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CEPF, IEB, Instituto Humanize e Instituto Nova Era promovem em setembro chamada de apoio a grande projeto para o Cerrado

4a Chamada para Cartas de Intenção (CDI)

Hotspot Cerrado

GRANDE PROJETO

 

O Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos, Instituto Internacional de Educação do Brail, Instituto Humanize e Instituto Nova Era tem o prazer de convidar proponentes para a 4a Chamada Para Cartas de Intenção (CDI) voltada à receber inovadores e relevantes projetos de fortalecimento das Organizações da Sociedade Civil que trabalham na conservação do hotspot Cerrado. Será selecionado somente uma proposta no âmbito dessa chamada.

Nessa chamada desejamos aprimorar as condições técnicas e de gestão das organizações da sociedade civil no Cerrado, fortalecendo-as para a proposição, execução e gerenciamento de projetos com foco na conservação e uso sustentável da biodiversidade no hotspot. Este aperfeiçoamento se dará via capacitações inclusive na questão de gênero ligada à conservação de recurso naturais.

País elegível: Brasil
Data de abertura: segunda  feira, 7 de setembro de 2020
Data de fechamento: sexta  feira, 23 de outubro de 2020
Valor do subsídio: US $ 50.000 a US $ 250.000

Veja o mapa do hotspot de biodiversidade do Cerrado.

Leia as instruções detalhadas, critérios e restrições dessa Chamada Para Cartas de Intenção, disponível abaixo. Envie sua proposta através do portal eletrônico do ConservationGrants até 23 de outubro de 2020 às 23h59 (horário de Washington, DC). Se você não tiver uma conta ConservationGrants, precisará criar uma nova. Se você encontrar quaisquer dificuldades técnicas com o sistema, envie um email para  conservationgrants@conservation.org

MAIS INFORMAÇÕES 

Chamada Para Cartas de Intenção
– Português (PDF 278 KB) e nos seguintes links: site CEPF Cerrado e site CEPF

Perfil do Ecossistema
Português e Inglês

Resumo do Perfil do Ecossistema
Português e Inglês

MATERIAIS ADICIONAIS

•   Antes de se inscrever 
•   12 dicas para obter financiamento para sua ideia de doação 
•   Kit de ferramentas de gênero do CEPF (Português PDF – 291 KB)
•   Perguntas frequentes sobre o ConservationGrants 

 

O Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos busca proteger as regiões biologicamente mais ricas e ameaçadas do planeta, conhecidas como hotspots de biodiversidade. Um objetivo fundamental é garantir o engajamento da sociedade civil na conservação da biodiversidade. O CEPF é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, Conservação Internacional, União Europeia, Fundo Global Para o Meio Ambiente, Governo do Japão e Banco Mundial.

Faça seu cadastro no site para mais informações.

 

Tecendo a Rede de Resistência das Mulheres do Cerrado e Pantanal

Informe Nacional da articulação entre mulheres dialogando sobre gênero, conservação ambiental e modos de vida

por Iasmim Amiden, via ECOA

 

O ano de 2019 é um que entra para a história com as mulheres do Cerrado e do Pantanal brasileiro que juntas se articulam para a defesa de seus territórios e seus direitos humanos.

A Ecoa, a ActionAid e o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) apoiam diretamente essa rede de resistência e realizaram, somente no ano passado, três grandes eventos que reuniram 230 mulheres. Mulheres representantes de comunidades tradicionais, grupos agroextrativistas e pesquisadoras de organizações governamentais e não-governamentais.

Um dos resultados destes encontros foi a publicação de um informe nacional sobre a agenda gênero e meio ambiente, que recentemente entrou para a lista dos 7 destaques globais do ano de 2019 do Relatório de Impacto produzido pelo CEPF.

O informe será lançado oficialmente durante a Semana do Meio Ambiente, em uma transmissão ao vivo feita pela Ecoa, organizada e promovida por algumas das mulheres que participaram deste trabalho. Aproveita-se o debate central do evento on-line: “Mulheres, territórios e meio ambiente por Elas”, que ocorrerá às 15 horas no perfil do Facebook da ECOA.

Uma iniciativa somada a mobilização de várias redes e organizações a CerraPan – Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal, Rede Pantanal, Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e a Rede Cerrado.

Por fim, a publicação completa já está disponível no link abaixo! Inteiramente produzida por mulheres, com 6 textos que versão sobre suas articulações pela conservação do meio ambiente e valorização e respeito de seus modos de vida:

 

                        Acesse aqui a publicação

Informe Gênero e Ambiente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

Conservacionista brasileiro homenageado como ‘Herói do Cerrado – Hotspot de Biodiversidade’ pelo Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos

Damião M. Santos está sendo reconhecido pelas conquistas na proteção das espécies e ecossistemas do Cerrado

por Julie Shaw, via Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund)

 

Na semana em que comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund) do hotspot de biodiversidade do Cerrado anuncia que Damião M. Santos e outros nove conservacionistas de todo o mundo foram nomeados “Heróis dos Hotspots“, por seus esforços para proteger locais considerados por sua alta biodiversidade do mundo. Os homenageados foram escolhidos entre as centenas de organizações da sociedade civil que receberam doações do CEPF nos 10 hotspots globais de biodiversidade onde o fundo atua atualmente e o anúncio foi feito no Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado no último dia 22 de maio.

