Início » Notícias » hotspot

Tag: hotspot

CEPF Cerrado lança novo edital para projetos em todo o hotspot

Mauritia flexuosa L.f. – Buriti

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos – CEPF lança a Segunda Chamada para Cartas de Intenção (CDI) direcionada a inovadores e relevantes projetos de conservação para o Hotspot do Cerrado. Os interessados podem se inscrever até 08 de novembro de 2017.

Esta chamada está aberta a grupos e associações comunitárias, organizações não governamentais, empresas privadas, universidades, institutos de pesquisa e outras organizações da sociedade civil.

As cartas de intenção devem ser formuladas para Pequenos Projetos (até US$ 50.000) e Grandes Projetos (acima de US$ 50.000 e no máximo US$ 200.000).

As propostas a este edital devem contemplar somente as seguintes Direções Estratégicas e Prioridades de Investimento:

Direção Estratégica 3 – Promover e fortalecer as cadeias produtivas associadas ao uso sustentável dos recursos naturais e à restauração ecológica no hostpot (Conforme recorte definido no edital).

Prioridade de Investimento 4.1– Apoiar a implementação de Planos de Ação Nacionais (PANs) para espécies prioritárias, com foco na gestão e proteção de habitat (Somente para Pequenos Projetos).

Prioridade de investimento 5.2 – Apoiar a coleta e divulgação de dados de monitoramento da quantidade e qualidade dos recursos hídricos, para integrar e compartilhar dados sobre as principais bacias hidrográficas do hotspot.

Prioridade de investimento 6.1 – Fortalecer as capacidades das organizações da sociedade civil para participar dos órgãos e processos coletivos relacionados com a gestão de territórios e recursos naturais.

Acesse o edital completo da Segunda Chamada no site do CEPF Cerrado.  Dúvidas específicas podem ser tiradas por email, cepfcerrado@iieb.org.br .

Cadastre-se para receber a newsletter do CEPF Cerrado.

Um futuro para o Cerrado

Rio dos Couros, Chapada dos Veadeiros, Goiás/Aryanne Amaral

Principal fronteira onde avança a agropecuária desde os anos 1960, o Cerrado tem poucas chances de seguir existindo nas próximas décadas sem ações emergenciais que ampliem suas áreas protegidas e que levem à adoção em larga escala de práticas produtivas menos danosas ao meio ambiente.

Consolidar as áreas já protegidas é fundamental, inclusive porque somente 7,7% do Cerrado estão hoje efetivamente resguardados pelo poder público, e apenas 2,8% destas áreas são protegidas integralmente. A última unidade de conservação criada no bioma foi a Estação Ecológica Chapada de Nova Roma, neste ano (2017), pelo governo estadual de Goiás. Novas metas internacionais chanceladas pelo Brasil recomendam a conservação de pelo menos 17% de cada bioma, até 2020.

Enquanto isso, projeções mostram que a área plantada com soja pode saltar de 21 para 30 milhões de hectares na próxima década, sempre com foco nas “terras baratas” do Cerrado. E os alvos são justamente os maiores remanescentes da savana brasileira, no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Além disso, a demanda interna e global por carnes cresce junto com as necessárias melhorias socioeconômicas.

Como agricultura e pecuária são os principais motores da destruição do Cerrado, respeitar a legislação e melhorar a eficiência da produção são atitudes indispensáveis. A integração de lavouras, pecuária e florestas plantadas, por exemplo, ajudaria a evitar a abertura e novas áreas e seria um sinal de que o país realmente quer fornecer itens produzidos com mais sustentabilidade aos mercados globalizados de commodities. Afinal, se antecipar a possíveis barreiras comerciais é sempre estratégico. Inclusive porque mais de 40% dos grãos, metade do farelo e um terço do óleo de soja produzidos no Brasil são exportados. Sete em cada dez países do mundo já compraram esses itens na última década.

Estimativas oficiais apontam que há aproximadamente 140 milhões de hectares degradados no país, principalmente no Cerrado e na transição deste para a Amazônia. A área é duas vezes maior que a da França. Na maioria dos casos, são terras que foram desmatadas para lavouras e acabaram abandonadas pela baixa produtividade. Em seguida, viraram pastos para rebanhos até o solo se tornar imprestável economicamente pela falta de manejo adequado. Tornar essa imensidão de terras novamente produtivas ajudaria no combate ao aquecimento do planeta, aliviaria a pressão para o desmatamento de florestas nativas e serviria à produção de commodities e alimentos.

