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Categoria: Monitoramento Ambiental

LAPIG (UFG) e CEPF Cerrado lançam ferramenta em prol da conservação do Cerrado no dia 16/11

A Plataforma de Conhecimento do Cerrado convida instituições de todo o país a colaborar com dados, evitando a duplicidade de esforços

por Caroline Pires via UFG – Universidade Federal de Goiás

Com o objetivo de reunir e possibilitar o acesso fácil e intuitivo a informações confiáveis sobre o bioma Cerrado, além de oferecer dados sobre uso de solo, biodiversidade e socioeconomia, o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG/UFG), lança a Plataforma de Conhecimento do Cerrado na próxima segunda-feira, 16/11, às 10h. A transmissão será feita pelo canal da Plataforma de Conhecimento do Cerrado no YouTube e foi possível graças à parceria com o Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Os interessados em acompanhar o lançamento devem se inscrever gratuitamente neste link.

A ferramenta permite que pesquisadores de todo o mundo possam colaborar com a plataforma, inserindo dados, mapas, ou informações geoespaciais que irão oferecer conhecimento sólido para subsidiar políticas públicas ou programas de conservação para a conservação do ameaçado bioma Cerrado. Além de permitir o compartilhamento de informações, a plataforma mune a sociedade com uma visão unificada e organizada sobre o bioma, promovendo a conscientização sobre o tema. Manuel Ferreira, professor e coordenador geral da Plataforma de Conhecimento do Cerrado, explica que existem várias plataformas de dados que disponibilizam informações geográficas sobre diversos biomas. Contudo, muitas das vezes esse enorme volume de informações de instituições públicas, privadas, organizações não governamentais não se comunicam. “Por isso a importância de incentivar esse compartilhamento, para evitar a duplicação de esforços em um mesmo sentido. Queremos que essas informações auxiliem projetos no Cerrado, reunindo dados e favorendo o acesso”, destacou.

A expectativa do professor é que a Plataforma se estabeleça de maneira permanente para receber dados oriundos das mais diversas pesquisas e instituições. “Essa colaboração entre pesquisadores e instituições promove uma cultura de colaboração que de fato gera um resultado positivo para a conservação do bioma Cerrado”, concluiu.

Mudança de cultura

Além de ser uma ferramenta que oferece os dados de forma aberta e de fácil acesso, para munir a sociedade com informações confiáveis sobre o bioma Cerrado, a plataforma valoriza a cooperação e difusão da ciência entre a sociedade em geral. A ferramenta já será lançada contando com informações do bioma oriundas do banco de dados do LAPIG e de instituições parceiras do laboratório. “À medida que a plataforma trouxer informações na forma de mapas, gráficos e tutoriais, acreditamos que poderemos também sensibilizar gestores, programas governamentais, para reverter processos ligados à redução dos recursos hídricos, perdas de biodiversidade, ou contaminação de solos, por exemplo”, afirmou. Por fim, Manuel Ferreira reforçou a necessidade de que haja a colaboração de mais e mais parceiros para o fortalecimento da Plataforma e sua efetiva atuação. “Nosso objetivo maior é proteger o bioma Cerrado que é seriamente ameaçado de extinção e que tem enfrentado tantos danos”, defendeu. Segundo ele, a permanente alimentação do banco de dados é fundamental para o impacto social e o sucesso do projeto.

Proteção de biomas ameaçados

O Fundo de Parceria Para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês) atua mundialmente, favorecendo a transferência de recursos, visando a promoção de transformações na sociedade, com o objetivo de proteger áreas críticas e ameaçadas. No Brasil, o CEPF atua por meio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) é uma associação brasileira sem fins econômicos, sediada em Brasília, fundada em novembro de 1998, com a missão de fortalecer os atores sociais e o seu protagonismo na construção de uma sociedade justa e sustentável. O IEB se destaca no cenário nacional por dedicar-se a formar e capacitar pessoas e fortalecer organizações nos diversos aspectos e temas relacionados ao meio ambiente, desenvolvimento e à sustentabilidade.

O LAPIG concorreu em 2018 ao edital da instituição com a proposta de agregar informações produzidas no Bioma Cerrado e para a sua preservação. “A plataforma terá grande utilidade também para auxiliar outros projetos financiados pelo CEPF, que precisam de um ambiente computacional com estrutura suficientemente robusta para receber e disponibilizar os dados e informações produzidas. Nosso objetivo é evitar que as informações fiquem literalmente perdidas ou engavetadas nas instituições”, finalizou.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Novo app permite que comunidades tradicionais se localizem no mapa

Com o Tô no Mapa, agricultores familiares e povos tradicionais ajudam a preencher lacuna de dados oficiais e identificam geograficamente a localização dos territórios onde vivem

Via Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)

 

Construído a partir do diálogo com moradores e associações de áreas rurais do Cerrado, aplicativo Tô no Mapa permite que comunidades tradicionais e agricultores familiares façam o automapeamento de seus territórios.