O CEPF está reconhecendo esses heróis como parte das comemorações de seu 20º aniversário. O fundo capacita organizações não governamentais, grupos indígenas, universidades e empresas privadas para proteger os hotspots mundiais de biodiversidade – as regiões terrestres mais diversas do mundo, porém ameaçadas – e ajudar as comunidades a prosperar. O CEPF faz isso através de subsídios e apoio técnico para a conservação, fortalecimento organizacional e desenvolvimento sustentável.

Damião (direita) e colegas estudando a implantação de atividades turísticas no Rio Paranã. Foto: ©Associação Quilombo Kalunga / Acervo AQK

Os Heróis dos Hotspots e as organizações não-governamentais para as quais eles trabalham estão fazendo contribuições extraordinárias para a conservação. Eles são exemplos de pessoas dedicadas e dinâmicas que trabalham para garantir que ecossistemas intactos possam continuar a sustentar a flora e a fauna e fornecer ar limpo, água doce, solos saudáveis, meios de vida sustentáveis, resistência às mudanças climáticas e muito mais.

Damião Santos é membro da comunidade quilombola Kalunga, que é considerada a maior no Brasil e está localizada no noroeste do estado de Goiás nos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás, parte do hotspot de biodiversidade do Cerrado. Ele está ajudando a liderar esforços de conservação na comunidade. Chefiou a brigada de combate aos incêndios florestais de 2013 a 2018, e foi tesoureiro da Associação Kalunga de Guias de 2011 a 2014.

Sob sua orientação como presidente da Associação de Comunicação Kalunga Engenho II de 2015 a 2017, os esforços de ecoturismo deram grandes passos, incluindo a construção de trilhas e banheiros para turistas, cursos de gastronomia para funcionários de restaurantes, treinamento para guias e ampliação do centro de assistência ao turista.

“Damião Santos combina força, determinação, devoção e gentileza. Ele está ativamente envolvido em sua comunidade e totalmente comprometido com a conservação da biodiversidade”, disse Peggy Poncelet, diretora de subsídios do CEPF para o hotspot de biodiversidade do Cerrado.

Damião esteve ativamente envolvido no projeto financiado pelo CEPF, que utilizou georreferenciamento e levantamentos socioeconômicos para mapear o território Kalunga. A coleta de informações foi um processo árduo no qual o Sr. Santos e outros membros da equipe viajaram longas distâncias para visitar as famílias espalhadas pela região. Os dados provaram ser altamente valiosos para o povo Kalunga, bem como para entes públicos locais e federais.

“Os Heróis dos Hotspots representam os conservacionistas tenazes e comprometidos que estão agindo todos os dias para garantir o futuro dos hotspots de biodiversidade e as pessoas que dependem desses ecossistemas vitais”, disse o diretor executivo do CEPF, Olivier Langrand. “Eles enfrentam uma infinidade de desafios – longas horas, viagens cansativas, condições de trabalho difíceis, obstáculos políticos e até mesmo ameaças às suas vidas – em busca de um mundo saudável e sustentável”.

“O Sr. Santos é um defensor determinado da sua comunidade e dos ecossistemas nos quais eles dependem”, disse Langrand. “Suas ações e liderança estão ajudando a garantir um futuro saudável para a comunidade Kalunga e sua natureza”.

Leia mais sobre Damião M. Santos e os outros Heróis dos Hotspots.

O CEPF é uma iniciativa conjunta da Agence Française de Développement, da Conservation International, da União Europeia, do Global Environment Facility, do Governo do Japão e do Banco Mundial.

Desde 2001, o CEPF tem catalisado a conservação da biodiversidade, liderada localmente através de US$ 250 milhões em doações para mais de 2.400 organizações em 98 países em desenvolvimento e em transição. Os resultados incluem mais de 15 milhões de hectares de áreas protegidas formais estabelecidas, pelo menos 890 espécies globalmente ameaçadas apoiadas e mais de 3.500 comunidades beneficiadas. Saiba mais em www.cepf.net, Facebook, Twitter e LinkedIn.

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Contatos:

Michael Becker, líder da equipe de implementação regional do CEPF no hotspot de biodiversidade do Cerrado, michael.becker@iieb.org.br

Julie Shaw, diretora de comunicação do CEPF, jshaw@cepf.net


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

O desconhecido Cerrado e sua colossal relevância biológica

Paepalanthus, espécie da flora típica dos campos do Cerrado. Foto: Aryanne Amaral / Acervo IEB

 

por Michael Becker para publicação via Mongabay Brasil

 

Os incêndios que assolaram a Amazônia no ano passado botaram o Brasil nas manchetes do mundo todo, e com razão. A icônica floresta tropical armazena milhões de toneladas de dióxido de carbono – sua queima significa um clima menos estável em toda a Terra. Mas os incêndios também devastaram, na mesma proporção, outro bioma da América do Sul, mas a cobertura jornalística desta catástrofe foi escassa.

