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Plataforma inédita no Brasil reúne dados sobre o Cerrado

Dunas do Jalapão, em Tocantins. Foto: vanessaobrzut/Pixabay. Fonte: Mongabay Brasil

por  em 18 Fevereiro 2021, via Mongabay Brasil

  • Ferramenta virtual e colaborativa criada pela Universidade Federal de Goiás busca reunir o maior e mais antigo acervo sobre o Cerrado já disponível no país.

  • A Plataforma de Conhecimento do Cerrado estará sempre em atualização e tem o objetivo de ser referência nacional sobre o bioma, para unificar o acesso a pesquisadores em prol da preservação do bioma.
  • Bilíngue, a ferramenta inclui números sobre desmatamento, uso do solo, biodiversidade e socioeconomia. Usuários também podem contribuir inserindo dados, mapas e informações geoespaciais.
  • Seus idealizadores acreditam que o site pode fornecer conhecimento sólido para subsidiar pesquisadores em políticas públicas ou programas para a conservação de um bioma que já perdeu mais de 50% de sua vegetação nativa.

Acompanhar a devastação do Cerrado nas últimas décadas é um exercício necessário, sobretudo porque o desaparecimento do bioma compromete a segurança hídrica e alimentar do Brasil. A savana mais biodiversa do planeta já perdeu 55% de sua vegetação nativa e é surpreendente que seja mais conhecida como “celeiro do mundo” do que por sua inestimável contribuição socioambiental.

Num esforço para trazer dados precisos, jogar um holofote sobre a situação e ajudar na tomada de decisões sobre a gestão do bioma, o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (LAPIG/UFG) lançou no final do ano passado a Plataforma de Conhecimento do Cerrado.

A ferramenta virtual, bilíngue e colaborativa permite identificar cronologicamente a situação do uso do solo e da socioeconomia do bioma, associando fatores físicos, dados sociais e de biodiversidade, por meio do cruzamento de dados, inclusive com imagens aéreas.

Imagem da Plataforma de Conhecimento do Cerrado. Fonte: Mongabay Brasil

O Cerrado precisa urgentemente ser conhecido, só assim teremos a chance de salvá-lo. Sua devastação é resultado de ações e políticas públicas, que desde 1970 foram transformando a paisagem da savana para beneficiar o agronegócio. É preciso mudar essa ideia de ‘celeiro’ que as pessoas têm sobre a região”, diz o professor Ivanilton Oliveira, diretor do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG, no qual o LAPIG está inserido.

Do ponto de vista hidrológico, o Cerrado abriga três dos aquíferos que abastecem o país: Guarani, Urucuia e Bambuí. A ecologia do Pantanal, a maior planície alagada do mundo, depende da água que flui do Cerrado, enquanto a maioria dos afluentes sul do Rio Amazonas origina-se também neste ecossistema. O bioma ainda fornece água para o consumo humano e a agricultura através de escoamento superficial, recarga subterrânea e por meio de fluxos na atmosfera para a formação de chuvas em várias regiões do país — recurso beneficiado pela localização central do Cerrado, conectando diversos biomas.

A plataforma, produzida com financiamento de instituições estrangeiras através do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês), levou cerca de seis meses para ser consolidada. O esforço coletivo envolveu a UFG e diversos parceiros, incluindo ONGs, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC/Inpe), Ministério Público de Goiás e Mapbiomas.

Dividido em três subplataformas — Socioambiental, Imagens Aéreas e Desmatamento —, o site traz ainda dados estatísticos de 1985 a 2019, tutoriais de geoprocessamento, acervo de fotos e biblioteca digital para livros e artigos científicos relacionados ao bioma. Todos foram contribuição de instituições públicas, privadas, acadêmicas e organizações ambientalistas.

No ambiente virtual é possível identificar, por exemplo, conflitos territoriais ou conflitos por água em terras indígenas, unidades de conservação, propriedades rurais e territórios quilombolas, denunciados pela Comissão Pastoral da Terra. A ferramenta permite visualizar os resultados por estado, município ou localização geográfica de interesse próprio.

Pode-se ainda visualizar cartograficamente uma clara divisão na paisagem atual do bioma: o centro-sul já bastante transformado pela bovinocultura e a expansão da fronteira agrícola (especificando os principais tipos de cultivo), avançando para o norte do país, especialmente nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (região conhecida por Matopiba).