A ferramenta visa suprir a ausência de dados oficiais em uma área de cerca de 32 milhões de hectares de Cerrado. O Tô no Mapa é uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e com apoio da Rede Cerrado, além de financiamento da Aliança pelo Clima e Uso do Solo (da sigla em inglês, CLUA).

O lançamento do aplicativo é um desdobramento de oficinas participativas de mapeamento realizadas pelas duas organizações em 2019. Elas ocorreram em 55 municípios do Maranhão, de Tocantins, do norte de Goiás, do Piauí e do oeste da Bahia, e identificaram 1.244 comunidades fora das demarcações oficiais.

No sul do Maranhão, foram identificadas 237 comunidades até então sem registros geográficos. Outras 104 foram mapeadas na fronteira norte do Tocantins com o Maranhão. No oeste da Bahia, foram 630 comunidades e, no sul do Piauí, 273.

Os dados, que ultrapassam os registros oficiais, ainda têm muito a crescer. O Tô no Mapa, portanto, entra em cena para dar seguimento ao projeto, alcançar comunidades e visibilizar populações não reconhecidas pelo poder público. “Esse é um instrumento potente para que comunidades possam construir um mapa do Brasil que seja mais próximo da realidade. É um meio de mostrar ao país o quanto somos diversos e quantos mundos cabem em um único mapa”, comenta a secretária executiva da Rede Cerrado, Kátia Favilla.

Endossando o discurso, Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado e Caatinga do ISPN, reforça a necessidade de mapear essas populações. “Entendemos que mapas são instrumentos de luta, instrumentos políticos. Queremos disponibilizar uma ferramenta para que as comunidades se apropriem e possam, elas mesmas, definir seus territórios e, assim, contribuir para a garantia de seus territórios”, afirma.

O mapeamento, que contou com financiamento do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF), concluiu que grande parte das comunidades que vivem no Cerrado e sofrem atualmente com as mudanças do uso do solo não estava representada em documentos oficiais. Além disso, o desmatamento e a agropecuária feita de forma desordenada vêm avançando em um bioma que já perdeu metade de sua vegetação nativa, prejudicando os povos que tradicionalmente vivem na região, inclusive populações das áreas urbanas.

Contornos de histórias milenares

Com o Tô no Mapa, o usuário pode, agora, definir os limites de sua comunidade e indicar locais onde ocorre algum tipo de conflito, seja invasão, garimpo ou outra ameaça. Grupos de famílias, que vivem há anos nessas regiões, terão uma visão mais abrangente e confiável acerca de seu território, e poderão mapear também locais de uso, como extrativismo de frutos, roçado e pesca, por exemplo. O aplicativo pode ser ainda uma ferramenta importante para a discussão sobre o manejo do território, educação ambiental e engajamento da juventude.

A diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, destaca que a iniciativa também está articulada com a Plataforma de Territórios Tradicionais do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), criada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e lançada em agosto de 2019. “Essa integração permite dar uma escala maior à importância do reconhecimento dos direitos territoriais dessas populações rurais frente ao poder público. Com o Tô no Mapa, lançamos um espaço virtual e robusto para dar voz a quem precisa.”

Incluir a comunidade no aplicativo não significa a legalização, titulação ou demarcação do território pelo órgão competente, mas é um primeiro passo para que as comunidades passem a ser vistas pelas políticas públicas. A integração com a Plataforma de Territórios Tradicionais do CNPCT permite que o usuário possa optar por preencher algumas informações adicionais e enviar o registro também à Plataforma, onde o cadastro é recebido e segue o rito normal de validação exigido.

Aplicativo Tô no Mapa

Disponível para Android.
Download pela
Playstoreou pelo site: www.tonomapa.org.br


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

Começa o projeto “Monitoramento da qualidade em multiescala na bacia do Rio São Lourenço” em Mato Grosso

 

 

¹A bacia do Rio São Lourenço possui uma área de cerca de 22.000 km² e consiste em uma das principais formadoras do Pantanal de Mato Grosso, integrando a região hidrográfica do Rio Paraguai. Além disso, possui trechos que compõem o corredor ecológico Cerrado-Pantanal e é formada, em sua maior parte, por áreas-chave para a biodiversidade (KBAs).

Estação climatológica na bacia do Rio São Lourenço. Foto: ©Acervo Departamento de Geografia (GEO-UFMT)

¹Originariamente a bacia era coberta por formações vegetacionais do Cerrado. No entanto, a partir dos anos 60, intensas transformações no uso e ocupação da terra ocorreram na região, e áreas agrícolas para cultivo de commodities, pastagem e ocupação urbana foram ocupando o espaço. Neste tempo, o município de Rondonópolis se desenvolveu como um dos mais populosos e industrializados de Mato Grosso. A região possui atividades de mineração (areia, cascalho e ouro) nas suas cabeceiras, atividades turísticas relevantes em alguns dos seus afluentes (complexo Cachoeira de Fumaça, município de Jaciara), possui 10 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em operação, cujas influências sobre as funções ecológicas do próprio bioma e sobre a planície do Pantanal são pouco conhecidas.