No centro do Brasil (com pequenas porções na Bolívia e Paraguai) estão 200 milhões de hectares da savana tropical mais biodiversa do planeta, com 5% das espécies do mundo: o Cerrado, região que, assim como a Amazônia, também detém uma quantidade de carbono fundamental para o equilíbrio climático do planeta.

O desconhecimento sobre sua importância talvez se deva pelo que não é visível em sua paisagem: cerca de 70% da biomassa do Cerrado é subterrânea, e isso quer dizer que os reservatórios de carbono que abriga no solo contribuem imensamente para balizar a concentração de CO² na atmosfera. Como passam por uma longa estação seca a cada ano, as árvores do Cerrado se adaptaram, crescendo para baixo, em vez de para cima, em busca de água.

Por conta disso, a maioria dos brasileiros considera o Cerrado uma “floresta feia” — as árvores do bioma não são altas, como na imponente Amazônia.

Hoje é o Dia Internacional da Biodiversidade, e é fundamental considerarmos a contribuição deste bioma: rios e chuvas dentro do Cerrado estão conectados a quase todo o Brasil – levando água para a agricultura, geração de energia hidrelétrica e consumo humano.

Além das 12.070 espécies de plantas e 1.050 espécies de animais vertebrados, atualmente cerca de 46 milhões de pessoas vivem dos recursos naturais da região: povos indígenas, comunidades tradicionais, produtores familiares, populações urbanas, além de importantes setores, como o agronegócio e a mineração. O Cerrado brasileiro concentra atualmente grande parte da produção de commodities agrícolas de importância mundial.

O segundo maior reservatório subterrâneo de água do mundo – o Aquífero Guarani – assim como a maior planície alagada do planeta – o Pantanal – se compõem das nascentes do Cerrado; e seu ecossistema está seriamente ameaçado se continuarmos com o desmatamento alarmante promovido pela agricultura em larga escala, que até hoje já fez desaparecer 50% do bioma. Isso antes dos incêndios que varreram grande parte da região em 2019.

Pesquisas apontam que o desmatamento no Cerrado é 2,5 vezes superior ao da Amazônia, e mesmo assim, não gera tanta comoção social. Em regiões como MATOPIBA, sigla relacionada à fronteira agrícola em expansão nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o cenário é bastante grave — até 2010 , 60% da cobertura original tinha sido convertida em pastagens e monoculturas, e muito do que resta já sofreu algum tipo de intervenção antrópica.

A comemoração do Dia Internacional da Biodiversidade deve nos lembrar que compartilhamos a nossa existência com vários outros seres; com o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e frutos como o pequi, coquinho-azedo e baru, no caso do Cerrado. Uma maneira de interpretar biodiversidade é considerar que ela é reflexo da interação de todos os elementos que possibilitam a vida como a conhecemos. Assim, precisamos ser responsáveis por nossa influência direta sobre a manutenção da biodiversidade, seu uso e consequências sobre a vida humana, animal e vegetal; em qualquer bioma ou ecossistema.

A covid-19 é o exemplo mais recente da interferência humana em processos naturais e suas consequências. A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) divulgou recentemente um comunicado reforçando a necessidade de conciliar o retorno à atividade econômica com a proteção aos ecossistemas e manutenção da biodiversidade. Caso a destruição continue, teremos um aumento significativo na probabilidade de novas pandemias.

Existem 1,7 milhão de vírus ainda sem identificação. Manter as florestas em pé nos previne de entrar em contato com fontes de novas doenças. A lição que a pandemia nos deixa é a de reconhecer a necessidade vital de garantirmos o desenvolvimento sustentável, a fim de mantermos os nossos ecossistemas conservados se quisermos continuar existindo. Esta situação nos faz nosso olhar mais uma vez para o desconhecido Cerrado, que mais do que nunca, se evidenciado e protegido, contribuirá com elementos essenciais, como água e recursos naturais, para superarmos essa e qualquer outra crise futura.

No momento, iniciativas como as que estão sendo protagonizadas pelo Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos e pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil estão ajudando a encontrar o caminho para esse novo modelo rumo ao desenvolvimento sustentável. O fundo tem 52 instituições parceiras, unidas na conservação da biodiversidade do Cerrado e dos serviços que ele provisiona aos brasileiros. As ações envolvem 6.335 pessoas e protegem 11.533.753 hectares do bioma. Além de contribuir com o beneficiamento de 108.125,76 kg de matéria-prima extraídas do Cerrado, o que promove um incremento de renda para as comunidades de R$ 119.264,00 na comercialização de sementes nativas e R$ 245.443,78 em frutos do Cerrado.

