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Bacia que abastece área de transição entre Pantanal mato-grossense e Cerrado sofre ameaças do agronegócio

 

 

Projeto investe na conservação de recursos hídricos que abastecem comunidades tradicionais no Mato Grosso

por Luana Luizy, Assessora de Comunicação, Instituto Internacional de Educação do Brasil

Em meio às áreas de pressão do agronegócio, a bacia do Rio de São Lourenço, no estado do Mato Grosso, é uma das principais formadoras do Pantanal, mas sofre com os constantes impactos na qualidade da água, vindos das hidrelétricas, das monoculturas de soja e do pasto, turismo, pesca e diluição de esgotos, presentes na região.

Identificação da qualidade de água na Bacia do Rio São Lourenço, MT. Foto: Acervo Departamento de Geografia – UFMT

Localizada em uma região de rica biodiversidade, uma vez que está em uma área de transição entre o Cerrado e o Pantanal, a bacia do Rio São Lourenço também é de suma importância para as comunidades tradicionais, tais como assentados/as, indígenas e pescadores/as.

“A bacia do Rio São Lourenço fornece 40% da água do Pantanal e abastece a bacia do Rio Cuiabá. Essa região é atingida pela implantação de inúmeras Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHs), pela supressão de vegetação natural para a formação de pastagem e áreas de plantios, chácaras de lazer e áreas de assoreamento do Rio”, explica Cleberson Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da UFMT.

A fim de promover a conservação da bacia, o projeto “Monitoramento da Qualidade em Multiescala na Bacia do Rio São Lourenço (MT)” – foi desenvolvido pelo Departamento de Geografia da UFMT e pela Fundação de Apoio e Desenvolvimento da UFMT (UNISELVA), contou com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e do IEB – procurou investir em ações que contribuíssem para a proteção e a gestão dos recursos hídricos na região, de grande importância para as comunidades tradicionais, os indígenas e os assentados.

“Aprofundamos conhecimentos sobre os aspectos físicos e químicos dos mananciais da bacia e desenvolvemos atividades de empoderamento das comunidades tradicionais para que pudessem participar ativamente na proteção e gestão dos recursos hídricos. O projeto é resultado de um esforço científico para diagnosticar a situação atual dos recursos hídricos na bacia do Rio São Lourenço, detectar seus problemas e identificar os principais agentes que causam a sua deterioração”, explana Peter Zeilhofer, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e coordenador do projeto.

Bacia do Rio São Lourenço, MT. Foto: Acervo Departamento de Geografia – UFMT

As ações do projeto voltaram-se para a Chapada dos Guimarães (MT), mas também envolveram outras cidades do estado de Mato Grosso, como Poxoréo, Dom Aquino, Tesouro, Jaciara, Santo Antônio do Leverger, São Pedro da Cipa, Juscimeira, Guiratinga, Rondonópolis, São José do Povo, Alto Garças, Pedra Preta, Itiquira, Primavera do Leste e Campo Verde.

O projeto também visou reduzir os conflitos de uso da água e incentivar o fomento para a proteção e a conservação, com o forte envolvimento de comunidades. “Os conflitos sociais impactam assentadas e assentados, povos indígenas e inúmeras comunidades de pescadores e pescadores que vivem das águas da bacia”, afirma Cleberson.

Participação social

Como resultado do projeto com o CEPF Cerrado, o aplicativo de Participação Social foi desenvolvido para monitorar e coletar dados georreferenciados pelas populações locais. Elas podem colaborar com denúncias e informes, aos órgãos responsáveis, sobre problemas causados por desmatamento, erosão e assoreamento.

Por meio desse aplicativo, o/a usuário/a pode participar de políticas públicas, reportando ao Comitê de Bacias Hidrográficas de sua região as agressões ao meio ambiente. O aplicativo pode ser facilmente baixado na Play Store. Acesse aqui!

 

Saiba mais sobre o projeto:

http://www.​geografiaufmt.​com.​br/index.php/pt-br/

http://cepfcerrado.iieb.org.br/projetos/monitoramento-da-qualidade-em-multiescala-na-bacia-do-rio-sao-lourenco-mt/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

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