Apresentação do projeto a comunidade. Foto: ©Acervo Departamento de Geografia (GEO-UFMT)

¹A bacia hidrográfica é formada pela atuação de diferentes atores sociais, dentre os quais destacam-se os camponeses, indígenas e pescadores. Os camponeses somam aproximadamente 2,8 mil famílias e distribuem-se em 38 assentamentos. Já os quase mil indígenas pertencem ao povo Bororo e situam-se em duas Terras Indígenas (T.I. Tadarimana e T.I. Jarudore). Os pescadores encontram-se organizados pela Federação dos Pescadores e Aquicultores do Estado de Mato Grosso (Fepesc) e pela Colônia Z-3 (Rondonópolis), totalizando mais de 150 famílias.

O trabalho é executado pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)/Fundação UNISELVA e até dezembro de 2020 o projeto “Monitoramento da qualidade em multiescala na bacia do Rio São Lourenço, Mato Grosso”, que tem apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund  CEPF Cerrado) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), irá:

  • Identificar padrões espaço-temporais da qualidade de água na bacia hidrográfica do Rio São Lourenço
  • Desenvolver um aplicativo para telefones móveis (SIG-Participativo) que possibilite a divulgação de informações relativas aos recursos hídricos, e que reforce a interação entre, e com a participação de, atores sociais interessados nas diferentes formas de uso da água na bacia.
  • Elaborar diagnósticos participativos sobre a situação/relação das comunidades que afetam e são afetadas pelos múltiplos usos do Recursos Hídricos, buscando um entendimento dos conflitos existentes em relação ao uso e gestão dos RH.

O grande objetivo deste projeto é monitorar e modelar a qualidade de água em múltiplas escalas na bacia do Rio São Lourenço. A disponibilização desses dados a partir de um SIG participativo, junto com trabalhos em comunidades na bacia, vai empoderar e permitir a participação direta de grupos sociais no monitoramento das condições e a gestão dos recursos hídricos na bacia.


¹Fonte: texto adaptado da proposta original do projeto “Monitoramento da qualidade em multiescala na bacia do Rio São Lourenço, Mato Grosso”

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

 

LAPIG anuncia lançamento da Plataforma de Conhecimento do Cerrado

 

 

 

Prezad@s colegas,

Com exclusividade, anunciamos o lançamento da “Plataforma de Conhecimento do Cerrado”, projeto da UFG/LAPIG, apoiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

http://cepf.lapig.iesa.ufg.br

Embora seja uma versão para testes, a mesma já conta com algumas funcionalidades, a destacar as subplataformas de uso do solo, desmatamentos e imagens aéreas (providas por drones), possibilitando uma análise dinâmica e interativa acerca das transformações do Cerrado, em âmbito municipal e estadual.

A partir de agora, com esta estrutura definida, avançaremos rapidamente com novos conteúdos e ferramentas, tais como o design responsivo para tablets e smartphones, módulo para uploads de dados (vetoriais, imagens e textos), disponibilidade de downloads e a tradução para o idioma inglês.

Por falar em conteúdo, incentivamos a contribuição de todos, com informações diversas produzidas para o bioma Cerrado.

Para tanto, disponibilizamos uma ferramenta provisória para a transferência de suas bases de dados (ver chamada/atalho no menu superior, ou no final da página principal).

Esperamos que a Plataforma de Conhecimento do Cerrado seja bem aproveitada por nossa sociedade, em especial pelas organizações envolvidas com a conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico deste rico e ameaçado ecossistema.

Dúvidas ou sugestões, nos envie um email para lapig.cepf@gmail.com

Obrigado pela divulgação e colaboração!

Prof. Manuel Ferreira
UFG/ LAPIG


LAPIG e CEPF Cerrado

Dr. Manuel Ferreira vem trabalhando com uma equipe de pesquisadores e instituições da sociedade civil no projeto “Plataforma de Conhecimento do Cerrado”. O projeto é executado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) e conta com o apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e visa compartilhar dados, informações e conhecimento entre as várias partes interessadas no Cerrado e empoderar a sociedade civil, por meio de informações confiáveis e ferramentas de monitoramento dos ecossistemas do Cerrado.

Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) está vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). As suas atividades foram iniciadas em 1994 e contribuíram desde então com a elaboração de diversas monografias, dissertações e teses, além da oferta de disciplinas de sensoriamento remoto, cartografia digital e sistemas de informações geográficas. Em 2010, deram início aos “Geocursos”, um projeto de extensão que oferta cursos de curta e média duração no âmbito das geotecnologias, oferecidos para a comunidade em geral. A pesquisa configura‐se como uma importante frente de atuação com vistas à produção e/ou organização de dados geográficos e documentais voltados ao monitoramento territorial e ambiental dos biomas brasileiros e respectivas paisagens naturais e antrópicas.


O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Gestão Ambiental Global, do Governo do Japão e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.