Os ótimos resultados que alcançamos até aqui, seguramente nos trazem um motivo para comemoração neste Dia Internacional da Biodiversidade, pois demonstra que é possível colhermos muitos frutos desta conciliação do uso da biodiversidade com a sua proteção, que levam benefícios diretos às populações que compartilham o Cerrado.

Leia o artigo na íntegra no site da Mongabay Brasil!

Find the English version here!

 

Michael Becker é líder da equipe de implementação regional do CEPF (sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund, ou Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos) e vem atuando desde 2000 para assegurar a contribuição da sociedade civil na conservação de ecossistemas ricos e altamente ameaçados. No Brasil desde 2016, o CEPF atua com o apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), instituição brasileira do terceiro setor dedicada a formar e capacitar pessoas. Esta é a lista das organizações que fazem parte da rede: http://cepfcerrado.iieb.org.br/lista-projetos/

Agradecemos e parabenizamos cada um de nossos parceiros pelo esforço incansável direcionado à luta da conservação do Cerrado e de seus povos!


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

A Crise Ignorada no Brasil

A maioria das pessoas ainda não ouviu falar do Cerrado, e isso é um problema

por: Marsea Nelson, gerente sênior de comunicação do CEPF

 

Durante meses, os incêndios que assolaram a Amazônia fizeram manchetes de primeira página em todo o mundo, e com razão. A icônica floresta tropical armazena milhões de toneladas de dióxido de carbono – sua queima significa um clima menos estável em toda a Terra.

Os incêndios também devastaram outra parte da América do Sul, mas a cobertura desta catástrofe foi escassa.

More than 800 bird species are found in the Cerrado, including the peach-fronted parakeet. ©O. Langrand
Mais de 800 espécies de aves são encontradas no Cerrado, incluindo o periquito de face de pêssego. Foto: ©O. Langrand / Acervo CEPF

No centro do Brasil (e com pequenas porções na Bolívia e Paraguai) estão 200 milhões de hectares de savana tropical, conhecida como o Cerrado. Os primeiros colonos do Cerrado o consideravam um deserto estéril, mas isso estava longe de ser uma verdade. Esta região é considerada a savana tropical mais biodiversa do planeta, com 5% das espécies do mundo. E, assim como a Amazônia, o Cerrado detém uma quantidade criticamente importante de carbono.

O equívoco sobre a importância do Cerrado talvez se deva, em parte, ao local onde seu carbono é armazenado. O Cerrado passa por uma longa estação seca a cada ano; árvores e plantas se adaptaram, crescendo para baixo em vez de para cima. Cerca de 70% da biomassa do Cerrado é subterrânea.

“Para a maioria dos brasileiros, o Cerrado é a floresta ‘feia’, pois tem uma longa estação seca e a maioria das árvores não alcança muita altura, como na Amazônia”, disse Michael Becker, líder da equipe de implementação regional do CEPF. É preciso considerar também que as dimensões do Cerrado são muito difíceis de serem compreendidas”. Considerando um eixo norte-sul, ele se espalha além da distância entre Chicago e Monterrey, México, e tem muitas paisagens diferentes”.

Vivem dentro dos variados ecossistemas do Cerrado cerca de 5 milhões de pessoas, a saber, povos indígenas, comunidades, povos tradicionais e produtores familiares. Eles dependem dos recursos naturais da região para o seu sustento. A importância deste hotspot de biodiversidade não se restringe, no entanto, às suas fronteiras. Rios e chuvas dentro do Cerrado estão conectados à quase todo Brasil – levando água à agricultura, energia hidrelétrica e consumo humano.

Rio dos Couros, Chapada dos Veadeiros, Goiás. Foto: ©A. Amaral/ Acervo IEB

O segundo maior reservatório subterrâneo de água do mundo – o Aquífero Guarani – assim como o maior pântano do mundo – o Pantanal – dependem da água que flui do Cerrado.

Sabendo de tudo isso, é alarmante saber que a destruição do Cerrado já está  encaminhada: Cerca de 50% do hotspot foi desmatado – principalmente para a agricultura em larga escala – e uma grande parte do que resta já sofreu algum tipo de interferência. Tudo isso, antes dos recentes incêndios que varreram a região.

Há, no entanto, medidas positivas sendo tomadas para proteger este lugar criticamente importante:

  • A indústria cafeeira brasileira estava sofrendo um duro golpe no hotspot, por isso, o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA) co-fundador do Cerrado Consórcio das Águas, iniciativa que visa tornar a produção de café mais sustentável, está promovendo no município de Patrocínio um esquema de pagamento por serviços ambientais (PSA), com planos de replicação em outras partes do Cerrado, caso seja bem sucedido.
  • A palmeira buriti é encontrada em abundância nas Veredas do Cerrado e tem grande potencial de geração de renda. No entanto, ela pode ser superexplorada, por isso, a Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas Grande Sertão, parceira do CEPF Cerrado e Instituto Internacional de Educação do Brasil, oferece capacitações aos  agricultores em práticas de colheita sustentável e técnicas de processamento eficientes. Até o momento, mais de 400 pessoas receberam treinamento e a renda paga aos agricultores tem aumentado.
  • A versão beta da Plataforma de Conhecimento do Cerrado entrou recentemente no ar. Criada pelo Laboratório de Processamento e Geoprocessamento de Imagens (LAPIG/UFG), e financiada pelo CEPF Cerrado, a plataforma consolida o conhecimento geoespacial e censitário sobre a região, fornecendo aos conservacionistas, ao governo e a sociedade civil dados cruciais para ajudá-los a tomar decisões bem informadas.