Cultivo de soja no oeste da Bahia. Foto: Fernanda Ligabue/Greenpeace. Fonte: Mongabay Brasil

“Canivete suíço”

Segundo Paulo Cícero Lopes, mestrando em Geografia da Unimontes, em Montes Claros (MG), participante de um dos cursos de capacitação para uso da plataforma, trata-se de uma ferramenta muito sólida, intuitiva e clara para quem busca dados precisos. “Ter tudo num ambiente só possibilita análises não só para organizações ambientalistas, mas também para o poder público, já que são dados que podem melhorar o planejamento do território. Eu diria que é um canivete suíço: dá uma visão do Cerrado como um todo e vai nos ajudar a implementar a boa gestão que precisamos para os recursos naturais desse hotspot”, atesta.

Manuel Ferreira, professor da UFG e coordenador geral da iniciativa, revela que a fonte de inspiração foi o Global Forest Watch: “Claro que existem várias plataformas que disponibilizam informações sobre o Cerrado; contudo, reunir esse enorme conhecimento numa única plataforma favorece os pesquisadores do Brasil e do mundo no intuito de encontrar e cruzar esses dados com maior facilidade”.

O professor reforça que a plataforma é inédita no Brasil e reitera a necessidade da divulgação e colaboração de órgãos e instituições na constante atualização de dados:

“Na seção ‘Contribua com a Plataforma’, existe um formulário a ser preenchido e um ambiente para o upload de arquivos. Depois de uma avaliação por nossa equipe técnica, o material pode ser disponibilizado publicamente, acompanhado dos devidos créditos e contexto.”

“Nossa intenção é sermos referência nacional para quem pesquisa o Cerrado. Em três meses já temos muito conteúdo, mas contamos com a contribuição da comunidade acadêmica, órgãos públicos e sociedade civil em prol da preservação do bioma”, conclui o professor da UFG.

Os idealizadores já realizaram quatro capacitações online para acessar a ferramenta, que podem ser acessadas aqui.

Acesse a matéria no site da Mongabay Brasil.


LAPIG e CEPF Cerrado

Dr. Manuel Ferreira vem trabalhando com uma equipe de pesquisadores e instituições da sociedade civil no projeto “Plataforma de Conhecimento do Cerrado”. O projeto é executado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) e conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e visa compartilhar dados, informações e conhecimento entre as várias partes interessadas no Cerrado e empoderar a sociedade civil, por meio de informações confiáveis e ferramentas de monitoramento dos ecossistemas do Cerrado.

Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) está vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). As suas atividades foram iniciadas em 1994 e contribuíram desde então com a elaboração de diversas monografias, dissertações e teses, além da oferta de disciplinas de sensoriamento remoto, cartografia digital e sistemas de informações geográficas. Em 2010, deram início aos “Geocursos”, um projeto de extensão que oferta cursos de curta e média duração no âmbito das geotecnologias, oferecidos para a comunidade em geral. A pesquisa configura‐se como uma importante frente de atuação com vistas à produção e/ou organização de dados geográficos e documentais voltados ao monitoramento territorial e ambiental dos biomas brasileiros e respectivas paisagens naturais e antrópicas.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

III Capacitação Técnica Plataforma de Conhecimento do Cerrado: Análises Socioambientais

Participe da III Capacitação Técnica da Plataforma de Conhecimento do Cerrado: Análises Socioambientais

🗓️ 26/01 (terça-feira)
🕦 14h – 17h
📺 Ao vivo pelo canal da Plataforma de Conhecimento do Cerrado no YouTube: https://www.youtube.com/c/PlataformadeConhecimentodoCerradoInscrições gratuitas: https://cepf.lapig.iesa.ufg.br/

Emissão de certificado de 3 horas

Conteúdo Programático:
• Aquisições de dados socioambientais;
• Relatórios de cobertura e uso da terra;
• Relatórios de desmatamento;
• Vetorização no Google Earth Pro;
• Operações espaciais no QGIS;
• Cálculos de área, e
• Elaboração de mapas.Baseada na experiência do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) da Universidade Federal de Goiás (www.lapig.iesa.ufg.br), a Plataforma de Conhecimento do Cerrado reúne num só lugar uma grande lista de dados georreferenciados, tais como uso do solo, histórico de desmatamentos, queimadas, limites de unidades de conservação, bacias hidrográficas, biodiversidade, dentre muitas outras. Confira!

