasileiras também ganham destaque no novo site, entre elas a castanha-de-baru da cooperativa Copabase (300g, R$35), super proteica e energética, um dos grandes ícones do Cerrado. Pouco utilizada pelos chefs de cozinha, a castanha-de-pequi (100g, R$15) também figura entre as oleaginosas oferecidas pela Central do Cerrado lado a lado da amêndoa de licuri torrada (100g, R$7), da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), também chamado de coquinho na Bahia e rico em proteínas. Na categoria bebidas a página apresenta o licor de pequi da marca familiar Savana Brasil (700ml, R$70) e a cerveja de coquinho azedo fruit beer (600ml, R$ 25)  da cooperativa Grande Sertão, de Montes Claros, Minas Gerais.

Castanha-de-baru (Copabase). Foto: Raimundo Sampaio / Acervo Cajuí Comunicação Digital

Além dos produtos, o internauta encontra informações sobre a origem social das comunidades produtoras e a origem territorial. Entre os conteúdos da plataforma estão receitas, fichas técnicas e dicas de uso.

Saiba mais sobre a Central do Cerrado

A Central do Cerrado é uma cooperativa formada por diversas organizações comunitárias de agricultores familiares extrativistas do Cerrado e da Caatinga. Nossa missão é manter os modos de vida tradicionais e conservação dos territórios onde vivem esses povos a partir da comercialização de produtos desenvolvidos através do uso sustentável da biodiversidade nativa.

Serviço
Lançamento loja virtual Central do Cerrado

Dia 15/05 (sexta-feira)
Produtos Ecossociais do Cerrado e da Caatinga

Entregas em todo o Brasil
www.centraldocerrado.org.br

 Contato para imprensa: cajui@cajuicomunicacaodigital.com.br


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

COPABASE lança série de cartilhas voltada aos agricultores familiares

A Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária – COPABASE, fundada em 23 de fevereiro de 2008, na cidade de Arinos/MG é promotora na articulação de ações voltadas ao Desenvolvimento Regional Sustentável e que viu na estruturação de grupos de interesse em diversas cadeias produtivas agroextrativistas, a necessidade de organização e autonomia das famílias de agricultores familiares e extrativistas em um instrumento jurídico capaz de atuar não somente na organização da produção, mas garantir o processamento e a comercialização dos produtos que surgem daí mantendo o princípio da sustentabilidade.

Através do apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), a COPABASE vem executando o projeto Práticas sustentáveis de produção como promotoras de conservação da biodiversidade no Sertão Urucuiano, cujo objetivo é promover à diversificação da produção agroextrativista com manejo sustentável por meio da estruturação coletiva das famílias na região da bacia do Rio Urucuia, um dos principais afluentes do São Francisco. Ao longo de sua atuação, o projeto já disseminou tecnologias e práticas sustentáveis de produção agroextrativista, segurança alimentar e organização socioeconômica e desenvolveu ações de conservação da biodiversidade do cerrado Urucuiano, por meio do envolvimento das famílias rurais e rede de organizações parceiras. Um dos produtos deste trabalho de disseminação foram as cartilhas, que abordam temas como: agroecologia, cooperativismo, água, pragas e doenças, etc. Todo este material será distribuído aos agricultores familiares nas áreas de atuação do projeto.

Até então, através da assistência técnica e visitas realizadas pela equipe, o projeto coletou diversos dados, fez georreferenciamento das propriedades e atingiu uma área de abrangência que soma 2.500 ha. Em Dezembro de 2019, as comunidades envolvidas passaram de 20 para 52, envolvendo agricultores extrativistas de 10 cidades do entorno da cooperativa.

Acesse as cartilhas na íntegra:

 

Ficou interessado?  Conheça a COPABASE e seus produtos através do site!

Conheça mais projetos apoiados pelo CEPF Cerrado e IEB no nosso site.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Rede Cerrado: 27 anos de articulação de povos e comunidades tradicionais

por Thays Puzzi, assessoria de comunicação da Rede Cerrado

Apoio do CEPF e DGM/Brasil conseguiu multiplicar ações de fortalecimento e integração entre as mais 50 organizações associadas

Constituída na década de 1990 durante a ECO-92 por um conjunto de entidades que, naquele momento, viram na articulação em rede uma estratégia de luta e resistência, a Rede Cerrado, ao longo de mais de 25 anos de história, tornou-se referência na área socioambiental e no apoio à construção de políticas públicas que visam conservar o Cerrado e garantir direitos aos povos e às comunidades tradicionais que habitam o Bioma. Nos últimos dois anos (2018-2019), em especial, a Rede Cerrado, por meio do apoio do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e do DGM/Brasil, conseguiu multiplicar ações de fortalecimento e integração entre as mais 50 organizações associadas.