    Comunidade Kalunga no Vão de Almas. Foto: ©Emeric Kalil / Acervo Associação Quilombo Kalunga
  • Com a ajuda de um subsídio do CEPF Cerrado, o povo Kalunga –  comunidade quilombola do estado de Goiás – está usando tecnologia para mapear a área onde vivem, capacitando-os melhor para defender suas terras e seu modo de vida tradicional.
  • A Funatura, outro parceiro financiado pelo CEPF Cerrado, está trabalhando para estabelecer 50 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) no Cerrado, através do projeto Reservas Privadas no Cerrado, que utiliza diversas abordagens, inclusive mostrando aos proprietários de terras o potencial inexplorado do ecoturismo.

Esforços como estes são encorajadores, mas o caminho para um Cerrado saudável e próspero será longo.

“Com metade do Cerrado ainda preservado, este hotspot pode ser um excelente estudo de caso, provando que conservação, direitos sociais e produção agrícola podem coexistir e compartilhar os benefícios da natureza”, disse Becker. “O CEPF está trabalhando para esse objetivo”.

Saiba mais sobre os investimento do CEPF no hotspot de biodiversidade do Cerrado.

Leia a versão original da matéria, que está disponível em inglês, no site do CEPF.

 

Sobre o CEPF Cerrado

Em 2013, o Conselho de Doadores do CEPF selecionou o Cerrado como um dos hotspots prioritários e 8 milhões de dólares foram alocados para investimentos em projetos no período de 2016 a 2021. Entre os anos de 2016 e 2019, o CEPF Cerrado realizou três chamadas para apoio a projetos no Cerrado. Atualmente, o Fundo conta com 55 projetos, divididos em Grandes e Pequenos Projetos.

No Brasil, o CEPF conta com a atuação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), como a Equipe de Implementação Regional. O IEB é instituição brasileira do terceiro setor dedicada a formar e capacitar pessoas, bem como fortalecer organizações nas áreas de manejo dos recursos naturais, gestão ambiental e territorial e outros temas relacionados à sustentabilidade. O IEB atua em rede, busca parcerias e promove situações de interação e intercâmbio entre organizações da sociedade civil, associações comunitárias, instâncias de governo e do setor privado. Para saber mais sobre a atuação do IEB, visite: http://www.iieb.org.br/


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

 

Carta do Diretor Executivo do CEPF aos Parceiros

Seu trabalho é mais importante do que nunca

 

via Critical Ecosystem Partnership Fund

Prezad@ parceir@ do CEPF,

Em tempos normais, passo boa parte do ano viajando para os diferentes hotspots de biodiversidade onde investimos, conhecendo os beneficiários e visitando os locais de seus projetos. Desde que entrei no CEPF, em 2015, tenho me impressionado com a freqüência com que ouço parceiros de todo o mundo dizerem: “O CEPF é mais do que um financiador; eles são uma família”. Isto significa muito para mim e para a minha equipe.

E agora, nossa família CEPF está enfrentando novos desafios, assim como o resto do mundo. Saiba que estamos comprometidos em ajudar você a navegar por este tempo incerto. Nossa maior prioridade é a sua segurança, e trabalharemos com você para revisar as atividades do seu projeto, conforme necessário.

Por mais estressante que seja este momento, sinto-me encorajado por algumas das mudanças que já estou ouvindo falar. O comércio e o consumo de animais silvestres foi recentemente proibido em uma decisão formal do Comitê Permanente do Congresso Nacional Popular da China e, no Vietnã, conservacionistas se reuniram para pedir uma política nacional para fazer o mesmo.

Com o Congresso Mundial de Conservação da IUCN e a Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica agendada, 2020 deveria ser o “Ano da Biodiversidade”. Agora a maioria dessas reuniões foi adiada.

De certa forma, ainda é o “Ano da Biodiversidade”, embora não da maneira que havíamos imaginado. O mundo está vendo o que pode acontecer quando os humanos interferem nos sistemas naturais. Nossa comunidade há muito compreendeu a conexão entre a saúde humana e a saúde dos ecossistemas da Terra. Agora vemos claramente a importância de respeitar a natureza.

Minha esperança é que, depois que a crise atual diminuir, encontremos mais governos, comunidades e outros que estejam prontos para apoiar e participar de nossos esforços.