 
A Plataforma de Conhecimento do Cerrado é um projeto do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) com apoio do Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

LAPIG (UFG) e CEPF Cerrado lançam ferramenta em prol da conservação do Cerrado no dia 16/11

A Plataforma de Conhecimento do Cerrado convida instituições de todo o país a colaborar com dados, evitando a duplicidade de esforços

por Caroline Pires via UFG – Universidade Federal de Goiás

Com o objetivo de reunir e possibilitar o acesso fácil e intuitivo a informações confiáveis sobre o bioma Cerrado, além de oferecer dados sobre uso de solo, biodiversidade e socioeconomia, o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG/UFG), lança a Plataforma de Conhecimento do Cerrado na próxima segunda-feira, 16/11, às 10h. A transmissão será feita pelo canal da Plataforma de Conhecimento do Cerrado no YouTube e foi possível graças à parceria com o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Os interessados em acompanhar o lançamento devem se inscrever gratuitamente neste link.

A ferramenta permite que pesquisadores de todo o mundo possam colaborar com a plataforma, inserindo dados, mapas, ou informações geoespaciais que irão oferecer conhecimento sólido para subsidiar políticas públicas ou programas de conservação para a conservação do ameaçado bioma Cerrado. Além de permitir o compartilhamento de informações, a plataforma mune a sociedade com uma visão unificada e organizada sobre o bioma, promovendo a conscientização sobre o tema. Manuel Ferreira, professor e coordenador geral da Plataforma de Conhecimento do Cerrado, explica que existem várias plataformas de dados que disponibilizam informações geográficas sobre diversos biomas. Contudo, muitas das vezes esse enorme volume de informações de instituições públicas, privadas, organizações não governamentais não se comunicam. “Por isso a importância de incentivar esse compartilhamento, para evitar a duplicação de esforços em um mesmo sentido. Queremos que essas informações auxiliem projetos no Cerrado, reunindo dados e favorendo o acesso”, destacou.

A expectativa do professor é que a Plataforma se estabeleça de maneira permanente para receber dados oriundos das mais diversas pesquisas e instituições. “Essa colaboração entre pesquisadores e instituições promove uma cultura de colaboração que de fato gera um resultado positivo para a conservação do bioma Cerrado”, concluiu.

Mudança de cultura

Além de ser uma ferramenta que oferece os dados de forma aberta e de fácil acesso, para munir a sociedade com informações confiáveis sobre o bioma Cerrado, a plataforma valoriza a cooperação e difusão da ciência entre a sociedade em geral. A ferramenta já será lançada contando com informações do bioma oriundas do banco de dados do LAPIG e de instituições parceiras do laboratório. “À medida que a plataforma trouxer informações na forma de mapas, gráficos e tutoriais, acreditamos que poderemos também sensibilizar gestores, programas governamentais, para reverter processos ligados à redução dos recursos hídricos, perdas de biodiversidade, ou contaminação de solos, por exemplo”, afirmou. Por fim, Manuel Ferreira reforçou a necessidade de que haja a colaboração de mais e mais parceiros para o fortalecimento da Plataforma e sua efetiva atuação. “Nosso objetivo maior é proteger o bioma Cerrado que é seriamente ameaçado de extinção e que tem enfrentado tantos danos”, defendeu. Segundo ele, a permanente alimentação do banco de dados é fundamental para o impacto social e o sucesso do projeto.

Proteção de biomas ameaçados

O Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) atua mundialmente, favorecendo a transferência de recursos, visando a promoção de transformações na sociedade, com o objetivo de proteger áreas críticas e ameaçadas. No Brasil, o CEPF atua por meio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) é uma associação brasileira sem fins econômicos, sediada em Brasília, fundada em novembro de 1998, com a missão de fortalecer os atores sociais e o seu protagonismo na construção de uma sociedade justa e sustentável. O IEB se destaca no cenário nacional por dedicar-se a formar e capacitar pessoas e fortalecer organizações nos diversos aspectos e temas relacionados ao meio ambiente, desenvolvimento e à sustentabilidade.

O LAPIG concorreu em 2018 ao edital da instituição com a proposta de agregar informações produzidas no Bioma Cerrado e para a sua preservação. “A plataforma terá grande utilidade também para auxiliar outros projetos financiados pelo CEPF, que precisam de um ambiente computacional com estrutura suficientemente robusta para receber e disponibilizar os dados e informações produzidas. Nosso objetivo é evitar que as informações fiquem literalmente perdidas ou engavetadas nas instituições”, finalizou.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.