Mesa de abertura do IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, realizado de 11 a 14 de setembro de 2019, Brasília, DF. Foto: ©Aryanne Amaral/Acervo IEB

“A Rede Cerrado atuou junto às organizações associadas para apoiar, por exemplo, o Ministério Público Federal na construção de plataforma de Territórios Tradicionais, realizou uma série de encontros e seminários sobre territórios com representantes de povos e comunidades tradicionais, realizou a nona edição do Encontro e Feira dos Povos do Cerrado e, está em fase final de apoio na construção de um aplicativo, desenvolvido pelo IPAM, para mapeamento de Territórios Tradicionais. Foram muitas ações realizadas com o apoio do CEPF e das entidades associadas”, destacou Rodrigo Noleto, coordenador do programa Amazônia do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Para ele, é importante manter a Rede Cerrado viva, pois, segundo Noleto, muitas vezes ela é a voz de socorro, de apoio e de articulação de povos e comunidades tradicionais. “Espero que a Rede Cerrado possa sair fortalecida, e mantenha as condições de articulação tão necessárias para esse período em que vivemos”, observou.

O sentimento é compartilhado pelo geraizeiro Samuel Caetano, do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais (CAA-NM). Para ele, a Rede Cerrado é uma parceira estratégica para as organizações que prezam pelo desenvolvimento sustentável e uma relação mais harmoniosa com o meio ambiente. “A Rede Cerrado se consolidou como um espaço político para essas organizações, pois proporciona a unificação das lutas com um debate mais qualificado e estratégico. É onde nós, povos e comunidades tradicionais do Cerrado, trocamos experiências, pensamos e formulamos políticas públicas que defendam o Cerrado e seus povos”, ressaltou.

Foto: ©Acervo Rede Cerrado

Já Maria do Socorro Teixeira Lima, quebradeira de coco babaçu e coordenadora-geral da Rede Cerrado, os últimos dois anos foram essenciais para o fortalecimento institucional da Rede Cerrado. Para ela, agora, é preciso ampliar o trabalho junto às comunidades de base. “Por isso a continuidade da Rede Cerrado é tão importante. Nós a resgatamos, a reestruturamos. Deixo esse recado para os nossos parceiros”. Rose Mary Araújo, da Mulheres em Ação do Pantanal (Mupan), considera essencial o apoio dado à Rede Cerrado. “Não existem paisagens sem pessoas e a Rede Cerrado precisa muito desse apoio, principalmente agora que estamos restabelecidos. No campo político não existe outra organização como a Rede Cerrado”, destacou. César Victor do Espírito Santo, da Fundação Pró-Natureza (Funatura) disse que o CEPF veio suprir uma lacuna no Cerrado, já que ele, historicamente, é um Bioma que recebe poucos recursos para projetos de conservação. “O fortalecimento da Rede Cerrado é muito importante para fazer com que as pautas do Cerrado sejam levadas a diante. Não somente dos povos e comunidades tradicionais, mas também as relacionadas à conservação da biodiversidade’, completou.

O objetivo principal do projeto apoiado pelo CEPF Cerrado foi fortalecer institucionalmente a Rede Cerrado, além de ampliar sua incidência. A principal ação foi a realização do IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado que reuniu na capital federal, Brasília, mais de 500 representantes de povos e comunidades tradicionais de todo o Cerrado e cerca de sete mil pessoas da sociedade em geral. Além de trocarem experiências entre si e debaterem estratégias para a manutenção do Cerrado em pé, eles puderam expor produtos da sociobiodiversidade e mostrar um pouco da diversidade cultural e gastronômica para cerca de sete mil pessoas que prestigiaram o evento.

I Oficina de Territórios da Rede Cerrado realizada em novembro de 2018. Foto: ©Thays Puzzi/Acervo Rede Cerrado

Outro projeto que permitiu a ampliação das ações da Rede Cerrado foi o Programa DGM/FIP (Dedicated Grant Mechanism for Indigenous People and Local Communities – Fundo de Investimento Florestal), do Banco Mundial.

Para Kátia Favilla, secretária-executiva da Rede Cerrado, esses últimos dois anos foram essenciais para reforçar os processos de articulação e animação da Rede Cerrado. “Para os próximos anos, o maior desafio será a atuação em conjunto das organizações em um cenário com poucos recursos financeiros e desmonte de políticas públicas ambientais e de garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais. Somente com a união das entidades e o fortalecimento das comunidades em suas localidades, além de um forte trabalho de base, poderemos garantir a existência do Cerrado e dos seus povos”, afirmou Favilla.

Rede Cerrado e CEPF Cerrado

A Rede Cerrado conta com apoio do CEPF Cerrado para executar o projeto “Rede fortalecida, Cerrado conservado”, que tem o objetivo de ampliar a incidência política da Rede na elaboração, implementação e monitoramento de políticas públicas de promoção ao desenvolvimento sustentável, com respeito aos direitos de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

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