Priorize o distanciamento social agora e esteja pronto para o momento em que você possa retomar plenamente as atividades de conservação, pois o trabalho que fazemos é realmente mais importante do que jamais foi.

Sinceramente,

Olivier Langrand

 

Leia a versão original da carta, que está disponível em inglês, no site do CEPF.

P.S. Nós queremos ouvir de você. Como o seu trabalho tem sido impactado pela pandemia? Você tem sido capaz de encontrar soluções criativas para continuar progredindo? Por favor, envie seus pensamentos, experiências e histórias para cepf@cepf.net.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

LAPIG anuncia lançamento da Plataforma de Conhecimento do Cerrado

 

 

 

Prezad@s colegas,

Com exclusividade, anunciamos o lançamento da “Plataforma de Conhecimento do Cerrado”, projeto da UFG/LAPIG, apoiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

http://cepf.lapig.iesa.ufg.br

Embora seja uma versão para testes, a mesma já conta com algumas funcionalidades, a destacar as subplataformas de uso do solo, desmatamentos e imagens aéreas (providas por drones), possibilitando uma análise dinâmica e interativa acerca das transformações do Cerrado, em âmbito municipal e estadual.

A partir de agora, com esta estrutura definida, avançaremos rapidamente com novos conteúdos e ferramentas, tais como o design responsivo para tablets e smartphones, módulo para uploads de dados (vetoriais, imagens e textos), disponibilidade de downloads e a tradução para o idioma inglês.

Por falar em conteúdo, incentivamos a contribuição de todos, com informações diversas produzidas para o bioma Cerrado.

Para tanto, disponibilizamos uma ferramenta provisória para a transferência de suas bases de dados (ver chamada/atalho no menu superior, ou no final da página principal).

Esperamos que a Plataforma de Conhecimento do Cerrado seja bem aproveitada por nossa sociedade, em especial pelas organizações envolvidas com a conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico deste rico e ameaçado ecossistema.

Dúvidas ou sugestões, nos envie um email para lapig.cepf@gmail.com

Obrigado pela divulgação e colaboração!

Prof. Manuel Ferreira
UFG/ LAPIG


LAPIG e CEPF Cerrado

Dr. Manuel Ferreira vem trabalhando com uma equipe de pesquisadores e instituições da sociedade civil no projeto “Plataforma de Conhecimento do Cerrado”. O projeto é executado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) e conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e visa compartilhar dados, informações e conhecimento entre as várias partes interessadas no Cerrado e empoderar a sociedade civil, por meio de informações confiáveis e ferramentas de monitoramento dos ecossistemas do Cerrado.

Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) está vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). As suas atividades foram iniciadas em 1994 e contribuíram desde então com a elaboração de diversas monografias, dissertações e teses, além da oferta de disciplinas de sensoriamento remoto, cartografia digital e sistemas de informações geográficas. Em 2010, deram início aos “Geocursos”, um projeto de extensão que oferta cursos de curta e média duração no âmbito das geotecnologias, oferecidos para a comunidade em geral. A pesquisa configura‐se como uma importante frente de atuação com vistas à produção e/ou organização de dados geográficos e documentais voltados ao monitoramento territorial e ambiental dos biomas brasileiros e respectivas paisagens naturais e antrópicas.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Vamos falar do Cerrado?

¹O Cerrado é o maior hotspot no hemisfério ocidental, cobrindo mais de 2 milhões de km2 no Brasil e partes menores (cerca de 1%) da Bolívia e do Paraguai. Este hotspot também inclui as cabeceiras das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazonas/Tocantins, São Francisco e Prata), destacando-se, assim, a sua importância para a segurança hídrica da região. Além disso, o Cerrado é extremamente rico em riqueza de plantas, contando com mais de 12.000 espécies nativas catalogadas. A grande diversidade de habitats resulta em transições marcantes entre diferentes tipologias de vegetação. Cerca de 250 espécies de mamíferos vivem no Cerrado, junto com uma rica avifauna com 856 espécies registradas. A diversidade de peixes (800 espécies), répteis (262 espécies) e anfíbios (204 espécies) também é alta. Muitas dessas espécies são endêmicas. Por estas razões, o Cerrado é considerado como a região de savana tropical com a maior biodiversidade do mundo.

¹Além de suas especificidades ambientais, o Cerrado também apresenta grande importância social. Muitas pessoas dependem de seus recursos naturais para sobreviver com qualidade de vida, incluindo grupos indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos e quebradeiras de coco babaçu, que são parte do patrimônio histórico e cultural do Brasil e compartilham o conhecimento tradicional da biodiversidade. Mais de 220 espécies de plantas são conhecidas para uso medicinal e muitos frutos nativos são regularmente consumidos por moradores locais e vendidos nos centros urbanos.