Outra preocupação recai sobre as mudanças na legislação florestal brasileira. A destruição do Cerrado já pesa tanto quanto a da Amazônia nas emissões nacionais de gases de efeito estufa. E o bioma pode ser um dos maiores prejudicados com as mudanças que setores atrasados do ruralismo impuseram ao Código Florestal. Além disso, a aprovação da PEC 504/2010, que trata de incluir na Constituição Federal o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais e do PL 25/2015, que dispõe sobre a conservação e a utilização sustentável da vegetação nativa do bioma, são ações urgentes para a proteção do bioma.

Se a margem para desmatamento for ampliada, a caixa d´água do país ficará seriamente comprometida. No Cerrado nascem águas que abastecem aquíferos subterrâneos e as bacias hidrográficas Amazônica, do Tocantins, do Atlântico Norte/Nordeste, do São Francisco, do Atlântico Leste e do Paraná/Paraguai. Dessa última depende a sobrevivência do Pantanal, a maior planície inundável do planeta. Além de insumo econômico, a água que escorre por rios, córregos e veredas de beleza incomum, alimenta culturas regionais muitas vezes fundadas no extrativismo sustentável, uma atividade que perpetua e valoriza a vegetação e outros recursos nativos pelas mãos de valorosos e inúmeros povos tradicionais do Cerrado.

Os índices atuais de degradação e planos desenvolvimentistas carentes de sustentabilidade ambiental projetam um futuro nada animador para um bioma que já perdeu mais da metade da vegetação nativa, e ainda não é reconhecido como patrimônio nacional pela Constituição, sofrendo desnecessariamente com incêndios e queimadas cada vez mais intensos.

Mas com majestosa resistência, o Cerrado ainda segue encantando quem se atreve a conhecer esse abrigo de vida e de paisagens únicas no mundo. Manter esse patrimônio inigualável é o desafio que se impõe ao Brasil.

por Michael Becker – Coordenador da Estratégia de Implementação Regional do CEPF Cerrado 

Fundo global apoiará iniciativas de conservação da biodiversidade no Cerrado

IEB será a equipe responsável pela implementação regional do projeto no Cerrado

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
Região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Letícia Freire/IEB

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) é um fundo destinado a proteger as mais diversas e ameaçadas áreas de biodiversidade do mundo, também conhecidas como hotspots da biodiversidade. A Conservação Internacional administra o programa global em nome dos parceiros que compõem o fundo, quais sejam: a Agência Francesa de Desenvolvimento, o Banco Mundial, a Conservação Internacional, a Fundação John D. e Catherine T. MacArthur, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), o Governo do Japão e a União Europeia. Um conselho de representantes de alto nível de cada parceiro doador gere esse fundo.

O CEPF oferece apoio a organizações não-governamentais, grupos comunitários e outros parceiros da sociedade civil na execução de projetos estratégicos de conservação nos hotspots de biodiversidade. O foco do CEPF é oferecer oportunidades para seus beneficiários preservarem os ricos recursos naturais dos hotspots que são vitais para o bem-estar das pessoas e para a saúde da economia em geral.

Depois de apoiar a Mata Atlântica com investimentos entre 2001 e 2008, o Conselho de Doadores do CEPF escolheu o Cerrado em 2013 para receber investimentos. Seguiu-se a essa decisão a construção de um Perfil do Ecossistema, por meio de um processo de consultas e reuniões, que ocorreu entre 2014 e 2015, e a escolha da equipe que será responsável pela implementação da iniciativa no Cerrado.

Após um processo seletivo, em abril de 2016 o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) foi escolhido pelo Conselho de Doadores do CEPF para atuar como Equipe de Implementação Regional (RIT) para o Hotspot da Biodiversidade do Cerrado, com início neste mês de julho de 2016 e término previsto em junho de 2021.

Como equipe de implementação do CEPF, o IEB liderará o programa no hotspot, convertendo a estratégia de investimento definida no Perfil do Ecossistema em um portfólio coerente de apoios. O IEB foi selecionado como RIT porque demonstrou um forte histórico de experiência de trabalho no Brasil, gestão de programas de dimensão, escala e complexidade similares ao RIT, e experiência na gestão direta de programas de pequenos apoios.

A versão completa em português do Perfil do Ecossistema do Hotspot da Biodiversidade do Cerrado pode ser encontrada no site do CEPF (clique aqui).

Um sumário técnico desse documento encontra-se no site do CEPF (clique aqui).