¹Atualmente, o Cerrado é uma das principais áreas do planeta para a produção agrícola e pecuária. Embora seja um motivo de orgulho para muitos, a expansão da fronteira também cobra seu preço. O Ministério do Meio Ambiente estima que, até 2010, 47% do Cerrado tinha sido convertido e a maioria das áreas remanescentes de vegetação natural encontravam-se fragmentadas. A pressão continua intensa por causa da expansão agropecuária de soja, carne, cana-de-açúcar, eucalipto e algodão, produtos que são essenciais para a economia nacional e para os mercados mundiais. Como consequência, as taxas de desmatamento anuais no Cerrado são mais elevadas do que na Amazônia.

“Vamos falar do Cerrado?” é uma uma série de vídeos que oferece informações sobre o bioma, o seu histórico e riscos. Esta publicação foi produzida pelo projeto “Iniciativa para o Uso da Terra – INPUT”, resultado de uma parceria entre a Agroicone e o Climate Policy Initiative (CPI) no Brasil, que reúne diversos atores para mapear os desafios da gestão de recursos naturais no Brasil. Confira um dos vídeos da série:

 

 

¹Texto retirado do Perfil do Ecossistema Hostpot da Biodiversidade do Cerrado (2017).

 

CEPF Cerrado lança novo edital para projetos em todo o hotspot

Mauritia flexuosa L.f. – Buriti

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos – CEPF lança a Segunda Chamada para Cartas de Intenção (CDI) direcionada a inovadores e relevantes projetos de conservação para o Hotspot do Cerrado. Os interessados podem se inscrever até 08 de novembro de 2017.

Esta chamada está aberta a grupos e associações comunitárias, organizações não governamentais, empresas privadas, universidades, institutos de pesquisa e outras organizações da sociedade civil.

As cartas de intenção devem ser formuladas para Pequenos Projetos (até US$ 50.000) e Grandes Projetos (acima de US$ 50.000 e no máximo US$ 200.000).

As propostas a este edital devem contemplar somente as seguintes Direções Estratégicas e Prioridades de Investimento:

Direção Estratégica 3 – Promover e fortalecer as cadeias produtivas associadas ao uso sustentável dos recursos naturais e à restauração ecológica no hostpot (Conforme recorte definido no edital).

Prioridade de Investimento 4.1– Apoiar a implementação de Planos de Ação Nacionais (PANs) para espécies prioritárias, com foco na gestão e proteção de habitat (Somente para Pequenos Projetos).

Prioridade de investimento 5.2 – Apoiar a coleta e divulgação de dados de monitoramento da quantidade e qualidade dos recursos hídricos, para integrar e compartilhar dados sobre as principais bacias hidrográficas do hotspot.

Prioridade de investimento 6.1 – Fortalecer as capacidades das organizações da sociedade civil para participar dos órgãos e processos coletivos relacionados com a gestão de territórios e recursos naturais.

Acesse o edital completo da Segunda Chamada no site do CEPF Cerrado.  Dúvidas específicas podem ser tiradas por email, cepfcerrado@iieb.org.br .

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Um futuro para o Cerrado

Rio dos Couros, Chapada dos Veadeiros, Goiás/Aryanne Amaral

Principal fronteira onde avança a agropecuária desde os anos 1960, o Cerrado tem poucas chances de seguir existindo nas próximas décadas sem ações emergenciais que ampliem suas áreas protegidas e que levem à adoção em larga escala de práticas produtivas menos danosas ao meio ambiente.

Consolidar as áreas já protegidas é fundamental, inclusive porque somente 7,7% do Cerrado estão hoje efetivamente resguardados pelo poder público, e apenas 2,8% destas áreas são protegidas integralmente. A última unidade de conservação criada no bioma foi a Estação Ecológica Chapada de Nova Roma, neste ano (2017), pelo governo estadual de Goiás. Novas metas internacionais chanceladas pelo Brasil recomendam a conservação de pelo menos 17% de cada bioma, até 2020.

Enquanto isso, projeções mostram que a área plantada com soja pode saltar de 21 para 30 milhões de hectares na próxima década, sempre com foco nas “terras baratas” do Cerrado. E os alvos são justamente os maiores remanescentes da savana brasileira, no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Além disso, a demanda interna e global por carnes cresce junto com as necessárias melhorias socioeconômicas.

Como agricultura e pecuária são os principais motores da destruição do Cerrado, respeitar a legislação e melhorar a eficiência da produção são atitudes indispensáveis. A integração de lavouras, pecuária e florestas plantadas, por exemplo, ajudaria a evitar a abertura e novas áreas e seria um sinal de que o país realmente quer fornecer itens produzidos com mais sustentabilidade aos mercados globalizados de commodities. Afinal, se antecipar a possíveis barreiras comerciais é sempre estratégico. Inclusive porque mais de 40% dos grãos, metade do farelo e um terço do óleo de soja produzidos no Brasil são exportados. Sete em cada dez países do mundo já compraram esses itens na última década.

Estimativas oficiais apontam que há aproximadamente 140 milhões de hectares degradados no país, principalmente no Cerrado e na transição deste para a Amazônia. A área é duas vezes maior que a da França. Na maioria dos casos, são terras que foram desmatadas para lavouras e acabaram abandonadas pela baixa produtividade. Em seguida, viraram pastos para rebanhos até o solo se tornar imprestável economicamente pela falta de manejo adequado. Tornar essa imensidão de terras novamente produtivas ajudaria no combate ao aquecimento do planeta, aliviaria a pressão para o desmatamento de florestas nativas e serviria à produção de commodities e alimentos.

Outra preocupação recai sobre as mudanças na legislação florestal brasileira. A destruição do Cerrado já pesa tanto quanto a da Amazônia nas emissões nacionais de gases de efeito estufa. E o bioma pode ser um dos maiores prejudicados com as mudanças que setores atrasados do ruralismo impuseram ao Código Florestal. Além disso, a aprovação da PEC 504/2010, que trata de incluir na Constituição Federal o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais e do PL 25/2015, que dispõe sobre a conservação e a utilização sustentável da vegetação nativa do bioma, são ações urgentes para a proteção do bioma.

Se a margem para desmatamento for ampliada, a caixa d´água do país ficará seriamente comprometida. No Cerrado nascem águas que abastecem aquíferos subterrâneos e as bacias hidrográficas Amazônica, do Tocantins, do Atlântico Norte/Nordeste, do São Francisco, do Atlântico Leste e do Paraná/Paraguai. Dessa última depende a sobrevivência do Pantanal, a maior planície inundável do planeta. Além de insumo econômico, a água que escorre por rios, córregos e veredas de beleza incomum, alimenta culturas regionais muitas vezes fundadas no extrativismo sustentável, uma atividade que perpetua e valoriza a vegetação e outros recursos nativos pelas mãos de valorosos e inúmeros povos tradicionais do Cerrado.

Os índices atuais de degradação e planos desenvolvimentistas carentes de sustentabilidade ambiental projetam um futuro nada animador para um bioma que já perdeu mais da metade da vegetação nativa, e ainda não é reconhecido como patrimônio nacional pela Constituição, sofrendo desnecessariamente com incêndios e queimadas cada vez mais intensos.

Mas com majestosa resistência, o Cerrado ainda segue encantando quem se atreve a conhecer esse abrigo de vida e de paisagens únicas no mundo. Manter esse patrimônio inigualável é o desafio que se impõe ao Brasil.

por Michael Becker – Coordenador da Estratégia de Implementação Regional do CEPF Cerrado 

Fundo global apoiará iniciativas de conservação da biodiversidade no Cerrado

IEB será a equipe responsável pela implementação regional do projeto no Cerrado

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
Região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Letícia Freire/IEB

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) é um fundo destinado a proteger as mais diversas e ameaçadas áreas de biodiversidade do mundo, também conhecidas como hotspots da biodiversidade. A Conservação Internacional administra o programa global em nome dos parceiros que compõem o fundo, quais sejam: a Agência Francesa de Desenvolvimento, o Banco Mundial, a Conservação Internacional, a Fundação John D. e Catherine T. MacArthur, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), o Governo do Japão e a União Europeia. Um conselho de representantes de alto nível de cada parceiro doador gere esse fundo.

O CEPF oferece apoio a organizações não-governamentais, grupos comunitários e outros parceiros da sociedade civil na execução de projetos estratégicos de conservação nos hotspots de biodiversidade. O foco do CEPF é oferecer oportunidades para seus beneficiários preservarem os ricos recursos naturais dos hotspots que são vitais para o bem-estar das pessoas e para a saúde da economia em geral.

Depois de apoiar a Mata Atlântica com investimentos entre 2001 e 2008, o Conselho de Doadores do CEPF escolheu o Cerrado em 2013 para receber investimentos. Seguiu-se a essa decisão a construção de um Perfil do Ecossistema, por meio de um processo de consultas e reuniões, que ocorreu entre 2014 e 2015, e a escolha da equipe que será responsável pela implementação da iniciativa no Cerrado.

Após um processo seletivo, em abril de 2016 o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) foi escolhido pelo Conselho de Doadores do CEPF para atuar como Equipe de Implementação Regional (RIT) para o Hotspot da Biodiversidade do Cerrado, com início neste mês de julho de 2016 e término previsto em junho de 2021.

Como equipe de implementação do CEPF, o IEB liderará o programa no hotspot, convertendo a estratégia de investimento definida no Perfil do Ecossistema em um portfólio coerente de apoios. O IEB foi selecionado como RIT porque demonstrou um forte histórico de experiência de trabalho no Brasil, gestão de programas de dimensão, escala e complexidade similares ao RIT, e experiência na gestão direta de programas de pequenos apoios.

A versão completa em português do Perfil do Ecossistema do Hotspot da Biodiversidade do Cerrado pode ser encontrada no site do CEPF (clique aqui).

Um sumário técnico desse documento encontra-se no site do CEPF (clique aqui).